Crítica | Silicon Valley – 2ª Temporada

estrelas 3,5

A segunda temporada de Silicon Valley trouxe os dilemas da genialidade dos protagonistas, constituindo-se inteiramente um arco sobre “o futuro da Pied Piper” e terminando com uma situação bastante conhecida nesse meio, especialmente por ter se passado com Steve Jobs (em outro contexto, mas a ação e o meio empresarial são os mesmas). Mas apesar de ser uma temporada bastante rica, engraçada e com boa qualidade de produção, estamos aqui muitos passos atrás do ano anterior.

Depois do gancho sobre o futuro da incrível tecnologia para compressão de dados inventada por Richard na 1ª Temporada, era óbvio que a série deveria apresentar algumas dificuldades institucionais ou legais para o andamento da história e a sustentação de mais uma temporada, agora com 10 episódios, 2 a mais que a estreia. Os showrunners então resolveram colocar um pouco de cada insatisfação possível no jogo, fazendo uma via crucis tanto para os jovens profissionais quanto para os empresários veteranos do ramo.

O humor inteligente e as boas sacadas para os episódios ainda permanecem, mas a constante exploração de um único motivo dramático tornou os roteiros ou as situações em si bastante cansativas. É como se desde o segundo episódio (Runaway Devaluation) tivéssemos entendido o caminho que o show seguiria nos capítulos seguintes e os roteiristas insistissem em repetir essa motivação episódio por episódio. As idas de vindas, os fracassos e vitórias, o vai-não-vai pelos quais a Pied Piper passa me deu uma incômoda impressão de filler dramático, que, devo admitir, foi bem administrado, mas mesmo assim não tem justificativa, principalmente se levarmos em conta a qualidade do time de roteiristas.

A nossa sorte é que o elenco de Silicon Valley é hilário e dá a simpatia necessária aos textos que normalmente não teriam muita graça. À exceção do ator T.J. Miller, que tem um personagem chato e metido a The Dude (apesar de um ou outro bom momento em cena), todos os outros são construídos com a estranheza do nerd não sociável e tímido tentando se ajustar ou se manifestar de algum modo. Funciona perfeitamente bem na série e dentro do estereótipo que representam. Até a maior exploração dada ao personagem de Josh Brener (Big Head) merece créditos positivos, embora seja fruto de uma cadência de episódios que pouco falavam de substancial.

A ausência de variedade narrativa forçou a direção de arte a adotar um padrão de cenários atrativos e que transitassem na escala da perfeição ao caos, vide a casa do péssimo personagem do ator Chris Diamantopoulos (Russ Hanneman), que mais uma vez faz um personagem maluco, repetindo, inclusive com toas as caraterísticas negativas, o seu papel da 3ª Temporada de Episodes (2014). Nota-se também as boas mudanças cênicas ocorridas na “Encubadora” de Erlich e, como complemento técnico, as excelentes músicas que acompanham o final dos capítulos.

Silicon Valley já foi renovada para a 3ª Temporada. Resta-nos agora esperar que tenhamos um ano fora da forma “cão perseguindo o rabo” e mais fluidez, como na 1ª Temporada. Que os bits do santuário tecno-tecno digam 01000001 01101101 11101001 01101101*.

* Amém, em código binário.

Silicon Valley – 2ª Temporada (EUA, 2015) 
Criadores: John Altschuler, Mike Judge, Dave Krinsky
Direção: Mike Judge, Alec Berg
Roteiro: John Altschuler, Mike Judge, Dave Krinsky e equipe
Elenco: Thomas Middleditch, T.J. Miller, Josh Brener, Martin Starr, Kumail Nanjiani, Amanda Crew, Zach Woods, Matt Ross, Jimmy O. Yang, Suzanne Cryer, Aly Mawji
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.