Crítica | Star Wars #39 a 44: O Império Contra-Ataca (Marvel – 1980)

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estrelas 5,0

Espaço: Hoth, Dagobah, cinturão de asteroides perto de Hoth, Bespin (Cloud City), Frota Galáctica (espaço profundo), Frota Rebelde (espaço profundo)
Tempo: A Rebelião – Três anos após a Batalha de Yavin (3 d.BY)

O sucesso da adaptação de Guerra nas Estrelas pela Marvel em 1997 levou à continuidade da série mensal em quadrinhos pelos três anos seguintes, fazendo a ponte entre o primeiro e segundo filmes. Em 1980, a partir do mês seguinte do lançamento de O Império Contra-Ataca nos cinemas americanos (apesar do mês de capa ser setembro, o primeiro número chegou às lojas em junho), a Marvel publicou, em seis números, a adaptação da continuação, assim como havia feito com o original. E o interessante é que, no lugar de fazer o óbvio, que seria lançar uma publicação em separado dedicada a Império, a editora simplesmente continuou a numeração normal de sua publicação dando a perfeita impressão de unicidade à saga de George Lucas.

E, novamente, o trabalho da Marvel foi impecável. Na verdade, mais impecável ainda que três anos antes, pois, em 1980, a franquia Star Wars estava consolidada nos quadrinhos e Archie Goodwin, que começou como consultor, era o roteirista há algum tempo, com um time artístico mais fixo, sob a batuta geral de Jim Shooter, o editor-chefe. Com isso, diferentemente da primeira adaptação, não houve oscilação de qualidade entre os números, elemento que me impediu de dar a nota máxima em minha crítica. Com a manutenção da mesma equipe do começo ao fim, apenas contra a troca de Jim Novak, nas letras, por Rick Veitch, o resultado é coeso, bem cadenciado e agradabilíssimo de ler.

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As capas das seis edições originais.

Mesmo para aqueles que, como eu, já assistiram Império incontáveis vezes, a adaptação da Marvel traz elementos novos suficientes para aguçar a curiosidade, já que, exatamente como aconteceu na primeira adaptação, Archie Goodwin trabalhou em cima de um roteiro que não foi exatamente o final (o shooting script). Assim, há leves e curiosas diferenças entre o que vemos nas telas e o que lemos nas páginas do trabalho desse fantástico autor de quadrinhos. O que mais chama a atenção, logo no início, é uma pequena sub-trama lidando com um ataque de Wampas (aquela criatura branca que, logo no começo do filme, captura Luke durante sua patrulha em Hoth) à base rebelde. Eles literalmente invadem a base, sendo derrotados pelos soldados rebeldes depois de algum esforço. Não é nada muito desenvolvido, mas não deixa de ser algo peculiar que não foi usado no filme pois exigiria um trabalho de criaturas que nem mesmo para o ataque a Luke a Lucasfilm fez (quem está acostumado com a Edição Especial, lembre-se que, no original, somente o braço e a sombra do Wampa aparecem). O mesmo vale para os momentos Luke-Leia, que ganham cores, digamos, mais fortes, enfatizando um amor não fraternal entre eles.

Há outras modificações ainda, algumas cosméticas, como o desenho de Yoda. Como a aparência do mestre Jedi era algo guardado a sete chaves, o trabalho da Marvel se baseou nas descrições do roteiro e em artes conceituais mais antigas. Com isso, o Yoda originalmente publicado era bem mais grotesco que o Yoda do filme, mas esse aspecto foi alterado em republicações posteriores da revista que harmonizaram o visual da sábia criatura verde. Alguns diálogos também mudaram – como o famoso “Eu te amo.” de Leia para Han, que responde com “Eu sei.” – já que durante as filmagens diversas alterações foram feitas e outros foram condensados por Goodwin, de maneira a permitir que absolutamente tudo que vemos nas telas fosse transplantado para os quadrinhos, mas sem atravancar a narrativa fluida.

mosaico yoda

(1) Yoda original dos quadrinhos; (2) Yoda nas republicações.

Mas, mesmo que ignoremos as alterações, ainda há muito o que apreciar. Hoje em dia, adaptações em quadrinhos de obras cinematográficas costumam deixar a desejar. A única exceção recente que consigo lembrar é a de Django Livre, pela Vertigo. Todo o resto é burocrático, apressado e não acrescenta em nada ao material fonte. Isso de forma alguma acontece com o trabalho de Archie Goodwin, Al Williamson e Carlos Garzón, os dois últimos na arte. Vê-se uma obra rica, cuidadosa e que, respeitando o original, tem brilho próprio tanto no detalhamento de quadros quanto no roteiro e, também, no desenho dos personagens que mantêm as feições originais dos atores (algo que costuma ser um perigo), mas com o cuidado de não ficar tão próximo assim que pareça um exagero.

Há, confesso, uma certa economia de splash pages que poderiam muito bem funcionar em momentos cruciais como, por exemplo, na revelação da paternidade de Luke. Essas páginas ficam reservadas, apenas, às aberturas de cada número e a outras três ou quatro no total que, apesar de bonitas, são usadas em momentos menos relevantes. No entanto, é o estilo de uma época e não há muito o que fazer. O trabalho artístico detalhado em Hoth, Dagobah (reparem especialmente a árvore do Lado Negro da Força) e Cloud City, assim como o comando dos quadro por parte de Williamson e Garzón, que permitem uma leitura fácil e excitante, compensam a ausência das splash pages.

A adaptação em quadrinhos de O Império Contra-Ataca ainda é a adaptação definitiva desse filme e uma das melhores adaptações de filmes em quadrinhos já feitas. Faltar nas estantes dos fãs não pode!

Star Wars #39 a 44 (EUA, 1980)
Roteiro: Archie Goodwin
Arte: Al Williamson, Carlos Garzón
Arte final: Al Williamson, Carlos Garzón
Letras: Jim Novak (#39), Rick Veitch (#40 a 44)
Cores: Glynis Wein
Data de publicação original: setembro de 1980 a fevereiro de 1981
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editoras (no Brasil): Editora Bloch, Editora Abril e DeAgostini
Páginas: 115

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.