Crítica | Short Trips 5X03: Time Tunnel

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Jo (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton, Capitão Yates)
Era: UNIT — Ano 6
Espaço: East Sussex, Reino Unido
Tempo: Anos 1970

Com roteiro de Nigel Fairs, Time Tunnel representa mais um episódio burocrático desta 5ª Temporada das Short Trips, revivida pela Big Finish em 2015.

Embora trate-se de um episódio mais bem humorado e mais interessante que seu antecessor Little Doctors, ainda assim, temos em cena uma trama que poderia alcançar voos maiores se não houvesse a obrigatoriedade de colocar a UNIT em cena ou, pelo menos, os seus três personagens principais, uma vez que cada um precisa ter falas (dispensáveis) e isso distrai imensamente o público da história principal.

A trama começa com o habitual “disfarce científico” que observamos especialmente nas temporadas 7, 8 e 9, com o Doutor e Jo cuidado de algum experimento, até que o Brigadeiro Lethbridge-Stewart traz uma emergência e solicita a presença do Time Lord na resolução do caso. E aqui temos um interessante: um trem, ao passar por um determinado túnel em East Sussex, Reino Unido, faz com que todos os seus passageiros apareçam do outro lado… mortos de fome. Literalmente. A pergunta inicial é: o que tem causado essa desnutrição extrema e mortal nos passageiros durante a passagem do trem pelo túnel [do tempo]?

Se existe algo que segure o ouvinte é a possibilidade de vir algo impactante dessa trama. Quem sabe o aparecimento do Mestre. Quem sabe uma maior exploração do lado científico da série, que até ensaia vir à tona, mas o roteiro de Nigel Fairs vai por um outro caminho, apostando em um drama fraterno e de caráter emocional que no todo não é ruim, mas enrola demais para mostrar a que veio.

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Katy Manning, durante as gravações de Time Tunnel, em outubro de 2014.

A leitura de Katy Manning não se diferencia muito dos outros trabalhos dela na BF. Sua entonação forçada para o Doutor e os personagens da UNIT acaba tendo graça e é parte do charme da interpretação dela. Evidente que a atriz se destaca como Jo e até possui voz mais ativa no andamento da história, um reflexo dos tempos atuais (a história foi gravada em 2014) ao olhar para o passado e criar um cenário para algo exibido nos anos 1970. E este é um ponto extremamente positivo de Time Tunnel. Mesmo não sendo uma história brilhante, a trama logra um bom equilíbrio entre os valores sociais e éticos do século XXI e suas variantes no século XX sem descaracterizar os protagonistas ou apresentar algo que não condiz com o original.

Com o impacto moral cultivado de meados para o final do texto o ouvinte não tem outra escolha a não ser ceder, nem que seja um pouco, ao lamento vindo pela situação dos aliens na história. Não se trata de um desfecho animador, mas sim reflexivo, tanto para o Doutor, quanto para o público.

A despeito de todos os meandros e exageros pelo caminho, Time Tunnel ainda consegue ser uma curta e palatável “pequena história” da era do 3º Doutor.

Short Trips 5X03: Time Tunnel (Reino Unido, março de 2015)
Direção: Lisa Bowerman
Roteiro: Nigel Fairs
Elenco: Katy Manning
Duração: 31 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.