Crítica | “Sonic Highways” – Foo Fighters

estrelas 3,5

O cenário musical mudou muito desde o início dos anos 2000, isso é fato. Houve a ascenção do pop e o declínio do rock. Ainda que atualmente poucas bandas de rock n’roll figurem no topo das paradas, elas existem. Eis que aí está o Foo Fighters.

O mundo pode estar sofrendo de carência de bandas de rock, mas com certeza não está sofrendo mais do que de carência de bandas de rock inovadoras e transgressoras. Essa é a maior crítica feita em cima da banda encabeçada por Dave Grohl e é inevitável não pensar nisso.  Sim, esse é um problema e, por isso, o Foo Fighters pode ser uma banda superestimada. No entanto, não é preciso ultrapassar barreiras pra fazer som de qualidade. Ainda que com a mesma essência e o mesmo típico rock alternativo originado na década de 90, Sonic Highways celebra o lado divertido do rock e acerta com as armas que possui.

Não há como falar de Foo Fighters sem falar de Dave Grohl visto que ele pode ser chamado de artista mais carismático da nova safra do rock. Dave não precisou se apoiar na sua fama de baterista do Nirvana pra conseguir sua popularidade. Suas ideias, seus pensamentos e jeito de ser proporcionaram a banda ser o que é hoje. Além do documentário sobre Sound City –  famosa gravadora de vários clássicos – dirigido pelo próprio, uma de suas ideias é o documentário sobre o novo álbum, dirigido pelo cantor, dividido em episódios e exibido pela HBO.

Sonic Highways tem cada faixa gravada em um estúdio diferente. Se isso realmente era necessário é outra questão, mas ao menos para a série a ideia parece ter sido essencial. Something From Nothing, a faixa de abertura, é gravada em Chicago e é a mais inspirada do álbum. Se desenvolve de maneira excelente, marcada pelo groove do baixo, ótimas variações na guitarra e um bom uso de sintetizadores. São 4:48 muito bem utilizados. Candidata a melhor single do ano.

The Feast And The Famine segue o clássico clichê pop rock com refrão gritado, sendo a mais fraca. A excelente Congregation se destaca pela sua guitarra melódica no refrão, que dá uma boa base pra letra. Uma boa ideia está no medley What Did I Do/God As My Witness que junta duas boas canções, passando o bastão da primeira, bem guitarrística, para o clima pacífico da segunda,  bem melódica e marcada pelo repetitivo refrão. Outside aparenta de início ter um arranjo manjado, mas que surpreende no seu prolongar e demonstra até certo experimentalismo. Enquanto isso, a mistura perfeita do pop e rock’n roll de In The Clear lembra faixas do ótimo álbum anterior, Wasting Light, ainda que esta faixa possa ser chamada de única.

O disco segue com a repetitiva Subterraneam que sofre permanecendo nos mesmo versos e melodias. Apesar de tentar experimentar no final, já se torna cansativa antes dele. Em seguida faz uma excelente transição para a derradeira I Am a River, com a digníssima participação de Joan Jett na guitarra. A canção talvez seja uma das mais distintas, possuindo uma excelente letra e um arranjo que tem seus momentos de destaque. Fecha o álbum muito bem, só errando na longa duração.

O Foo Fighters não traz algo novo para o cenário da música e dizer que a banda é o principal representante do rock atual soa superestimado ou, até mesmo, trágico (será que não estamos produzindo nada inovador?). No cenário americano, parte disso pode ser verdade se tratando de mainstream, ainda que universalmente a coisa mude totalmente. No entanto, não é preciso fazer algo transgressor pra fazer rock de qualidade. Sonic Highways mostra isso e como o estilo pode ser divertido. Sim, é seguro dizer, o Foo Fighters me representa.

Sonic Highways
Artista: Foo Fighters
País: Estados Unidos
Gravadora: Roswell, RCA
Lançamento: 10 de novembro
Estilo: Rock Alternativo

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.