Crítica | Short Trips 5X04: The Ghost Trap

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Nave espacial Hihmakk abandonada
Tempo: Indeterminado

É impressionante como histórias de terror combinam com o universo do 4º Doutor. E é também interessante como Leela normalmente reage a essas situações.

Em Ghost Trap, o Doutor e sua companion chegam a bordo de uma nave Hihmakk  abandonada. Mas a estranheza inicial não vem pelo fato de terem encontrado os corpos dos tripulantes ou coisa parecida. O que espanta é o fato da nave Hihmakk ser uma nave viva (como aquela que vimos em The Claws of Axos), estar respirando pesadamente e ter cheiro de morte. E vozes. E pequenas armadilhas em suas paredes, corredores e pontes.

Nick Wallace escreve aqui o segundo melhor roteiro desta temporada das Short Trips até o momento, perdendo apenas para Flywheel Revolution, a história com o 1º Doutor. O ouvinte mais exigente pode reclamar de uma certa impessoalidade no tratamento da trama e o desenvolvimento um pouco confuso para a relação entre os Hihmakks e os humanos da nave, mas, embora isso seja uma verdade, não estamos diante de um texto que perde pontos por mal desenvolvimento ou por se perder em sua própria armadilha. Tudo bem que há alguma confusão na apresentação do “vilão”, mas este é um detalhe que não nos impede de entender a história ao final. É incômodo e, claro, diminui a qualidade do episódio um pouco, mas mesmo assim, o mantém em boa classificação.

louise

Louise Jameson na gravação de The Ghost Trap, em novembro de 2014.

Quando enfim ficam claros os papeis de todos os envolvidos na história, o espectador já está absorto demais para não dar a ela grande atenção. A nave se torna, de pronto, uma ameaça para Leela e a separação dela e do Doutor vem como um medo a mais, trazendo, ao mesmo tempo, a bravura da companion e suas habilidade com faca e caça.

O que mais me chamou a atenção nesse episódio foi a facilidade como o espírito da era do 4º Doutor se mostra com força e sem distorções. Mesmo que levemos em conta uma posição mais ativa por parte de Leela (isso, porém, não é algo unicamente deste episódio, vide outras produções do recente universo expandido, como As Raízes do Mal ou Zygon Hunt), não existem atropelos na concepção original da personagem e, nesse ponto, há uma referência bastante coesa ao mesmo tratamento dado a Jo Grant em Time Tunnel, o episódio anterior.

Lisa Bowerman tem aqui a sua melhor direção desde Flywheel Revolution e a produção da história é muitíssimo bem realizada, com bom uso de voz em agonia, ruídos, sussurros e trilha sonora que acompanha muito bem a “jornada de pavor” do Doutor e Leela pela nave, até a conclusão pacífica e reconfortante, se é que podemos colocar nesses termos.

The Ghost Trap é mais uma história de Doctor Who que nos faz enxergar a morte e o que acontece depois dela de uma maneira bem diferente. E uma das poucas vezes que ouvimos o Doutor falar de fantasmas sem ironia ou tirar sarro de quem o acompanha.

The Ghost Trap (Reino Unido, abril de 2015)
Direção: Lisa Bowerman
Roteiro: Nick Wallace
Elenco: Louise Jameson
Duração: 35 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.