Crítica | Star Wars #15 a #19 e Anual #1 (Marvel, 2015 – )

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estrelas 3,5

Obs 1: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação e, aqui, o crossover A Queda de Vader.

Obs 2: Leiam, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Coruscant, Tatooine, Nar Shaddaa, Planeta inominado na Orla Exterior, espaço profundo, Prisão Mancha Solar
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Depois de focar essencialmente em Luke Skywalker nos dois primeiros arcos, a principal publicação da Marvel depois que retomou a propriedade da Dark Horse Comics volta sua mira para as mulheres, com um arco intitulado Prisão Rebelde (tradução livre do original Rebel Prison) que começa logo após os eventos do crossover A Queda de Vader. No entanto, antes do arco em si, há o Star Wars Anual #1 e Star Wars #15, que contam histórias independentes, com a primeira sendo particularmente importante depois para a compreensão do arco em si.

No primeiro Anual, escrito por Kieron Gillan, com carte de Angel Unzueta, somos apresentados a Eneb Ray, espião rebelde infiltrado no alto escalão do Império em Coruscant, sob o nome Tharius Demo. Ele recebe a missão da Princesa Leia de libertar senadores de uma prisão imperial, algo que ele relutantemente faz por temer perder seu disfarce, mas que depois abraça com entusiamo quando descobre que essa pode ser uma oportunidade de aniquilar o próprio Imperador, que, conforme descobre, visitará as instalações em breve. Obviamente, o simples fato de parte da missão ser “matar o Imperador” já entrega ao leitor o final: Eneb Ray falhará, claro. Mas o interessante, aqui, é ver a jornada do personagem, que se mostra um operativo valioso dos Rebeldes, capaz de enormes sacrifícios pela causa.

A história é auto-contida como é normal em anuais em quadrinhos, mas a introdução de Eneb Ray é importante para edições vindouras, além de Gillian contar uma avemtira que não é protagonizada pelos heróis clássicos da franquia. Aliás, nesse ponto vale comentar que, apesar de ter recomeçado a publicar Star Wars desde 2015, a Marvel Comics ainda não arriscou de verdade, abordando linhas temporais em passados ou futuros distantes, sem depender do que acontece entre os filmes lançados. Há muito material interessante criado pela editora nesse tempo, incluindo a Doutora Aphra e seus droides, Black Krrsantan e, agora, Eneb Ray, mas falta um passo além, falta largar o mais comum e soltar as rédeas completamente como a Dark Horse Comics fez, errando algumas vezes, claro, mas acertando outras tantas.

Star Wars #15 faz par com a a edição #7, contida no arco anterior e que estabelece um padrão: o passado de Obi-Wan Kenobi, a partir do diário achado por Luke em sua antiga casa em Tatooine, é aos poucos revelado na publicação, marcando o início de cada arco a partir do segundo. Com isso, Jason Aaron, de volta à revista que capitaneia desde o começo, aborda esse passado, agora com Luke adolescente, arriscando-se no Cânion Beggar com sua T-16 Skyhopper, apesar das ordens do Tio Lars em contrário. Obi-Wan Kenobi fica nas sombras, mas não resiste em ajudar o jovem, lidando com Tusken Raiders para conseguir peças dos Jaws para consertar a nave. É interessante ver o conflito e a distância que existe entre o que Lars e Kenobi querem de Luke, mas com Kenobi baixando a cabeça para os desejos de Lars de que ele fique permanentemente à distância, o que ajuda a justificar a figura de ermitão a que somos apresentados em Uma Nova Esperança. A arte, ao encargo de Mike Mayhew, é muito boa, dinâmica e detalhada, com rostos que se aproximam do fotorrealismo, mas sem que ele se fie nas versões cinematográficas dos personagens, o que cria todo um caráter próprio ao trabalho dele.

E, com isso, o arco Prisão Rebelde propriamente dito começa e é contado em quatro apertadas edições que, porém, poderiam ser ainda mais concisas. Quando a história tem início, a Doutora Aphra está sendo transportada como prisioneira para a prisão rebelde secreta Mancha Solar, localizada muito próximo ao calor de uma estrela. Leia e Sana Starros escoltam Aphra e a dinâmica das três é baseada em Leia mantendo sua moral inabalável, Sana querendo simplesmente matar Aphra e Aphra afirmando calmamente que fugirá da prisão. Isso funciona bem nas primeiras páginas, mas, depois, torna-se um artifício repetitivo e cansativo. Paralelamente e basicamente como uma alívio cômico, vemos Han e Luke tentando comprar suprimentos para os Rebeldes com dinheiro que Han faz o favor de perder em um jogo e que eles, então precisam recuperar.

As duas narrativas nunca se tocam de verdade, mas a de Han e Luke funciona bem para “quebrar” o passo da ação na prisão, permitindo elipses temporais bem eficientes graças aos desenhos bem claros e objetivos de Leinil Yu, que encabeça a arte, com finalização de Gerry Alanguilan. Dessa forma, apesar da repetição mencionada, a história anda bem, especialmente a partir do momento em que a prisão é invadida por um personagem em armadura (uma versão mais complexa da que Leia usaria em O Retorno de Jedi)  com um exército de droides assassinos). Mas, diferente do que podemos imaginar, seu propósito não é resgatar Aphra, mas sim matar todos os prisioneiros, o que somente serve como pretexto para o conflito entre Leia e Sana aumentar e Aphra passar a ser vista sob lentes mais, digamos, amigáveis o que, considerando tudo o que ela fez antes e que Leia sabe, não faz lá muito sentido.

De toda forma, a trinca funciona bem em ação, com um girl power bem bolado e natural que ganha bom desenvolvimento e uma dimensão que, espero, ganhe frutos adiante além da publicação spin-off dedicada à Aphra. Aliás, todo o arco em si é quase que uma narrativa introdutória para desmembramentos futuros ou, pelo menos, arcos futuros lidando com determinados aspectos que ficam em aberto. Se por um lado isso é bom, pois cria coesão, por outro torna mais difícil a Marvel ousar de verdade pelo menos dentro deste título.

Em seu conjunto, este terceiro arco de Star Wars continua o bom trabalho de Jason Aaron e mostra que há muito o que ser explorado nesse universo. E isso mesmo que o autor fique apenas “entre filmes”.

Star Wars #7 a #12 e Anual #1 (EUA, 2016)
Roteiro: Kieron Gillen (Anual), Jason Aaron (#15 a #19)
Arte: Angel Unzueta (Anual), Mike Mayhew (#15), Leinil Yu (#16 a #19)
Arte-final: Gerry Alanguilan (#16 a #19)
Cores: Paul Mounts (Anual), Mike Mayhew (#15), Sunny Gho (#16 a #19), Java Tartaglia (#19)
Letras: Joe Caramagna (Anual), Chris Eliopoulos (#15 a #19)
Data de publicação original: março a julho de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: a partir de março de 2017 (arco ainda em publicação na data da presente crítica – edição mensal)
Páginas: 22 (cada número), 33 (Anual)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.