Crítica | Star Wars #7 a 17 (Marvel – 1978)

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O gigantesco sucesso da adaptação em quadrinhos de Guerra nas Estrelas feita pela Marvel, em seis edições ao longo de 1977, em uma aposta sem precedentes da Lucasfilm, que licenciou gratuitamente os direitos, levou à continuidade da série de onde ela parou. A série em quadrinhos continuaria sob a batuta de Roy Thomas, tanto no roteiro como na edição, mas Archie Goodwin também permaneceria à bordo como editor-consultor até, em seguida, passar ao comando dos trabalhos.

A presente crítica será dividida em quatro partes. As duas primeiras lidando, cada uma, com arcos que ao mesmo tempo são separados e conectados e, as duas seguintes, com histórias isoladas (#16 e #17) que funcionaram, respectivamente, como introdução a um personagem que seria reintroduzido mais tarde e uma história em flashback com Luke Skywalker, antes que um novo arco propriamente dito, a partir do #18, começasse.

Star Wars #7 a 10

estrelas 3

Espaço: Yavin-4 (base rebelde), espaço profundo, Aduba-3, planeta sem nome no sistema Drexel (órbita)
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

Esse primeiro arco após os eventos da Batalha de Yavin começa com Han Solo se despedindo de seus amigos para pagar sua dívida com Jabba, o Hutt, já que sua cabeça está à prêmio. Agora, o malandro espacial deseja ficar com seus amigos, mas não pode e, com o dinheiro da Aliança Rebelde, planeja resolver seu problema pessoal em Tatooine de uma vez por todas.

Mas todos nós sabemos que isso não acontece, não é mesmo? Assim, não muito tempo depois que Solo parte de Yavin-4, ele é roubado pelo pirata espacial Crimson Jack que usa um Star Destroyer do Império como nave-mãe. Sem alternativas e sem dinheiro, nossos heróis acabam se refugiando no desolado planeta Aduba-3, que havia sido palco de uma “corrida do chromium” e, desde então, foi abandonado pelas rotas comerciais normais.

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As capas dos quatro números desse arco.

Lá, Han Solo e Chewie não demoram e ganham certa notoriedade por seus atos heroicos e acabam ajudando fazendeiros a se livrar de bandoleiros locais. Reconheceu a trama, caro leitor? Sim, trata-se de uma adaptação espacial de Os Sete Samurais,  clássico de Akira Kurosawa. E, até logo antes de seu desfecho, é uma versão bastante fiel dos acontecimentos do filme, com a escolha dos seis guerreiros – Amaiza, uma criminosa que conhece Han; Hedji, um ser espinhoso parecido com uma pantera; Don-Kwan Kihotay, um idoso quixotesco que acha que é um Jedi; Jaxxon, uma lebre verde carnívora; Jimm, ou Starkiller Kid (uma óbvia referência ao roteiro original de Lucas, adaptado para quadrinhos por J.W. Rinzler), um jovem impetuoso e sem experiência e FE-9Q, robô-trator que não parece gostar, mas é fiel a Jimm -, o treinamento dos fazendeiros, o pagamento feito com comida e abrigo e outros.

O desenvolvimento dos personagens funciona e prende o leitor, com personalidades bastante elaboradas. Vale especial nota Jaxxon, pelo inusitado que é um coelho humanoide carnívoro e Don-Kwan Kihotay (nome excelente, aliás) e a dúvida genuína que ele deixa com o leitor sobre ele ser ou não um Jedi.

No entanto, a história, ao se distanciar da obra que a inspirou mais para o final, acaba se transformando em algo mais simples do que prometia, com o enfrentamento um tanto aleatório de uma ameaça surpresa que, de certa forma, lembrar o Rancor de O Retorno de Jedi. E, apesar de não ser propriamente um problema, a narrativa é entrecortada com uma sub-trama com Luke Skywalker partindo para achar outro planeta onde a frota rebelde possa fincar uma base, já que Yavin-4 foi comprometida. É uma história que não acaba nesse arco e, na verdade, nos prepara para o seguinte.

