Crítica | Sons of Anarchy – 3ª Temporada

estrelas 3Não dá para ser sempre perfeito, apesar de que o seriado Breaking Bad quase chegou lá (ou realmente conseguiu). Infelizmente, essa terceira temporada de Sons of Anarchy foi preguiçosa e acabou perdendo pontos.

No final da temporada passada, enquanto os rapazes davam conta de Zobelle e seus capangas, Gemma estava determinada a dar um fim na história do seu estupro. Porém, sua vingança sai pela culatra quando ela é pega pela agente Stahl e envolvida numa chantagem. Sem ter alternativa, Gemma pede ajuda a Unser e foge da cidade. Mais uma vez, Stahl acaba prejudicando um membro inocente dos Samcro ao fazer falsas acusações. Por causa disso, Cameron o irlandês com quem negociavam as armas, acredita que Gemma é culpada pela morte de seu filho e sequestra o filho de Jax. Samcro chega perto o suficiente, mas o traficante consegue fugir com a criança, deixando Jax desolado.

Nessa temporada, começando exatamente do ponto onde a outra parou, vemos que Jax não está lidando bem com a situação e acaba descontando sua frustração em não saber onde Abel está em seu relacionamento com Tara. A médica por sua vez, está sofrendo bastante com o ocorrido e se sentindo culpada, o que piora ainda mais quando Jax decide terminar com tudo.

Com isso, o clube inteiro fica emocionalmente abalado e sofre um ataque direto, piorando e muito a reputação do Sons of Anarchy em Charming. Sem qualquer pista sobre o paradeiro de Abel, o clube precisa primeiro lidar com os problemas locais antes de tomar qualquer atitude em relação ao sequestro. Contudo, Jax não está em seu melhor juízo e toma decisões que podem acabar prejudicando seu clube, como se aliar a Stahl, que cada vez mais pressiona o rapaz para concluir o acordo. Sua mãe está bastante desconfiada e mesmo que o acordo a beneficie fará de tudo para que ele nunca aconteça.

Enquanto isso, Jax descobre que Cameron levou seu filho para Belfast, lar de outra parte do Sons of Anarchy, uma aliança criada por seu pai e que mantém os negócios de armas do clube até hoje. No entanto, as informações cruzadas farão com que o VP questione a lealdade de alguns membros e decida tirar ele mesmo a prova viajando até a Irlanda. Mais perto de Abel, Jax descobrirá alguns segredos enterrados do passado e precisará tomar sérias decisões para o bem da sua família e do clube.

Kurt Sutter foi um tanto preguiçoso nessa temporada, conduzindo-a de forma linear durante doze episódios para no último criar um pico de tensão e encerrar com eventos surpresas que fizessem com que o espectador esquecesse toda angústia que passou. Não funciona. Essa escolha mostrou apenas que ele preferiu focar em pequenas tramas, a concentrar em uma só, como fez anteriormente. A tentativa, ainda que válida, não teve o êxito esperado.

Dessa forma, personagens vistos como secundários, puderam ter mais destaque. Por exemplo, a relação entre Tara e Murphy, a Supervisora do Hospital cresceu exponencialmente, Lyla e Opie estreitaram o namoro, conhecemos o pai de Gemma e aprendemos mais sobre seu passado, o pacto de paz com os Mayans, todos são pontos interessantes, mas que no final, acrescentaram pouco à trama como um todo. No episódio 3, ainda dentro do arco do passado da Gemma, teve a participação especial de ninguém menos que Stephen King. O autor, com toda a esquisitice que lhe é peculiar, interpreta alguém contratado para limpar cenas de crime. Tem poucas falas e ponta ligeira. Entretanto, é a participação da atriz Ally Walker como a agente Stahl que dita o ritmo dessa temporada. Com sua personagem irritante e cegamente determinada, se torna a principal responsável por criar e comandar os obstáculos que Jax terá que enfrentar, deixando o espectador ainda mais angustiado, afinal, depois de tudo o que ela aprontou como podem confiar em qualquer coisa que ela diz?

A grande questão nessa temporada é reafirmar a irmandade existente entre os membros do Samcro apesar de tudo. Mesmo com todas as diferenças e ideais divergentes, eles se veem como uma grande família e que devem proteger os seus. O que não é em vão e serve como trunfo mais a frente quando for necessário testar a lealdade de alguns membros.

Espero que a quarta temporada seja bastante diferente e se iguale ao nível da segunda temporada, a melhor até agora na minha sincera opinião.

PS: Foi completamente desnecessário a morte de dois personagens principais nessa temporada. Ambos tinham muito ainda o que fazer pela trama.

Sons of Anarchy – 3ª Temporada (EUA – 2010)
Showrunner: Kurt Sutter
Roteiro: Kurt Sutter
Direção: Diversos
Elenco: Charlie Hunnam, Ron Pearlman, Katey Sagal, Mark Boone Junior, Kim Coates, Tommy Flanagan, Ryan Hurst, William Lucking, Theo Rossi, Maggie Siff, Ally Walker, McNally Sagal, Dayton Callie, Paula Malcomson, Michael Ornstein, Andy McPhee, Jose Pablo Cantillo, Zoe Boyle, Michael Beach, Kevin P. Kearns, Pamela Gray, Jamie McShane, Kenny Johnson, Titus Welliver, Winter Ave Zoli, Robin Weigert, David Labrava
Duração: 45 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.