Crítica | Skyline: A Invasão

beyondskyline

estrelas 0,5

SPOILERS

Ao menos uma vez por ano somos presenteados por Hollywood com um filme sobre alienígenas, o tema mais explorado do mundo. Nós, terráqueos gostamos disso e gastamos nosso dinheiro no ingresso do cinema ou no camelô da esquina. Nestes filmes, já sabemos a história, o que vai acontecer, quem vai morrer, quem vai se safar, quem é o herói e mesmo assim eu insisti em ver este que acabou se provando um dos piores filmes que já vi na vida.

Jarrod chegou com sua namorada a L.A. para comemorar o aniversário de seu amigo Terry. Depois da festa, enquanto todos dormem, luzes de Natal caem do céu. O problema é que estas luzes tão bonitas são naves intergalácticas e elas vieram com um objetivo perverso: abduzir todo ser humano da face da terra para objetivos nefastos. Cabe agora a Jarrod e seus amigos malhados a sobreviverem o terror que assola a história da humanidade.

O roteiro inconsistente se apresenta de forma deplorável: exatamente como o início de um capítulo de um seriado C.S.I. Após esta magnífica apresentação, somos jogados para 15 ou 17 horas antes do ocorrido onde se apresenta os personagens insossos e desinteressantes que teremos que acompanhar durante os arrastados 96 minutos do filme. Em especial, temos três personagens que sobressaem os níveis racionais da chatice – o zelador pirado e o casal histérico que nossos heróis encontram durante uma tentativa de fuga.

A história é completamente monótona. Os primeiros trinta minutos onde somos obrigados a assistir alguns dramas humanos são os mais chatos do filme, podendo até classificar como insuportáveis graças às atuações pobres.

Após alguns conflitos superficiais, os alienígenas chegam e começam a tocar o terror em L.A. e, mesmo assim, não conseguem elevar a qualidade do filme. O roteiro optou em deixá-los em segundo plano e a sobrevivência do grupo no apartamento em primeiro, onde vemos o desenvolvimento patético dos personagens que se limitam a diálogos toscos, sem tomar atitudes para uma futura fuga.

O maior problema do roteiro foi utilizar os alienígenas poucas vezes e, quando eles marcam presença, insistem em não morrer apesar de terem seus cérebros arrancados por um machado, serem explodidos por uma suposta bomba atômica (essa parte em especial merece uma observação: repare que quando o ataque começa temos trocentas naves mãe na imagem, mas quando acontece a lutinha a la Star Wars só aparece uma nave na tela. O que será que aconteceram com as outras? Devem ter desistido de entrar em cena de tão ruim que o filme é.

Fora isso tudo, ele ainda consegue ser clichê ao extremo: temos beijos apaixonados no fim do mundo, abraços de melar a alma de tão açucarados, tentáculos alienígenas “câmeras” / sequestradores (já vi isso em Guerra dos Mundos, isso na filmagem de 1953), um mexicano explosivo, alienígenas macacos escaladores de arranha-céus e a solução tosca para explicar a aparente razão dos bichos quererem acabar com a terra: cérebros humanos – além de alienígenas, são zumbis também…

Não obstante em ser ridículo, ele insinua que se você receber doses diárias de radiação interplanetária seu cérebro ficará vermelho (por alguma razão os cérebros humanos são azuis nesta obra de arte) e poderá acabar com um alienígena a base da porrada e até controlar um corpo extraterrestre. Este roteiro inaugurou um tipo novo de script: o autodestrutivo. O final do filme destrói todo o trabalho de Jarrod e seus humanos em se manterem vivos por “incríveis” 24 horas porquê de uma forma ou de outra, todos acabam morrendo ou virando cérebro de alien. Além disso, ele também mostra que o país mais paranoico com guerras no mundo (mais conhecido como EUA) demora dois dias para defender seu pedaço de terra contra uma invasão extraterrena. Até o exército do Paraguai não seria tão lerdo em defender a pátria quanto os americanos neste caso.

