Crítica | Sons of Anarchy – 2ª Temporada

estrelas 5,0Com uma 1ª temporada morna, mas ainda assim interessante, o seriado Sons of Anarchy elevou e muito o enredo em sua segunda temporada, criando tensão e intriga do primeiro ao último episódio.

Dando continuação aos eventos da temporada passada, Jax está determinado em mudar de vez o clube e também abrir os olhos dos membros. Com isso, se dispõe inclusive a passar por cima de Clay e não mais acatar suas ordens, mesmo ele sendo o Presidente do Samcro. Porém, o surgimento de um novo inimigo em Charming, irá estremecer ainda mais essa conturbada relação entre os dois líderes do clube.

O inimigo é Ethan Zobelle, um empresário do ramo de tabacaria e membro da Liga Americana Nacionalista, um nome pomposo para denominar os membros da nação ariana. Zobelle está montando um negócio na cidade e quer tirar o Samcro da jogada. Para tal ele visita o clube, que está dando uma festa após a soltura de Bobby, e faz um pedido a Clay, que pare de negociar armas com outros clubes e obviamente, ele recusa. Infelizmente é Gemma quem acaba pagando pato ao ser sequestrada e violentada por capangas de Zobelle, com único intuito de passar uma mensagem. O que eles não contavam era que a matriarca do clube decide fazer exatamente o contrário, se mostrando mais forte do que pensavam e guardando o segredo para o bem do Sons of Anarchy. Percebendo que o recado não foi dado, eles então começam a fazer uma série de ataques ao clube que sofre algumas baixas temporárias.

No meio de tudo, Clay e Jax estão numa briga constante de poder, o que acaba dividindo o clube e seus membros, incluindo Opie, melhor amigo de Jax e a quem ele está tentando proteger. Entretanto, por não saber o motivo da briga, nem das intenções de seu amigo, Opie decide apoiar Clay.

Restará ao Samcro uma única solução: se unir e lutar contra esse inimigo antes que o mesmo acabe com o clube. Isso se as brigas internas não acabarem por destruí-lo antes.

Essa temporada foi marcada por diversas transformações. Começando por Opie, que após a morte da esposa assumiu essa postura sombria e ameaçadora. No entanto, as duas maiores transformações foram das personagens Gemma e Tara. Depois do que ocorreu com Gemma, as duas se uniram como nunca e formaram uma aliança baseada em suporte mútuo e honestidade. A matriarca do Samcro se tornou uma mulher menos severa, mais carinhosa e até disposta a aceitar novas ideias. Já Tara, teve o efeito contrário ao desistir de bancar a boa moça. Sofrendo bastante pressão e até ameaça de concorrência, precisou se armar e mudar a postura para proteger sua relação com Jax. Uma grata mudança para quem não aguentava mais vê-la em dúvida sobre o seu envolvimento com o VP do clube.

Certamente, o ponto alto da temporada é a disputa de poder entre Clay e Jax. O diálogo é inexistente e depois que Jax descobriu a verdade sobre a morte de Donna, nada do que seu padrasto faz é visto com bons olhos por ele. O grande divisor de águas está no episódio 7 quando numa tentativa frustrada em capturar Zobelle, a gangue é presa e precisa aguardar julgamento. Confinados, padrasto e enteado decidem resolver suas diferenças no tapa, desenhando uma linha imaginária entre eles e os membros do clube que presenciaram tudo. Não apenas uma disputa de força, mas também de intelecto. Clay prefere agir de modo impulsivo e lidar com as consequências depois, enquanto Jax crê que analisar o panorama primeiro, podem lhe causar menos problemas, o oposto do padrasto. Essas ideias começam a fazer sentido para os demais membros quando os planos do Presidente do clube dão mais errado do que aqueles propostos por Jax. Mas, como nem tudo é perfeito, o VP também terá sua cota de más escolhas.

Interessante é analisar como esse comportamento reflete de certo modo no figurino usado pelos atores. Mais e mais Jax vem abandonando o preto (exceto pelo colete do clube) e usando cores como azul, azul marinho e branco, numa clara mudança de comportamento, pois dentro do estudo das cores, a cor azul é vista como uma representante da verdade e intuição, enquanto o branco simboliza a paz, características e desejos que têm sido expressados pelo personagem. O figurino de Gemma ganhou peças com partes mais delicadas, como renda e babados, para enfatizar seu lado mais receptivo e complacente. Tara além do verde e branco habitual de médico, usou muito marrom, associado frequentemente à insegurança e necessidade de auto-valorização.

Todos esses detalhes foram essenciais na construção dessa 2ª temporada que superou e muito a outra, elevando os níveis de tensão e adrenalina ao máximo. Destaco aqui o episódio 10 como um dos melhores e a trilha sonora que se encaixa perfeitamente em cada episódio, não apenas pela música, mas também pela letra.

Sons of Anarchy – 2ª Temporada (EUA – 2009)
Showrunner: Kurt Sutter
Roteiro: Kurt Sutter
Direção: Diversos
Elenco: Charlie Hunnam, Ron Pearlman, Katey Sagal, Mark Boone Junior, Kim Coates, Tommy Flanagan, Ryan Hurst, Johnny Lewis, William Lucking, Theo Rossi, Maggie Siff, Ally Walker, Adam Arkin, Taylor Sheridan, Dayton Callie, Mitch Pileggi, Jamie McShane, Callard Harris, Sarah Jones, Jeff Kober, Henry Rollins, Julie Ariola, David Labrava, Cleo King, Kurt Sutter, Emilio Rivera
Duração: 45 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.