Crítica | Slam Dunk – Vols. 1 e 2

estrelas 5,0

O basquete não é um dos esportes mais populares do Japão, muito disso se deve à estatura média de sua população, que nos homens é de  1,72 metros aproximadamente. Tendo isso em mente fica fácil entender a recusa da Shueisha (editora da obra) em publicar Slam Dunk, um mangá que tem como tema central um esporte que exige que seu jogador seja, na maioria dos casos, alto. Então, como esse quadrinho foi publicado? A resposta tem um nome: Takehiko Inoue.

Em 1990 o autor, que hoje é tido como um dos melhores mangakás da atualidade, era apenas um novato. Com apenas duas obras publicadas (Kaede PurpleChameleon Jail) Inoue teve que vender muito bem sua obra, que acabou sendo publicada, bem longe dos holofotes da revista Weekly Shōnen Jump. Mas, diferentes do que todos esperavam, aposto que até o próprio Takehiko, Slam Dunk foi um sucesso, tornando-se um dos mangás mais vendidos e queridos de toda essa enorme indústria do Japão.

Diferente do padrão de seu pais, o autor é apaixonado por basquete, além da obra titular dessa crítica, ele já escreveu alguns outros quadrinhos baseados no esporte, como RealBuzzer Beater, que mistura o tema com nada mais, nada menos, que alienígenas. O amor pelo jogo foi um fator determinante para o sucesso da HQ. Slam Dunk, além de ser uma aula de narrativa gráfica, também é uma aula das regras básicas do basquete.

Nos dois primeiros volumes acompanhamos a apresentação dos principais personagens da história. Entre eles estão nosso protagonista Hanamichi Sakuragi, um delinquente juvenil ruivo e com o pavio curto, que acabou de entrar para o colegial, ele também é um colecionador de foras, logo no começo do quadrinhos vemos inúmeras recusas por parte das garotas em relação ao personagem. Inoue apresenta muito bem seu protagonista, mostrado de forma rápida, não apenas quem ele é, mas quem são aqueles que o cercam.

Diferente do autor, Hanamichi não gosta do esporte, mas gosta de garotas e faz de tudo para as conquistar. A “sortuda” da vez é  Haruko Agagi. Ela é ex-jogadora e irmã do capitão do time da escola, Takenori Akagi. O líder, que foi apelidado carinhosamente de Gori por Sakuragi, tem o sonho e ganhar o campeonato entre as escolas. Outro personagem que vale ser citado é Kaede Rukawa, um jovem talento no basquete, que mesmo antes de entrar para o time, já era tido como um dos maiores reforços da escola para aquele ano.

E assim começa a jornada de Sakuragi pelo basquete, não contarei muito a respeito da trama, mas vale ressaltar que a forma que Takehiko escolheu contar a história é excelente, em vários momentos tive que dar uma pausa na leitura para gargalhar com as situações que ele propõe no mangá. A obra tem um protagonista hilário, mas que não é efêmero em sua graça, Inoue consegue desenvolver seus personagens, ao mesmo tempo que faz seu público rir.

Mas Slam Dunk nos oferece muito mais do que um roteiro engraçado, na obra vemos uma narrativa gráfica invejável. Com certeza a forma que a mídia é tratada no Japão favoreceu muito o quadrinho. O mercado americano valoriza mensais curtas, de no máximo 30 páginas, isso faz com que os autores tenham que desenvolver sua trama de forma rápida, é lógico que, mesmo com essa limitação, existem ótimas histórias nesse formato, entretanto vemos momentos que exigiam mais tempo de narrativa serem contados de forma apressada.

No Japão o quadrinho é tratado como arte, por mais que seja feito em massa, sendo assim, o autor tem mais verba e espaço para desenvolver sua obra. Isso é importante pois Takehiko usa e abusa de uma narrativa de Aspecto para Aspecto, que consiste em mostrar diferentes personagens ou ângulos de um mesmo evento. Isso faz com que o leitor sinta a importância de cada momento dentro da narrativa que está sendo desenvolvida.

A obra é excelente para aqueles que nunca leram nada oriental, estamos em um ótimo ano para quadrinhos e para os mangás não é diferente, Ghost in the Shell, Lobo Solitário, Blade, Akira e muitas outras HQs japonesas estão finalmente ganhando o destaque que merecem no Brasil.

Takehiko Inoue conseguiu, com Slam Dunk, contar uma trama divertida e competente, que ultrapassou a barreira das páginas e influenciou muitos japoneses a começar a praticar o esporte. A história de Hanamichi Sakuragi se tornou uma das mais queridas do exigente público oriental. Que venham as próximas partidas de Basquete!

Slam Dunk – Volume 01 e 02 — Japão, 1990
Roteiro: Takehiko Inoue
Arte: Takehiko Inoue
Editora original: Shueisha
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil: Planet Manga (Panini Comics)
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".