Crítica | Star Wars #7 a #12 (Marvel – 2015/6)

estrelas 3,5

Obs 1: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação.

Obs 2: Leiam, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Tatooine, Planeta inominado na Orla Exterior, Espaço profundo, Nar Shaddaa (Lua dos Contrabandistas), Frota Rebelde
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Depois de um primeiro arco que culminou com a recuperação, por Luke Skywalker, do diário de Obi-Wan Kenobi em sua casa em Tatooine, depois de uma luta às cegas com Boba Fett e antes de Darth Vader detonar o lugar em sua série própria, Jason Aaron nos traz um momento para respirar e voltar para o passado. E é uma espécie de flashback muito bem vindo e perfeitamente estruturado dentro da narrativa.

Abrindo o diário, Luke tem a oportunidade de ler o que aconteceu com Obi-Wan logo depois que ele o entregou ainda bebê para Owen e Beru Lars. Encapsulado entre momentos no presente, Aaron mergulha por um número nesse momento específico na vida de Obi-Wan tentando explicar o porquê de sua decisão de se tornar um ermitão do deserto e ter pouco contato com Luke, mesmo mantendo-se ao longe como seu guardião e protetor. É bem verdade que a história não acrescenta muito em termos de progressão narrativa, mas dá sabor e profundidade à curta relação dois dois enquanto o Mestre Jedi ainda era vivo, entrelaçando a futura visão de seu espírito que sabemos que Luke terá pelo menos em O Império Contra-Ataca, senão antes.

Com arte de Simone Bianchi, a história ganha um tom épico, mas algo triste, mas que combinam bem com a atmosfera que o roteiro tenta imprimir. A melancolia está no ar. Sabemos da dura escolha de Obi-Wan Kenobi e, agora, vemos os detalhes de tudo o que ele deixou para trás, permanecendo com apenas uma missão incerta em mente. Trata-se de um momento na mitologia que é pouco explorado e que poderia render outras boas histórias.

Feito o interlúdio na edição #7, Aaron parte, então, para o segundo arco da série principal do novo universo canônico em quadrinhos de Star Wars, intitulado Confronto na Lua dos Contrabandistas. Nele, os dois grupos formados ao fim do arco anterior são abordados primeiro separadamente, somente para que eles, juntamente com o terceiro vértice do inevitável triângulo, encontrem-se ao final.

O primeiro grupo, formado por Leia e Han Solo, é, também o menos interessante, apesar do grande cliffhanger ao final da edição #6 que nos apresenta à Sana Solo, esposa de  Han. Mas será que ela é mesmo esposa? Essa pergunta e suas respostas truncadas, muito diferente de serem divertidas, pesam desnecessariamente na história contada, com muita repetição, muitas piadinhas fora do lugar e uma nova personagem desinteressante e que, pelo menos nesse arco, fica bem longe de mostrar a que veio. Ainda que a interação conflituosa inicial, mesmo carregada de clichês, funcione, ela logo perde a força e, quando chegamos ao ápice da ação, o triângulo amoroso formado fica em segundo plano na mente do leitor.

Mas talvez seja porque a história de Luke, tentando reconstruir seu passado, resulta em algo muito mais interessante.

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Desejando visitar o Templo Jedi em Coruscant, Skywalker voa para Nar Shaddaa, apelidada de Lua dos Contrabandistas, para conseguir alguma maneira ilegal de penetrar no coração do Império. A ingenuidade do jovem fazendeiro que quase que por acaso destruíra a Estrela da Morte toma o centro do palco e, não demora, ele é atacado pelos bandidos locais (ou será que eu deveria escrever só “locais”, considerando que Nar Shaddaa é um “antro miserável de escória e vilania”?) que cobiçam seu sabre de luz. A pancadaria e perseguição que se seguem acabam deixando-o às portas de Grakkus, o Hutt, que tem como hobby colecionar relíquias dos Jedi e Luke é sua mais nova, digamos, aquisição.

É interessante ver como Aaron tenta amarrar a mitologia dos Jedi na história e como ele insere elementos importantes que viriam futuramente a ser usados por Luke e seus amigos nos filmes da saga. Mas o mais importante elemento é o reconhecimento de que Luke não tem treinamento algum e, com isso, ainda que de forma apressada e pouco desenvolvida, Aaron tenta mostrar que não seria só em Dagobah que Luke começaria a caminhar o caminho da Força. Ele é treinado para lutar na arena de Grakkus de forma que ele consiga sobreviver por pelo menos algum tempo, o que já começa a incutir a ideia de que seu manejo do sabre de luz vem de bem antes de O Império Contra-Ataca. Seria interessante ver essa linha narrativa continuar em vindouros números.

De toda maneira, quando a ação converge para um ponto só – a arena de Grakkus – todos os heróis estão reunidos e a história, então, flui facilmente em conjunto, com a subtrama envolvendo Sana e Han perdendo o vigor e o destaque e com o surgimento de um potencial novo inimigo na caçada de Vader por Luke. Aaron sabe manobrar bem os meandros narrativos e consegue se desvencilhar bem das restrições impostas pelo simples fato que sabemos o que pode ou não pode acontecer em razão do momento em que a história acontece, mesmo que ele se recusa a entrar em linhas narrativas completamente sem relação com a história principal, como a própria Marvel cansou de fazer na primeira publicação regular da série lá pelos idos de 1977.

A arte, que ficou ao encargo de Stuart Immonen no arco principal e que vem substituir John Cassaday, que desenhou o primeiro arco, é muito eficiente em trazer à vida os personagens antigos de forma respeitosa e também ao criar outros, inéditos ainda. Grakkus é particularmente interessante, com suas “perninhas” mecânicas que lembram as de Mojo (aquele vilão dos X-Men…). É ótimo ver, também, como ele funde visualmente elementos da Trilogia Prelúdio (por mais que eu a odeie, como ela “ainda” não foi descanonizada, tenho que admirar a tentativa de se manter uma continuidade, ainda que ver um membro da raça Gungan tenha me dado um arrepio na espinha…) sem parecer forçado ou fora de contexto.

Star Wars tem um interessante futuro – ou seria passado? – nos quadrinhos nesse revival pela Marvel, especialmente se continuar o caminho traçado até aqui, sem se esquecer de voltar para o passado de vez em quando para examinar o exílio de Obi-Wan Kenobi. Ver Luke, Han, Leia, Chewie e os androides ainda no começo de suas respectivas “carreiras” como rebeldes é sempre um grande prazer!

Star Wars #7 a #12 (EUA, 2015/6)
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Simone Bianchi (#7), Stuart Immonen (#8 a #12)
Arte-final: Wade von Grawbadger (#8 a #12)
Cores: Justin Ponsor
Letras: Chris Eliopoulos
Data de publicação original: setembro de 2015 a janeiro de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: maio a outubro de 2016 (Star Wars #7 a #12)
Páginas: 22 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.