Crítica | Spider-Gwen #1

estrelas 3

A recente série do Homem-Aranha, The Edge Of Spider Verse, provavelmente foi uma das mais comentadas da Marvel no ano passado. A série que reuniu heróis aracnídeos de diversas dimensões gerou frutos e ideias bem divertidas, originando então a recém lançada, Spider-Gwen. A série começa com o fim da saga Spider-Verse e se passa em uma realidade onde a famosa antiga namorada do aranha, Gwen Stacy, foi picada pela aranha radioativa, se tornou uma heroína chamada Mulher-Aranha e quem morreu sob sua responsabilidade foi Peter Parker.

A primeira edição deixa claro que a série não será transgressora, mas que pode ser um bom entretenimento. É interessante ver um universo do aranha bem diferente, onde papéis foram invertidos e Gwen se tornou a heroína perseguida pela polícia, que sofre com as mentiras de J.J. Jameson e ainda viu seu amado Peter Parker sucumbir. Além de outros pontos divertidos, como a personagem ser baterista de uma banda onde Mary Jane é vocalista, o grupo feminino de rock’n roll The MaryJanes. Mas tirando a figura feminina exaltada, a verdade é que a edição não mostra sinal de enredo inovador. Não há nada de diferente por trás da trama mostrada, onde a Spider-Woman se vê perseguida pela cidade como o clássico Homem-Aranha era. E outros momentos, como a luta entre a heroína e o abutre também provam isso. Uma sequência mais que batida, cansada de ser vista por quem já viu o aranha lutar contra o vilão (quem não cansou de ver o herói jogar teia nos olhos do abutre?).

A arte cartunesca de Robbi Rodriguez é eficiente e mostra o clima descompromissado da série. De tudo, seu maior mérito com certeza é o ótimo e diferente visual da heroína, que mesmo com o amplo número de spider versos, possui características próprias e passa longe do machismo (bem pelo contrário, deve agradar bastante até as leitoras). Um grande mérito da edição está nas cores de Rico Renzi, que com um visual bem colorido e técnico consegue ajudar bastante na história.

Apesar de alguns problemas, se trata de uma ideia bem legal, isso é inegável. Um dos exemplos de que a Marvel merece levar méritos por ter ideias quase impensáveis em alguns momentos. E a iniciativa recebeu retorno positivo, o que é importante e foi salientada em um texto ao final da edição, onde o editor Nick Lowe agradece ao público pela recepção da ideia. Várias artes foram feitas por fãs, bom nível de vendas para a primeira aparição da personagem (Edge Of Spider Verse #2) e até o hit fictício Face It, Tiger do The MaryJanes que virou realidade nas mãos da banda Married With A Sea Monsters. Nick tem razão, e por mais ressalvas que a série possa ter, é uma ideia que vale a pena.

No player abaixo você confere a música Face It Tiger do The MaryJanes, tocada pela banda texana Married With A Sea Monsters.

Spider-Gwen #1 (EUA – 2015)
Roteiro: Jason Latour
Arte: Robbi Rodriguez
Cores: Rico Renzi
Letras: VC’s Clayton Cowles
Data de publicação (EUA): 25 de fevereiro de 2015
Editora: Marvel Comics

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.