Critica | Solaris & Big Hero 6 #1 a 3

estrelas 1,5

Completamente desconhecido do público em geral, o Big Hero 6 é um grupo de super-heróis japoneses da Marvel, criado com base em ideias de Steven T. Seagle e Duncan Rouleau, que formam o coletivo de criadores denominado simplesmente de Man of Action. Não é, como muitos podem achar, uma criação japonesa ou algo do gênero, apenas mais um grupo de nacionalidade não americana criada pela Marvel, na linha da Tropa Alfa para o Canadá e dos Super-Soldados Soviéticos na antiga União Soviética que, aliás, são expressamente mencionados na história como razão para o governo japonês também querer um super-grupo.

E sua primeira aparição se deu em uma curta minissérie de três números publicada entre setembro e novembro de 1998, com roteiro de Scott Lobdell e arte de Gus Vazquez e Bud Larosa, sob o título Solaris & Big Hero 6. A inserção do nome de Solaris, o mais famoso super-héroi japonês criado pela Marvel é estratégica e quase enganosa. Estratégica, pois atrai leitores para um grupo novo, criado literalmente do nada e enganosa, pois a participação efetiva do herói – que, na história, está morrendo em razão de envenenamento com seus próprios poderes atômicos – somente se dá bem no finalzinho.

mosaico big hero 6

As capas da minissérie.

Mas há outro nome famoso no grupo: o Samurai de Prata. Como ele sempre transitou entre vilão e herói, ele, agora, é o hesitante líder do grupo, bancado pela Giri Industrial Corporation, que também conta, inicialmente, com Honey Lemon, uma linda jovem capaz de literalmente tirar tudo o que imagina de sua bolsa mística e Gogo Tomago, explosiva jovem que se transforma em uma bola de energia. O narrador da minissérie, porém, é o geninho Hiro que tem como guarda-costas um robô chamado Baymax que ele mesmo construiu com implantes de memória de seu pai falecido e que se transmuta em uma criatura que se parece com um dragão. Ele idolatra Solaris e nos conta a história em flashback, com o Samurai de Prata tentando recrutá-lo para o grupo recém-formado.

Fica evidente, pelos nomes, poderes e comicidade da série, que o objetivo de Lobdell foi fazer algo que homenageasse os mangás, mas ele falha miseravelmente ao nos apresentar algo dolorosamente arrastado e inequivocamente sem graça. A quantidade de explicações que vêm dos mais diversos personagens, especialmente de Hiro, a relutância dele entrar no grupo, as personalidades rasas dos demais, o drama bobo de Solaris e a presença de um vilão – Everwraith – com quem não dá para nos identificarmos ou engajar em sua luta. É uma espécie de colcha de retalhos de ideias que parecem contar uma história, mas que, na verdade, não contam nada, tornando a leitura dessas poucas páginas um trabalho hercúleo, com nenhuma recompensa.

Bem, “nenhuma” talvez seja um exagero, pois os desenhos de Gus Vazquez, com arte-final de Bud Larosa merecem algum destaque. Primeiro, o visual dos heróis consegue remeter de verdade aos mangás, especialmente os de Gogo Tomago e Honey Lemon. Baymax, em sua forma de guarda-costas, também é muito interessante, com um terno de calças listradas e paletó preto, chapéu e um rosto do qual só vemos os olhos e a boca. Mas Vazquez não vai muito além disso, trabalhando os quadros de maneira burocrática e as sequências de ação sem muita dinâmica. Não deixam, de no todo, ser desenhos bonitos, mas eles não se desenvolvem em momento algum em algo memorável, talvez pela quantidade de narração que Lobdell nos força a ler.

Solaris &  Big Hero 6 é uma minissérie muito fraca, desconjuntada e cansativa de ler, apesar de curta. O potencial de um grupo japonês de super-heróis poderia ter sido melhor explorado.

Solaris & Big Hero 6 (Sunfire & Big Hero 6, EUA – 1998)
Roteiro: Scott Lobdell (baseado em ideia de Steven T. Seagle e Duncan Rouleau – Man of Action)
Arte: Gus Vazquez
Arte-final: Bud Larosa
Cores: Leeann Denham
Letras: RS & Comicraft
Editora (nos EUA): Marvel Comics (de setembro a novembro de 1998)
Editora (no Brasil): não publicado no Brasil até o momento de publicação da crítica
Páginas: 66

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.