Star Wars #7 a 10 (Idem, EUA)
Roteiro: Roy Thomas (#7, 8, 9), Howard Chaykin (#8, 9, 10), Don Glut (#10)
Arte: Howard Chaykin (#7  a 10), Tom Palmer (#9 e 10)
Arte final: Frank Springer (#7), Tom Palmer (#8 e 10)
Letras: Joe Rosen (#7), John Costanza (#8, 9 e 10)
Cores: Carl Gafford (#7), Tom Palmer (#8 e 9), F. Mouly (#10)
Consultoria editorial: Archie Goodwin (#7, 8 e 9)
Data de publicação original: janeiro a abril de 1978
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editoras (no Brasil): Editora Bloch, Editora Abril e DeAgostini
Páginas: 71

Star Wars #11 a 15

estrelas 4

Espaço: Espaço profundo (Destroyer de Crimson Jack), planeta sem nome no sistema Drexel (superfície)
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

Star Wars #11 é o primeiro número da série com Archie Goodwin como roteirista e editor, cargo que manteria durante muito tempo e com enorme sucesso. A história começa a partir do final da luta de Han Solo e Chewbacca em Aduba-3, com direito, com de costume narrativo à época nos quadrinhos, de um resumo sobre os acontecimentos anteriores. Han Solo e Chewie, sem dinheiro para pagar Jabba, decidem voltar à base Rebelde em Yavin-4.

Novamente, porém, o pirata Crimson Jack cruza o caminho dos heróis – não por coincidência – e revela que capturou Leia. Han logo põe um plano em movimento para não só recuperar seu dinheiro como salvar a princesa e, com base em suas promessas, acaba caindo nas graças do pirata que não mais o trata como prisioneiro. Há um interessante jogo amoroso envolvendo Leia, Han e a pirata Jolli, que odeia homens, mas tem uma queda por Solo que Leia percebe e usa em seu favor.

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Capas de Star Wars #11 e 12.

Paralelamente, vemos Luke Skywalker, C-3p0 e R2-D2 lidando com dragões marinhos e facções de náufragos em um planeta sem nome no sistema Drexel composto fundamente por água. Depois de cair com sua nave no planeta, ele se depara com tribos rivais descendentes de náufragos originais no local, um lado tentando sobreviver fazendo a pilhagem de naves e outros que atrai ao planeta usando um disruptor e um raio trator e, de outro, homens que controlam os dragões marítimos e lutam contra o outro grupo de náufragos (os Dragon Lords).

A situação de Luke é curiosa e original, ainda que forçada e pouco crível. Afinal, a tecnologia que os náufragos coletam os permitiram ao menos tenta sair do inclemente planeta e não viver em cidades flutuantes no formato de galões espanhóis do século XVI feitos de madeira! Mas isso é algo que é perdoável, no final das contas, pois estamos em um universo riquíssimo, vastíssimos cuja única barreira é a imaginação humana. Os fundamentos estabelecidos por George Lucas estão lá e são aproveitados ao máximo, mesmo que, uma vez ou outra, o exagero impere, como é o caso aqui.

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Capas de Star Wars #13 a 15.

As duas narrativas não demoram a se encontram, com Han, Chewie e Leia indo ao resgate de Luke e os dois simpáticos androides. A conclusão é tomada de diversas sequências de ação muito bem ritmadas, graças a um ótimo trabalho narrativo de Goodwin e desenhos eficientes e fluidos de Carmine Infantino e Terry Austin, que expandem a mitologia e criam micro-universos com ricas histórias pregressas que se mesclam sem muitos solavancos ao estabelecido antes por Lucas. Além disso, pelo fato dos dois artistas se manterem do começo ao fim do arco no comando da arte, vemos maior homogeneidade no trabalho que ajuda na fluidez das páginas.

Star Wars #11 a 15 (Idem, EUA)
Roteiro: Archie Goodwin (também editor)
Arte: Carmine Infantino, Terry Austin
Letras: Joe Rosen (#11), John Costanza (#12 e 15), Rick Parker (#13), Denise Wohl (#14)
Cores: Janice Cohen
Consultoria editorial: Roy Thomas (#11), Jim Shooter (#12 a 15)
Data de publicação original: maio a setembro de 1978
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editoras (no Brasil): Editora Bloch, Editora Abril e DeAgostini
Páginas: 89

Star Wars #16

estrelas 3,5

Espaço: Estação Médica isolada em planeta não determinado, segundo planeta não determinado onde Jaxx e Amaiza se encontram, Aduba-3
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

sw #16 capaNesse número, que é uma espécie de one-shot introdutório de personagem importante no futuro editorial de Star Wars, a arte muda de mãos. Saem Carmine Infantino e Terry Austin e entram Walt Simonson e Bob Wiacek. Simonson, que tem um traço poderoso, é a escolha perfeita para trabalhar Valance, um perturbado caçador de recompensas que, quando surge logo na primeira página, ataca, com seus comparsas, um hospital com o objetivo misterioso de “apagar seu passado”.

