Crítica | Star Wars #2 (Marvel – 2015)

estrelas 3,5

Espaço: Cymoon 1 (polo industrial coreliano)
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Se o leitor conseguir perdoar Jason Aaron por inventar que o primeiro duelo entre Luke Skywalker e Darth Vader se deu pouco após a primeira Estrela da Morte ser destruída, então, talvez, seja possível considerar que o roteirista encontrou seu caminho em seu trabalho no universo expandido Star Wars. E isso é bom, considerando-se, também, claro, que o leitor faça um esforço (eu sei que fiz) para sublimar a questão da troca “mágica” de roupas que aconteceu no número anterior.

Star Wars #2 capaÉ que o ritmo desse segundo número começa a se acertar. Luke, Han, Leia e Chewbacca ainda estão em Cymoon 1, um polo industrial coreliano usado pelo Império com centro de fabricação de armamentos, com a missão de destruir a fábrica. Luke, porém, encontrou escravos das mais variadas raças e isso acabou desviando o plano de sabotagem do caminho original. Mas a verdadeira (e proverbial) chave inglesa na engrenagem é a inesperada chegada de Vader no planeta, como um emissário do Império que viria negociar com Han Solo que se passava de agente de Jabba O Hutt.

O grande trunfo de Aaron é focar no vilão. E isso apesar de a outra publicação da Marvel nesse Universo ser um título dedicado a Vader. Vemos todo o poder e frieza do Lorde Sith não só no combate (breve, ainda bem) com Luke, como em sensacionais sequências de ação que envolvem até um AT-AT controlado por Han e Leia. Darth Vader mostra, nesse número, o começo da compreensão sobre que é o jovem rebelde que o ataca com um sabre de luz e o leitor efetivamente testemunha o escopo dos poderes dessa alma torturada.

Confesso que fiquei impressionado pelo trabalho de Aaron aqui, já que o primeiro número nem de longe alcançou as expectativas que um número inicial forçosamente deveria alcançar. Talvez minha impressão de que a Marvel A Força para controlar a mente de Aaron na publicação inaugural tenha, afinal de contas, fundamento. Lá, a familiaridade forçada com os personagens atropelou a narrativa. Agora, o autor começa a puxar as rédeas e a controlar seu trem, impedindo-o de descarrilar.

Na arte, não há qualquer solução de continuidade. John Cassaday continua impondo seus traços que são excelentes para desenhar a tecnologia “antiga” do Universo Star Wars, perdendo-se muito, porém, na tentativa de retratar os rostos dos heróis de maneira a aproximá-los de suas versões cinematográficas. Seu uso um tanto exagerado do que no cinema se chama “ângulo holandês” (em que vemos as imagens um pouco viradas ou na diagonal) continua no segundo número, mas a ação desenfreada anula um pouco dos efeitos inconvenientes que ficaram evidentes no primeiro número. Além disso, ele consegue aplicar o efeito de maneira lógica, ao trabalhar estruturas gigantescas (como o mencionado AT-AT) sem recorrer a splash pages.

Como o rumo começa a se acertar, passo a ter uma nova esperança (não resisti, he, he, he) com o Star Wars da Marvel. Resta saber se Aaron continuará assim.

Star Wars #2 (EUA, 2015)
Roteiro: Jason Aaron
Arte: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Letras: Chris Eliopoulos
Data de publicação original: 04 de fevereiro de 2015
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Páginas: 23

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.