Crítica | “Smoke + Mirrors” – Imagine Dragons

estrelas 2,5

Certo dia encontrei um post no facebook onde uma pessoa pedia ajuda com uma playlist para uma reunião de amigos. Um comentário dizia: “Coloca o tal Imagine Dragons, aparentemente todo mundo gosta disso”. De certa forma, a pessoa estava certa. O Imagine Dragons é uma das bandas que mais conseguiu sucesso no cenário mainstream recente. Por mais que esteja longe de mostrar um som original, é difícil não gostar do que o grupo faz. E depois de Night Visions, disco que trouxe a fama à banda, agora chegam ao segundo trabalho de estúdio, a provação que todo artista mainstream tem que passar se quer continuar nos holofotes.

Em Smoke + Mirrors o Imagine Dragons confirma o que já mostrava em seu primeiro disco. Ao contrário do que alguns acham, seu indie rock é uma pequena desconstrução do que é o rock, se aproximando muito mais do pop e utilizando vários efeitos eletrônicos. Isso não é uma característica própria do grupo, mas de muitas bandas que todos conhecem e que vem conseguindo um lugar na mídia justamente por esse ponto.

Com certeza Smoke + Mirrors se esforça ao máximo pra conseguir agradar o público geral que os levou ao topo da Billboard, e seu resultado consegue ser minimamente coeso. Ao menos isso, diferente de grande parte do cenário pop atual que não sabe fazer discos e despejam faixas e singles aleatoriamente, como se atirando a todos os lados até conseguir um hit nas paradas. Mas isso não impede que a banda jogue a carta “single-pop-chiclete” logo na primeira faixa do álbum, com a ótima Shots, o Radioactive de Smoke + Mirrors.

Prosseguindo com o álbum temos as péssimas Gold e Smoke + Mirrors e suas letras pouco inspiradas. É um dos momentos que a banda mostra como consegue ser menos orgânica que bandas assumidamente rotuladas “música eletrônica”, como o Metronomy. A mesma coisa podemos dizer de I’m So Sorry, que consegue se distinguir pelo refrão bastante animado, mas que chega a soar estranha com seu solo de guitarra em meio a tanta batida eletrônica. I Bet My Life traz outra notória tentativa de hit, o que provavelmente funcionará visto a capacidade do refrão de grudar. Polaroid traz uma interessante composição cheia de metáforas, além de um arranjo simples, mas muito bem feito. Friction é um pop que tenta enganar com guitarras cheias de distorções pesadas. Flerta com o experimental e fracassa, entregando uma faixa que muito artista pop já fez tentando imitar o Michael Jackson da década de 90.

It Comes Back To You é de longe uma das melhores do álbum, com uma forte influência oitentista de New Wave, bem melódica, impressiona pela diferença em relação as outras faixas. Dream é uma das mais fracas, uma balada ao piano de emocional extremamente barato. Por outro lado, o instrumental bem executado de Trouble e o bom ritmo dançante de Summer levantam bastante a moral do disco. Hopeless Opus possui um refrão que deixará muitos com a sensação de já ter escutado a mesma melodia. The Fall fecha o álbum como outra tentativa de hit. Bem mediana, mas com um bom desenvolvimento em seu final, a faixa serve pra aumentar mais ainda as comparações que alguns fazem da banda com o Coldplay.

Smoke + Mirrors mostra o Imagine Dragons do comentário do primeiro parágrafo. Difícil chamar seu trabalho de ruim, já que consegue agradar em vários momentos. No entanto, com certeza se define como uma banda regular, oferecendo nada mais do que o cenário musical mainstream atual pede. Nada de original. E, aparentemente, o rock atual precisa de uma máscara com efeitos eletrônicos e sonoridade pop pra conseguir entrar nas rádios.

Smoke + Mirrors
Artista: Imagine Dragons
País: Estados Unidos
Lançamento: 17 de fevereiro de 2015
Gravadora: Interscope
Estilo: Rock Alternativo, Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.