Crítica | Star Wars #20 a #25: O Último Voo do Harbinger (Marvel, 2015 – )

estrelas 4,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação, aqui, o crossover A Queda de Vader e, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Tatooine, Lua Fantasma, órbita de planeta não informado, espaço profundo, órbita de Tureen VII, Reamma
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Existem histórias do Universo Expandido de Star Wars que são tão cinematográficas que, ao terminar de ler, me dá tristeza por elas serem HQs, o que diminui radicalmente a chance de um dia as vermos adaptadas para as telonas. Esse é o caso do quarto arco da revista principal da linha Star Wars da Marvel Comics a partir de 2015: O Último Voo do Harbinger (tradução livre de The Last Flight of the Harbinger).

A história é simplíssima, mas é daí que vem sua eficiência. Os Rebeldes, liderados por Luke, Leia e Han, estão em uma missão suicida para ajudar Tureen VII, um planeta simpatizante da Aliança que está sendo sitiado pelo Império. Não entrarei em detalhes sobre a missão em si, pois é parte da graça descobrir exatamente qual é e como ela é executada, mas confiem em mim quando digo que é completamente louca e muito bem bolada, mas ela funciona como catalisador para ótimas interações entre os conhecidos personagens, especialmente Leia e Han, sempre se bicando e, também, para uma pancadaria excitante que introduz um grupo novo de Stormtroopers.

Esse grupo de elite, que se chama Special Commando Advanced Recon, ou SCAR Troopers (nome técnico: Força Tarefa 99), colocaria medo até nos ameaçadores Death Troopers do Diretor Krennic, de Rogue One. Liderado pelo Sargento Kreel, o espião imperial que vimos infiltrado como Gamemaster no covil de Grakkus, o Hut, no arco Confronto na Lua dos Contrabandistas, o grupo é formado por Stormtroopers com armaduras customizadas e especializadas (essas aí da imagem principal da crítica) feitas para aguçar o consumismo dos fãs de Star Wars, mas que são realmente espetaculares. Se o leitor já achou Kreel badass antes, ele simplesmente não viu nada sobre o personagem antes de conhecer o que ele faz nesse arco. Aliás, Jason Aaron é muito feliz ao iniciar a história com uma edição (a #21) quase que completamente apartada da história maior, confeccionada para nos apresentar com propriedade ao grupo em uma perseguição a rebeldes na Lua Fantasma. Somente esse número daria um magnífico curta-metragem ou capítulo de uma série como Star Wars Rebels, e funciona como uma excelente introdução à máquina de matar rebeldes que é Kreel e seus subalternos.

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Na edição seguinte (#22) é que Aaron entra no tal enlouquecido plano dos Rebeldes, dedicando também uma edição inteira a ele, o que equilibra as duas pontas narrativas. A convergência começa mesmo só na edição #23, ainda que o autor siga de leve uma estrutura que nos lembra a tomada da Nostromo por seu oitavo passageiro, mas pegando leve no lado que lida com os Rebeldes protagonistas, aí criando a atmosfera divertida e jocosa entre Han e Leia e entre Sana e Luke. A grande verdade é que os SCAR Troopers são tão cool que chega a ser difícil torcer que eles percam a luta e Jason Aaron parece saber disso, pois eles faz bom uso das habilidades especiais de cada um, dificultando a vida dos heróis.

Como mencionei, não se trata de uma história complexa ou que tenha pretensões maiores do que apenas divertir. Mas ela é bem trabalhada, com diálogos esparsos, mas que não traem as naturezas dos grupos e com um desfecho – com direito a cliffhanger, claro – bastante satisfatório. É, como disse, material perfeito para virar um filme do universo Star Wars sobre o mesmo selo que Rogue One foi feito. O que vale destaque mesmo é a arte de Jorge Molina que empresta seus traços levemente caricatos (mas bem levemente mesmo) para rostos e expressões corporais aos personagens e demonstra uma grande capacidade de lidar com sequências de ação tanto em pequena quanto larga escala, no espaço ou não. Seu trabalho criativo com os SCAR Troopers também merece comenda, assim como seu trabalho de transição de quadros e splash pages (algumas duplas).

Antes do arco começar, porém, há uma história de Obi-Wan Kenobi em seu tempo de exílio em Tatooine, retirado de seu diário achado por Luke. E, combinando com a pegada de ação do arco principal, Aaron faz a melhor história até agora nesse estilo com o personagem, em que ele enfrenta o Wookiee de pelos negros e caçador de recompensas Black Krrsantan, contratado por Jabba para exterminar o (não tão) velho Jedi. Já vemos um Obi-Wan fora de forma e hesitante em usar seu sabre de luz (pois é praticamente uma bandeira de que há um Jedi no planeta) e a pancadaria ganha peso e urgência com isso, ainda que saibamos que nada acontecerá com ele ou mesmo com Owen Lars, que é usado pelo Wookiee como isca. Há uma participação de Luke ainda jovem, mostrando suas habilidades como piloto mais uma vez e o que parece ser um bom encerramento para esse mini-arco com o Mestre Jedi.

Ah, ao final da edição #25, há uma história escrita e desenhada por Chris Eliopoulos e Jordie Bellaire tendo R2-D2 como protagonista em homenagem a Kenny Baker, o homem dentro do pequeno droide que morrera logo antes. É um bônus simpático que não nos deixa esquecer da pessoa que deu vida a R2.

Star Wars #20 a #25 (EUA, 2016/7)
Roteiro: Jason Aaron, Chris Eliopoulos (história secundária no #25)
Arte: Mike Mayhew (#20), Jorge Molina (#21 a #25), Jordie Bellaire (história secundária no #25)
Cores: Mike Mayhew (#20), Matt Milla
Letras: Chris Eliopoulos (#20, #21 e #23), Joe Caramagna (#22, #24 e #25)
Data de publicação original: agosto de 2016 a janeiro de 2017
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: arco ainda não publicado no país na data da presente crítica
Páginas: 22 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.