Para piorar o filme, temos atuações de chorar de desespero. Todos os atores saíram de seriados que não chegam à segunda temporada nos EUA. Temos Eric Balfour como protagonista e Donald Faison como coadjuvante, nisso estão resumidos os atores do filme. Faison diz frases sem sentido na maioria do filme (ele diz que precisa ir ao cofre quando não há nenhum cofre no filme) e faz caras de medo. Balfour é o herói que tenta proteger o mundo e faz cara de mau quando olha para luzinha bonita dos ETs. Eu sei que seus personagens tinham a missão de retratar pessoas normais, porém não têm características marcantes e não conseguem, ao menos, atingir a mesmice. São simplesmente inexpressivos.

A fotografia tem seus méritos nos planos entre os prédios espelhados de Los Angeles e em algumas sequências no terraço do prédio porque no geral ela consegue ser péssima onde existe até uma tomada que a imagem fica completamente granulada por falta de luz. Diversas vezes a câmera treme (propositalmente ou não) demais e não filma com estabilidade o que se passa diante dela, ficando até difícil assistir ao filme.

Os efeitos visuais são bonitos e bem trabalhados, principalmente os das naves, das luzinhas brilhantes e dos alienígenas petroleiros (soltam uma graxa tosca). Uma parte, no entanto, me deixou espantado: quando as naves sugam os humanos esvoaçantes (muito mal-acabados) em lotes, aparece uma fumacinha no chão e se olhar com cuidado, você reparará que essas fumaças são bem porcas e aparecem em pop-ins (surgem do nada) para quem fez os efeitos visuais de Avatar um erro deste passar despercebido é inaceitável.

O som é algo relevante em um filme de guerra intergaláctica, mas parece que eles resolveram fazer uma sonoplastia de quintal. Os barulhos que os ETs e as naves fazem são repetidos diversas vezes e parecem ser embalados de Transformers algumas horas. Fora isso o volume do som do filme é baixo, a música é baixa, os efeitos sonoros são baixos, os gritos não saem como deveriam ter saído, até mesmo os diálogos ficam incompreensíveis (mesmo com as legendas que somem diversas vezes na projeção e aparecem em horas onde não existem falas). Não sei se isso foi algum problema no som da sala em que assisti ao filme, mas diversas vezes me perguntei se era uma sala equipada com um Dolby Surround ou com um sistema de áudio MONO de TV a pilha.

Para quem começou com o pé esquerdo na direção cinematográfica como os irmãos Strause começaram (eles dirigiram o inesquecível Alien VS. Predador 2), era difícil acreditar que entregariam algo que prestasse. Já ficou evidente que não concluíram com sucesso a sua função e acredito que este possa ser o seu último projeto. Eles não enquadram os personagens de uma forma boa para a câmera e não deixaram as atuações aceitáveis. Além disso, também inventaram de inserir alguns slow-motions. Estes efeitos foram mais um tiro no pé para o desenvolvimento do filme. São pessimamente realizados e ativados em horas inapropriadas como a cena que o zelador ou quando Terry quebra uma porta de vidro ou na corrida do grupo contra um monstrengo. Só há uma parte que efeito é bem realizado no fim do filme.

Skyline é a prova viva que um filme não consegue ser bom apesar de ter efeitos visuais de primeira. Pior que no logo depois de um tempo, estreou outra bomba sobre invasões alienígenas: Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles. Que ano, senhoras e senhores!

Eu sinceramente recomendo caso queira rir à beça ou ficar furioso sem motivo algum, mas se estiver a fim de ver um bom filme, passe longe. Se ficar curioso, assista ao trailer que ele resume bem a história, afinal se alguma coisa foi feita direita neste filme além dos efeitos visuais foi a propaganda.

Skyline: A Invasão (Skyline, EUA, 2010)
Direção: Irmãos Strause
Roteiro: Joshua Cordes, Liam O’Donnell
Elenco: Eric Balfour, Scottie Thompson, Brittanny Daniel, Crystal Red, Neil Hopkins, David Zayas, Donald Faison
Duração: 97 minutos.

MATHEUS FRAGATA . . . Estudo cinema na UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar.