Crítica | Simplesmente Irresistível

Cozinhar e arrumar a mesa para um banquete são atitudes de sociabilidade que unem pessoas ao longo da história da humanidade. Ir ao restaurante também, pois tal prática pode ser pensada como um ritual e, no geral, espera-se que seja uma experiência bem-sucedida. Em Simplesmente Irresistível, o cineasta Mark Taylor dirige o roteiro de Judith Roberts e nos conta uma adocicada história de amor entre dois jovens de duas realidades relativamente distintas.

No filme, Amanda Shelton (Sarah Michelle Gellar) é uma mulher que descobre ter herdado o restaurante que era da sua mãe. O presente que deveria chegar como uma glória revela-se um problema por conta da falta de experiência e habilidade da moça em administrar o negócio, o que por sua vez, inclui a aderência de novos clientes.

Certo dia, como num passe de mágica, ela ganha um caranguejo muito especial enquanto realiza compras numa feira, tendo em vista ter material para o preparo dos principais pratos do restaurante. É a partir daí que os seus pratos ficam mais saborosos e começam a causar reações emocionais nas pessoas que provam a sua comida.

Como pede a cartilha de toda comédia romântica, a moça encontra o homem dos seus sonhos. O executivo Tom Bartlett (Sean Patrick Flanery), um típico estadunidense muito ocupado, geralmente sem tempo para curtir nada na vida que não seja o trabalho. Como ela conseguirá conquista-lo? Quem adivinha? Se você respondeu “através da comida”, acertou. Pergunta básica também, não é? Tal como o filme em questão. Bem básico, mas interessante para se discutir e refletir sobre como a persistência de alguém pode leva-la ao sucesso.

O sucesso, neste caso, não é ser iluminada pelos holofotes da mídia, mas conseguir realizar o que sempre sonhou pra si ou dar conta de uma missão que lhe foi entregue por uma pessoa tão especial, como no caso da protagonista, herdeira dos negócios da família. Entre as suas missões está aprender a cozinhar bem, algo que ela fará num “passe de mágica”, através dos feitiços da sua comida.

Com determinação, ela consegue superar os problemas, mudando o panorama de poucos clientes para uma clientela bem assídua. Neste processo ela ainda garante um amor para apimentar a sua vida pouco temperada, o que não anula a presença de uma boa sobremesa, pois as bombas de creme realizadas pela personagem são deliciosas. Como saber? Tanto na época de lançamento, em 1999, quanto na atualidade, há alguns especialistas em gastronomia que se dedicam a preparar este delicioso doce que deixa qualquer interessado em comida com “água na boca”.

Simplesmente Irresistível não é um filme descartável, mas sofre pelos problemas que acometem uma grande fatia das comédias românticas hollywoodianas: roteiro frágil, repleto de diálogos poucos inspirados e foco em artistas que estavam no auge da fama. Sarah Michelle Gellar, na época, vinha de desempenhos interessantes, tais como os atmosféricos Segundas Intenções e Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado. No entanto, nesta comédia romântica gastronômica ela não consegue fazer nada além do pacote básico de atuação, nada que estrague, entretanto, a compreensão da relação intrínseca que a gastronomia pode ter quando o assunto é “unir as pessoas”. Foque na “mensagem” e tenha uma sessão interessante.

Tempero da Vida (Simply Irresistible/Estados Unidos, 1999)
Direção: Mark Taylor
Roteiro: Judith Roberts
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Sean Patrick Flanery, Patricia Clarkson, Dylan Baker, Andrew McFarlane, Eric Rota, Jason Circado, Billy Raymond
Duração: 94 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.