Crítica | Star Wars #26 a #30: A Guerra Secreta de Yoda (Marvel, 2015 – )

Obs: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação, aqui, o crossover A Queda de Vader e, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Destroyer Devastador em órbita não divulgada, Frota Rebelde em localização não divulgada, planeta não divulgado (em flashback), planeta não mapeado (em flashback), Tatooine (em flashback)
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY); Velha República – antes de 32 d.BY, em alguma época anterior aos eventos do Episódio I (em flashback),

Depois do ótimo arco O Último Voo do Harbinger, em que fomos apresentados aos membros do Special Commando Advanced Recon, ou SCAR Troopers, tropa de elite com armaduras especializadas, Jason Aaron resolver dar um tempo na continuidade normal do título principal das publicações de Star Wars pela Marvel Comics, mergulhando em uma história quase que integralmente passada alguns anos antes de A Ameaça Fantasma, tendo Yoda como protagonista. Confesso que um desvio tão grande assim deveria ser alvo de uma minissérie separada ou até mesmo de uma nova publicação da editor neste universo, mas, infelizmente, A Guerra Secreta de Yoda interrompe quase que completamente a narrativa anterior, que acaba em um cliffhanger, com C-3P0 capturado pelos Troopers.

E é assim que o novo arco começa, dando esperança que a tal Guerra Secreta de Yoda não seja muito mais do que uma história paralela. Muito ao contrário, porém, quando vemos a tropa de elite imperial desapontada com a qualidade das informações passadas pelo androide e pensando o que fazer com ele, descobrimos que, do lado dos rebeldes, apenas Luke cogita montar uma operação de resgate. Em meio a desavenças com Han Solo, R2-D2, pilotando sozinho um caça X-Wing decide salvar seu amigo dourado e Luke não perde tempo em tentar trazer o astromech azul de volta, somente para ficar perdido no espaço quando R2 desabilita seu motor de dobra. Sem muito o que fazer enquanto seu próprio astromech tenta consertar sua nave, Luke, mais uma vez, pega o diário de Ben Kenobi, que ele achara no primeiro arco da série na agora destruída moradia do antigo Mestre Jedi, e lê uma história contada de segunda mão por Ben, sobre uma misteriosa aventura de Yoda em um planeta não nomeado.

Lá, ele encontra uma tribo de crianças oprimidas por uma guerra com um inimigo misterioso ao sopé de uma montanha de pedras azuis brilhantes ainda mais misteriosa. Claro que o bom velhinho verde, menosprezado por todos em razão de seu diminuto tamanho, arregaça as mangas de seu quimono Jedi e trata de entender o que está acontecendo ali, deparando-se com o “poder das pedras” que em muito é equivalente à Força. Basicamente, Jason Aaron tenta criar uma versão auto-contida e bizarra da eterna luta entre o lado negro e o lado da luz, em meio a uma narrativa que ameaça lidar com questões mais complexas que William Golding aborda magistralmente em O Senhor das Moscas, mas que falha em alcançar esse resultado.

O texto é repetitivo e cansativo, além de desnecessariamente explicado em detalhes. Nada fica para dúvidas ou para suposições. O didatismo de Aaron, algo comum para o roteirista, vale dizer, fica muito saliente aqui em razão da pouca originalidade da história e das quebras narrativas com “voltas” ao presente e também a outro momento no passado que servem apenas para estender a história ao máximo. Sim, o autor procura fazer uma ponte forçada com os futuros eventos de O Império Contra-Ataca, mas é quase que um artifício para levar os leitores a darem mais relevância à história do que ela merece, pois não há nada nela que, dentro do arco, apresente algum frescor ou mesmo um mínimo de senso de perigo. A ameaça é difusa e a presença de Yoda é fungível, podendo ser substituída por praticamente qualquer manipulador da Força em seu nível.

A arte de Salvador Larroca, responsável por todos os desenhos do primeiro título solo de Darth Vader na retomada da franquia pela Marvel, é o ponto alto do arco, com belíssimos traços lidando com a natureza primitiva do planeta para aonde Yoda vai, assim como as tribos de crianças que ele encontra. Infelizmente, porém, não há muito o que ele fazer aqui, já que a repetição do roteiro afeta os caminhos que ele pode tomar, deixando o artista preso a um ritmo cansativo que ele não consegue quebrar completamente.

Que fique claro, porém: não é uma história ruim, exatamente. A Guerra Secreta de Yoda, em sua simplicidade, é razoável, mas, por outro lado, é também o proverbial balde de água fria se considerarmos os consistentes arcos anteriores dessa série. Uma história pouco inspirada e marretada em meio a uma narrativa macro que estava muito boa e que não havia tido uma resolução completa. Definitivamente, essa poderia ter sido uma guerra que poderia ter continuado secreta…

Star Wars #26 a #30: A Guerra Secreta de Yoda // Yoda’s Secret War (EUA, 2017)
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Salvador Larroca
Cores: Edgar Delgado
Letras: Chris Eliopoulos (#26), Clayton Cowles (demais edições)
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Data de publicação original: fevereiro a junho de 2017
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: primeira edição do arco publicada em dezembro de 2017
Páginas: 22 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.