Crítica | Star Trek: Sem Fronteiras (Trilha Sonora Original)

estrelas 4

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Mesmo que J.J. Abrams tenha deixado a direção da Enterprise para comandar o novo voo da Millennium Falcon em O Despertar da Força, Michael Giacchino definitivamente retornaria para musicar Star Trek: Sem Fronteiras – para a decepção de quem esperava um Wiz Khalifa ou eletrônica japonesa no filme de Justin Lin. E já em sua terceira incursão na saga, não há muito de novo que Giacchino traga aqui, mas isso nem de longe representa uma trilha ruim; muito pelo contrário.

Logo nos primeiros minutos do longa, Giacchino oferece uma rendição melancólica e serena de seu vibrante tema principal com Thank Your Lucky Star Date, cujo piano nos coloca dentro da cabeça confusa e pensativa do capitão James T. Kirk, questionando a relevância de seu trabalho e a vastidão de um Universo sem fim. É um set up perfeito para a temática que se desenrola posteriormente. De forma similar, Night on Yorktown é eficiente ao analisar o drama de Spock com sua versão futura, logo partindo para uma apresentação alegre e milagrosa da base espacial de Yorktown, através de cordas serenas e um canto quase angelical. O som belíssimo da utopia e de um futuro realizado.

Já quando a aventura engata e temos a dose enlouquecedora de ação, é quando vemos Giacchino no ápice de seu talento. A começar com A Swarm Welcome, quando a orquestra toma um ritmo pesado e brutal para o ataque das naves de Krall à Enterprise, além de servir como tema para o novo vilão da vez. As cornetas e tambores seguem a típica percussão selvagem e animalesca que Giacchino costuma oferecer a seus trabalhos, com uma influência nítida no trabalho de John Williams.

A sequência do ataque progride ainda com Hitting the Saucer a Little Hard, onde temos mais da selvageria de Krall e cornetas que remetem muito ao clima da série original de 1966. Então, Giacchino nos leva àquele que definitivamente é o momento mais belo da trilha: ainda na mesma faixa, a queda da Enterprise rende uma peça completamente operática e trágica ao trazer um coral poderoso que retoma o tema de Enterprising Young Men. É algo realmente impactante e que deve ser lembrado como um dos pontos altos da passagem do compositor pela franquia.

Ainda no quesito de ação, Motorcycles on Relief acrescenta uma marcha divertida ao tema principal para uma das melhores cenas do filme, enquanto Crash Decisions aposta em uma percussão intensa e repleta de suspense para a perseguição de naves em Yorktown, com uma belíssima e heróica nova marcha.

Quanto aos dois novos personagens, Krall já teve seu brutal tema comentado acima, o que nos deixa agora com a guerreira Jaylah. Marcada em Jaylah DamageMocking Jaylah, Giacchino oferece um tema que ocasionalmente brinca com a confusão da personagem diante da tripulação da Enterprise, ao mesmo tempo em que traz instrumentos de sopro que remetem à temáticas indígenas e – mantendo o padrão – a já esperada selvageria que permeia grande parte da trilha principal.

No geral, é mais um ótimo trabalho de Michael Giacchino. Seu ritmo agitado e temas harmoniosos garantem toda a empolgação que Star Trek: Sem Fronteiras tem de sobra, e esperamos que agora Giacchino se fixe à franquia da mesma forma como John Williams fez com Star Wars.

Mas ainda que seja uma bela trilha, acho que todos podemos concordar que o maior mérito musical da produção deve ir aos Beastie Boys.

Star Trek Beyond: Music from the Motion Picture
Composto e conduzido por Michael Giacchino
Gravadora: Varèse Sarabande
Estilo: Trilha Sonora
Ano: 2016

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.