Logo aprendemos que Valance odeia especialmente seres robóticos, que tem prazer em destruir. Além disso, seu objetivo permanece incerto substancialmente por toda a narrativa, até que o último quadro esclarece a situação e crie um cliffhanger interessante que não é realizado em seguida.

No hospital, seus soldados ouvem o balbuciar de um velho e ferido Don-Kwan Kihotay, um dos “sete samurais” do primeiro arco da presente crítica, que fala em Han Solo, Chewbacca, criando a oportunidade de uma ótima recompensa pela captura dos heróis. Com isso, Valance parte para caçar Jaxx, a carismática lebre verde carnívora que também ajudara Han em Aduba-3.

A perseguição acaba levando a um clímas em Aduba-3 onde os “samurais” sobreviventes tentam impedir que Valance descubra onde estão os fugitivos. Não há uso dos personagens estabelecidos na saga cinematográfica de Lucas, apenas dos coadjuvantes criados especificamente para os quadrinhos, a primeira que isso acontece. E funciona, pois há carisma suficiente em Jaxx, Amaiza, Starkiller Kid e também em Valance para sustentar uma história,, especialmente levando-se em consideração o traço de Simonson, que empresta força aos personagens.

Star Wars #16 (Idem, EUA)
Roteiro: Archie Goodwin (também editor)
Arte: Walt Simonson, Bob Wiacek
Letras: Denise Wohl
Cores: Bob Sharen
Consultoria editorial: Jim Shooter
Data de publicação original: outubro de 1978
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editoras (no Brasil): Editora Bloch, Editora Abril e DeAgostini
Páginas: 24

Star Wars #17

estrelas 3

Espaço: Espaço profundo, Tatooine (flashback)
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente posteriores à Batalha de Yavin (0 d.BY)

sw #17 capaÉ até engraçado ler Star Wars #16 e 17 seguidamente. No número anterior, somos apresentados a Valance, um caçador de recompensas impiedoso e esperamos sua volta no número seguinte, mas ele não aparece. Nem mesmo o arco anunciado ao final de Star Wars #16, The Empire Strikes (será que foi a inspiração para o filme de 1980?), começa. Temos, talvez, o primeiro efetivo filler nos quadrinhos da série, enquanto a Marvel aguardava o retorno de Carmine Infantino aos trabalhos em dupla co Archie Goodwin, esse sim firme e forte no roteiro, dessa vez baseado em trama escrita por Chris Claremont.

Assim, temos dois novos artistas convidados, Herb Trimpe e Al Milgrom, em uma história que é, integralmente, um flashback de Luke Skywalker enquanto ainda vivia em Tatooine com seus tios Owen e Beru. Goodwing constrói a narrativa com base nas poucas informações que ouvimos de Luke em Guerra nas Estrelas: que ele costuma atirar em Womp Rats e que pilotava Skyhoppers junto com Biggs em Beggar’s Canyon.

E é justamente isso que vemos, com a aventura começando com um Womp Rat sendo alvejado por Luke e, depois, o herói e seu melhor amigo participando da perigosa corrida no mencionado cânion. Vemos o quanto o jovem fazendeiro é naturalmente bom no comando de uma nave, especialmente quando uma aparente singela corrida se torna uma luta contra o Povo da Areia, que decide fazer uma emboscada. Há um ar nostálgico no enfoque da história que funciona bem para mostrar o quanto Luke cresceu desde então. Ele ainda é aquele jovem, mas seu envolvimento com a Aliança Rebelde o faz carregar um fardo que ele sabe jamais o deixará de lado.

A arte funciona bem nas sequências de ação, mas falha no detalhamento de rostos. No entanto, o trabalho de progressão narrativa, com quadros na vertical intercalados por outros na horizontal na proporção 4x1x3 dão o dinamismo necessário à trama que é fácil e agradável de se ler.

Star Wars #17 (Idem, EUA)
Roteiro: Archie Goodwin (também editor), Chris Claremont (trama)
Arte: Herb Trimpe, Al Milgrom
Letras: Rick Parker
Cores: Marie Severin
Consultoria editorial: Jim Shooter
Data de publicação original: novembro de 1978
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editoras (no Brasil): Editora Bloch, Editora Abril e DeAgostini
Páginas: 24

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.