Crítica | Space: Punisher (O Justiceiro no Espaço)

Tem sido cada vez mais comum a aplicação de conceitos extremos em quadrinhos mainstream da Marvel. Temos os Marvel ZombiesMarvel Apes, determinados personagens contra todo o universo de heróis (como a recente e malfadada tentativa de colocar Deadpool nesse papel), as séries End of Days e por aí vai. Tem vezes que o conceito é interessante e é mal executado e tem vezes que nem interessante é e algumas poucas vezes eles acertam em cheio.

Mas o fato é que essas aventuras meio que “sem pé nem cabeça”, fora da confusa e gigantesca continuidade normal da editora, permitiu uma maior diversidade de títulos que ousam mais, mostram mais e dizem mais. Podem não ser para todos os gostos, mas são, pelo menos, tentativas de sair da mesmice do “personagem importante morrerá, ou será revelado como gay, ou sofrerá alterações radicais ou reviverá ou ganhará novos poderes”, que é um padrão de todas as editoras grandes.

Space: Punisher, ainda não publicada no Brasil, é mais uma dessas séries, mas que funciona bem em quase todos os níveis. A razão principal para isso é que ela simplesmente não se leva a sério e permite que os leitores  tenham uma boa e descompromissada leitura, apesar da violência característica do personagem Justiceiro. Mas, se você está lendo a história de alguém armado com uma caveira desenhada no peito, você não pode esperar menos do que alguma violência, não é mesmo?

A minissérie, publicada em quatro números entre julho e outubro de 2012, é uma diversão só. Não é o Justiceiro que nós conhecemos jogado no espaço, mas sim um Justiceiro do espaço, em um universo Marvel espalhado pelas galáxias e não concentrado na Terra. Ele tem exatamente a mesma roupa a que nos acostumados (preta e branca, com uma enorme caveira no peito), com a única variação de usar um capacete espacial quando precisa. Afinal, para que mudar isso? Para tornar o personagem mais realista?

Além disso, Frank Castle pilota uma nave batizada de Marie, nome de sua esposa e que tem a voz de sua esposa e o trata como se assim fosse e um pequeno robô chamado Chip (em homenagem ao personagem Microchip da série da Terra 616), com feições de seu finado filho. Ele caça, por todo o universo, a organização criminosa Six-Fingered Hand (Mão de Seis Dedos), responsável pela morte de sua família e que, de tão secreta, é considerada uma lenda. Seus membros são os mais famosos vilões da galeria Marvel, dentre eles a Ninhada (misturada com o simbionte Venom), Dr. Octopus e Caveira Vermelha, todos, claro, sofrendo suas releituras galácticas.

No meio da investigação, Castle depara-se com outros célebres personagens Marvel, dentre eles o Hulk (que, nesse universo, tem quatro braços e vive pelado, o Líder, Rinoceronte e Deadpool). Quanto mais o herói se aprofunda no mistério da organização criminosa, maiores e mais importantes personagens Marvel são vistos ou, pelo menos, citados. Não tratarei de todos aqui, pois muitos são agradáveis e exageradas surpresas, especialmente os verdadeiros mandantes por detrás de tudo.

Acontece que o roteiro de Frank Tieri, que já escreveu uma variedade de heróis Marvel, é uma gostosura de se ler. Ele faz questão absoluta – e esse é todo o ponto da história – de homenagear os seriais espaciais clássicos, como Buck RogersFlash Gordon e séries como Perdidos no Espaço e Jornada nas Estrelas. Cada situação tem seu deus ex machina prontinho para desembaraçá-la e livrar a pele de Castle. Cada diálogo nos remete a tempos mais simples, em que a ficção científica não era muito mais do que situações absurdas com resoluções absurdas.

E o desenho de Mark Texeira reflete exatamente essa atmosfera. Cada quadro é pintado e não desenhado e com detalhes suficientes para passar a informação, não mais do que isso. O foco está nas feições de Castle e nas recriações de personagens clássicos. Não esperem alterações radicais, apenas mudanças eficientes e bonitas, como transformar o Dr. Octopus em meio homem, meio polvo. Às vezes, fazer o óbvio não é tão óbvio assim. E tudo, claro, remetendo ao estilo da ficção científica pulp dos anos 40 e 50.

Space: Punisher é uma divertida brincadeira da Marvel que, se os números de venda tiverem sido bons, poderá gerar uma infinidade de outras histórias – com ou sem o Justiceiro – nesse universo maluco.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.