Crítica | Star Wars #3 a #6 (Marvel – 2015)

estrelas 4

Espaço: Cymoon 1 (polo industrial coreliano), Tatooine, Frota Rebelde, Espaço profundo, planeta inominado na Nebulosa de Monsua
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Obs: Leiam as críticas dos dois primeiros números de Star Wars, nos links abaixo:

Star Wars #1

Star Wars #2

O primeiro volume da publicação canônica principal da Marvel a partir de 2015, quando retomou a licença da Dark Horse Comics, encerra-se com o sexto número de Star Wars. Nos EUA, ele ganhou o título Skywalker Strikes (Skywalker Ataca, em tradução livre). É importante lembrar que todas as HQs do Universo Estendido de Star Wars, mesmo aquelas publicadas originalmente pela Marvel a partir da década de 70, foram apagadas da continuidade oficial da franquia e apenas aquelas publicadas a partir de janeiro de 2015 é que são, agora, canônicas. As vantagens disso é facilitar que novos leitores comecem a ler as histórias sem precisarem de conhecimento anterior além dos próprios filmes e, também, para a própria editora sentir-se livre para criar o que quiser, sem precisar voltar no tempo para evitar contradições. Além disso, arruma-se a casa para os vindouros novos filmes da saga, agora sob o selo da Disney.

Nos dois primeiros números (vide críticas detalhadas nos links acima), vemos o início do ataque rebelde (liderado por Luke, Leia, Han e Chewbacca) à fábrica de armamentos do Império em Cymoon-1, alguns meses após a vitória que é vista em Uma Nova Esperança. Lá, eles enfrentam ninguém menos do que Darth Vader que não só está atrás dos rebeldes, mas especialmente do piloto de X-Wing que, sozinho, conseguiu explodir a Estrela da Morte. No segundo número, a operação continua, mas Darth  Vader e seus Stormtroopers criam enormes dificuldades para os rebeldes que, ainda por cima, decidem libertar alguns escravos utilizados pelo Império.

O terceiro número da série encerra o mini-arco da invasão a Cymooon-1 e não só reitera a valentia de Luke Skywalker, em situação que o coloca em ação de maneira semelhante ao ataque à Estrela da Morte, como pela primeira vez mostra o verdadeiro grau de habilidade de Vader com o sabre de luz, já que o Lorde Sith, sozinho e sem usar a Força (e ele usou, para sensacionais efeitos, no #2)  um AT-AT pilotado por Han Solo e Leia Organa. Como ele próprio diria: “Impressionante. Muito impressionante.”

Com isso, Jason Aaron estabelece firmemente seu próprio cânone, não se esquivando de abraçar todo o poder do “lado negro da Força” (e não, não uso Lado Sombrio e que os vigilantes do Politicamente Correto que tenham ataques…). A narrativa ganha contornos interessantes aqui, com a obsessão de Vader em achar e capturar o tal piloto de X-Wing que ele ainda não tem certeza ser um Skywalker.

No número seguinte, a narrativa de Aaron começa a fazer um leve crossover com a segunda mais importante publicação da Marvel no universo Star Wars, batizada simplesmente de Star Wars: Darth Vader, escrita por Kieron Gillen. Lá, como aqui, vemos Vader lidar com Jabba, o Hut em Tattoine e começar a traçar planos próprios para a captura de Luke Skywalker, planos esses que não necessariamente estão em linha com os anseios do Imperador. É muito interessante ver o Lord Sith interagir diretamente com Jabba, que, como era de se esperar, não se amedronta com a imponente presença do segundo-em-comando do Império.

Do lado rebelde, Luke não se conforma por não ser ainda um Jedi e parte em uma busca própria pelo seu passado, o que o separa de seus amigos, mas o levaria a cruzar caminhos com um certo caçador de recompensas. Há também um mistério que é trabalhado por Aaron de maneira muito inteligente e criativa, homenageando a famosa sequência em que “Han atira primeiro”. Nele, vemos uma figura feminina mascarada em Mos Eisley lidando com quatro rodianos (a mesma raça de Greedo, para quem não conhece), já que eles descobrem que ela está oferecendo recompensa para quem souber do paradeiro de Han Solo, o que expande a narrativa significativamente.

Aaron dedica o quinto número quase que integralmente à caçada de Boba Fett, contratado por Darth Vader por intermédio de Jabba, a Luke Skywalker. O caçador de recompensas mais adorados dos fãs de Star Wars é trabalhado com respeito pelo autor que, diferentemente do próprio George Lucas, empresta habilidade e crueldade ao personagem. Essa caçada o faz achar Luke na antiga casa de Obi-Wan Kenobi e, de maneira a não “quebrar o cânone” estabelecido pelos filmes, Luke enfrenta Boba sem sua visão, em uma luta potente e prolongada que continua pelo sexto e último número. Enquanto isso, Leia e Han partem em uma missão para os rebeldes pilotando uma nave imperial de maneira a facilitar a procura de uma nova base. A ação culmina com os dois pousando em um planeta-paraíso que Han conhece somente para, então, termos uma interessante revelação sobre seu passado, de funciona de cliffhanger para o volume 2.

É perfeitamente possível ver o que Jason Aaron fez aqui. Tendo unicamente a Trilogia Original e a Trilogia Prelúdio (ele usa um elemento desta trilogia para grande efeito em Star Wars #5) como fontes criativas, o autor, apesar de ter começado de forma pequena e pouco ousada, foi aos poucos abrindo o leque de possibilidades e elevando o nível de seu trabalho, ao ponto de abrir diversas frentes perfeitamente exploráveis mais para frente. Claro que a caçada a Luke é o foco, mas ao também abrir a Caixa de Pandora sobre o passado de Han Solo, a história ganha estofo e afeta Leia indiretamente (ela ganhou uma minissérie limitada própria passada também no mesmo período). Vê-se que o objetivo, aqui, é restabelecer, recriar a mitologia que tanto a Marvel e a Dark Horse passaram anos ampliando. Não é um trabalho fácil, pois há séries absolutamente sensacionais que lidam com os heróis e vilões da franquia em detalhes, mas com certeza o trabalho de Aaron é sólido e mostra um plano-mestre único em movimento.

No quesito arte, John Cassaday vai melhorando aos poucos o trabalho inicial. Seus traços para desenhar tecnologia são perfeitos, mas ele perde relevo ao retratar humanos em geral, especialmente quando tenta emprestar fisionomias parecidas às dos atores originais. No entanto, suas sequencias de ação são muito bem distribuídas no espaço das páginas e isso fica evidente na luta furiosa entre Luke e Fett na casa do velho Ben. Ele sabe manejar os quadros, sem depender sempre de splash pages, mas, quando elas vêm, seu efeito é máximo, quando a sensacional tomada vista de baixo com Luke e Boba Fett em posição de ataque.

O primeiro volume da série principal da retomada em quadrinhos de Star Wars merece ser avidamente lido pelo fãs. Há futuro no trabalho de Aaron e Cassaday e nenhum fã que se preze pode ficar por fora dessas aventuras.

Star Wars #3 a #6 (EUA, 2015)
Roteiro: Jason Aaron
Arte: John Cassaday
Cores: Laura Martin
Letras: Chris Eliopoulos
Data de publicação original: 11 de março, 22 de abril, 20 de maio e 03 de junho de 2015
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (em andamento – publicado até Star Wars #2 quando da confecção e publicação da presente crítica)
Páginas: 22 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.