Crítica | Star Wars #18 a 23 (Marvel – 1978/9)

estrelas 4

Obs: Leia tudo do nosso Especial Star Wars, aqui e todas as críticas dos quadrinhos clássicos Star Wars publicados pela Marvel a partir de 1977, aqui.

Espaço: Espaço profundo, Frota Imperial, A Roda (estação espacial)
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

Depois de uma hesitante Marvel Comics obter uma improvável licença gratuita da LucasFilm para publicar a versão em quadrinhos de Star Wars, a adaptação do primeiro filme provou-se um sucesso. E esse sucesso continuou nas edições seguintes que são as primeiras a efetivamente expandirem esse hoje tão vasto universo fictício. No entanto, as edições #7 a #17, que logo sucederam os eventos do filme, ainda era tímidas em lidar com o material em forma de arcos mais completos, no tamanho normalmente reconhecido pela indústria (seis edições). Ela eram originais, com certeza. Ousadas até, mas faltava algo mais coeso para dar o impulso que a publicação precisava.

E esse impulso veio no arco O Império Ataca (The Empire Strikes – impossível não concluir que o nome do número inicial do arco de alguma forma influenciou o nome do segundo capítulo da saga, não?), que, na verdade, deveria ter começado na edição #17 (que é um one-shot sobre Luke em Tattooine), já que havia sido anunciado na anterior. De toda forma, o arco, composto por seis edições, começa com Luke, Leia, Han e Chewie, além de C-3PO e R2-D2 na Millenium Falcon voltando de suas aventuras anteriores para Yavin-4. Sem explicações, Luke entra em coma e Han sai do hiperespaço incorretamente, o que os leva a uma nave particular mercadora completamente destruída depois de um aparente ataque da Aliança Rebelde.

O que começa de maneira mais ou menos simples, ganha contornos surpreendentemente complexos, com o Comandante Strom, do Império, por trás de um plano para lidar com os rebeldes e com A Roda, uma gigantesca estação espacial que funciona como uma espécie de Las Vegas com jurisdição própria, comandada pelo Senador Greyshade. Os dois homens, cada um com seu objetivo nefasto, entram em rota de colisão tendo os nossos heróis como partes de uma engrenagem abrangente e bem construída. O roteiro, que ficou integralmente ao encargo de Archie Goodwin, o verdadeiro responsável pelo sucesso de Star Wars nos quadrinhos logo em seu nascedouro, não perde tempo em separar Luke de Leia e os dois de Han e Chewie, além de colocar os droides em uma narrativa paralela interessantíssima que envolve Master.com, o droide servo de Greyshade que, de certa forma, aspira ser mais do que é.

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Além disso, ele ainda consegue, ainda que com menos constância, desenvolver paralelamente a caçada de Darth Vader aos rebeldes e fazer menções a Valance, o caçador de recompensas introduzido na edição #16 e que causaria problema aos rebeldes mais para a frente. Com isso, a narrativa mantém absolutamente tudo que foi introduzido antes em movimento constante, sem perder a oportunidade de apresentar novos personagens e novos obstáculos para os protagonistas como a arena de combate em gravidade zero da Roda, que coloca Han e Chewie lutando contra os mais variados alienígenas e, depois, um contra o outro.

Mas o que realmente merece destaque é a forma efetiva com que Goodwin desenvolve seus personagens. Ele não tem pressa e Strom, Greyshade e Master.com ganham camadas e mais camadas ao longo da narrativa, de forma que o leitor tenha a impressão, ao final, de conhecê-los há bastante tempo. Sua inserção nesse universo faz tão sentido como a de Luke, Han e companhia, sem que haja uma desconexão entre cada um dos grupos. E a abordagem do autor para Master.com é quase “asimoviana“, lidando com os preceitos morais do ser metálico ao ajudar Greyshade, mas compreendendo a injustiça da situação em relação aos Rebeldes.

A arte (lápis) ficou ao encargo de Carmine Infantino e seu estilo é o que talvez cause a maior “ruptura” em relação ao material fonte. Enquanto Goodwin se esmera em manter os princípios da criação de George Lucas vivo ao longo da história, Infantino tem menos preocupação com fidelidade e, livre dessas amarras, ele recria de seu jeito os personagens hoje clássicos. Acho, sinceramente, que não há meio termo aqui e é amar ou odiar o resultado final. Fico no primeiro grupo, pois gosto dos traços fortes e dos rostos marcados que Infantino desenha, além de droides “musculosos” que são bem diferentes do que estamos acostumados. Mas é também absolutamente válida a conclusão de que a arte é feia, deformada mesmo, especialmente no que se refere à Chewie, aqui muito mais para Pé Grande do que para aquele ser alto, mas esguio da Trilogia Original.

Ler as edições originais dos quadrinhos de Star Wars, que deram os primeiros passos para a criação do Universo Expandido, hoje injustamente apagado do cânone, é uma experiência fantástica e altamente recomendada. Era uma época mais simples, com nenhum ou quase nenhum controle por Lucas, o que permitia grandes liberdades aos criadores. Não foi à toa que as edições Marvel duraram por tanto tempo!

Star Wars #18 a 23 (Idem, EUA)
Roteiro: Archie Goodwin
Arte: Carmine Infantino
Arte final: Gene Day (#18 e #21), Bob Wiacek (#19, #20, #22 e #23)
Letras: Rick Parker (#18), Irving Watanabe (#19), John Costanza (#20, #21 e #23), Clem Robbins (#22)
Cores: Janice Cohen (#18), Carl Gafford (#19 e #23), George Roussos (#20 e #21), Bob Sharen (#22)
Consultoria editorial: Jim Shooter
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação original: dezembro de 1978 a maio de 1979
Editoras (no Brasil): Editora DeAgostini
Data de publicação no Brasil: maio e junho de 2014 (encardenados Comics Star Wars Clássicos #2 e #3)
Páginas: 18 (por edição)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.