Crítica | Star Wars: A Ameaça Fantasma #1 e 2 (mangá)

estrelas 3

Espaço (não-canônico): Naboo, Coruscant, Tatooine
Tempo (não-canônico): A Ascensão do Império – 32 anos antes da Batalha de Yavin (32 a.B.Y)

A Ameaça Fantasma foi o único filme da Trilogia Prelúdio de George Lucas que ganhou o tratamento como mangá, ao passo que todos os da Trilogia Original foram agraciados dessa forma. As adaptações de Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi foram feitas por autores diferentes –  Hisao Tamaki, Toshiki Kudo e Shin’ichi Hiromoto, respectivamente – e cada uma delas merece lugar de destaque nas coleções de quadrinhos Star Wars e/ou de mangás dos leitores, por serem obras-primas do gênero.

Como de praxe, um novo desenhista foi chamado para a até agora última adaptação em mangá e Kia Asamiya, então, embarcou no projeto. Diferente das demais adaptações, a de A Ameaça Fantasma é composta apenas de dois volumes (contra quatro das demais) e mesmo assim Asamiya conseguiu transpor cada cena, cada diálogo da obra de George Lucas. Certamente que, pelo fato de o primeiro filme da Trilogia Prelúdio ser menos denso e complexo, esse trabalho foi facilitado, ainda que o mérito esteja todo com o artista por conseguir essa proeza sem sequer recorrer a artifícios para reduzir sequências longas, como é o caso, por exemplo da corrida de pods (exatamente o que foi feito na adaptação da Dark Horse). Com isso, em pouco menos de 200 páginas – com direito a algumas páginas extras de artes e esboços – o filme é transposto para o mangá com um resultado final satisfatório.

Ou, ao menos, o mais satisfatório possível considerando-se que o material fonte é paupérrimo e com roteiro abissal. Mas, lógico, impossível culpar Asamyia aqui, ainda que esse problema inevitavelmente afete qualquer avaliação crítica. Caberia no caso, na verdade, um trabalho mais complexo de edição que certamente a LucasFilm e George Lucas quiseram evitar, retirando a liberdade do desenhista de tomar atalhos que poderiam, digamos assim, melhorar substancialmente a sofrível película que conta a história de como Qui-Gon Jin encontrou o irritante Anakin Skywalker ainda criança e o trouxe para debaixo de sua asa, somente para que, no futuro, seu alter-ego Darth Vader ajudasse o Imperador a dizimar a Ordem dos Jedi.

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As capas nacionais, por Asamiya, quase idênticas às originais.

A arte de Asamiya é bonita e eficiente nas sequências de ação, com o perfeito manejamento dos quadros para efeito gráfico máximo. Isso fica evidente na já mencionada sequência da corrida de pod, mas também nas várias e entrecortadas batalhas finais (três em Naboo e uma na órbita do planeta) cuja estrutura Asamiya mantém intacta. No entanto, o desenhista peca um pouco nas expressões faciais e também no detalhamento de quadros que não contêm ação. O esmero que ele demonstra simplesmente desaparece em determinados momentos e isso cria uma sensação de que estamos vendo dois artistas trabalhando. Será que ele trabalhou sob pressão e focou naquilo que era possível fazer? Tenho para mim que não já que os volumes foram lançados meses após o lançamento do filme, o segundo deles literalmente no ano seguinte (janeiro de 2000).

Mas há outro problema também, um que foi certamente ditado por alguma instrução superior que só permitiu a adaptação em dois volumes: há uma ausência quase completa de desenhos de página completa, o que retira e muito o impacto da obra. Basta comparar com as adaptações da Trilogia Original em mangá para se perceber como lá houve espaço para que momentos impactantes recebessem o destaque merecido. Aqui, infelizmente sobrou pouco espaço para um trabalho dessa natureza e tenho para mim que isso prejudicou um diferencial importante nas adaptações em mangá, que são justamente os desenhos estilosos e com muito movimento que algumas sequências precisam ter. Do jeito que ficou, vê-se apenas mais uma adaptação. Bonita, mas não muito especial.

Novamente, não há como culpar Asamiya pelo problema, já que a redução para dois volumes deve ter sido ordem superior e, com isso, ele conseguiu milagre ao condensar tudo, mas sem perder nada, no espaço confinado que tinha disponível. Mas é inegável que o resultado final sofre por isso considerando-se o roteiro para lá de fraco que ele tinha para trabalhar.

A Ameaça Fantasma em mangá é, até agora, a melhor adaptação em quadrinhos desse tenebroso filme e, para aqueles que querem completar a coleção, precisa figurar ao lado das demais adaptações. No entanto, apesar dos esforços de Asamiya, essa é apenas mais uma adaptação esquecível.

Star Wars: A Ameaça Fantasma #1 e 2 (Star Wars: The Phantom Menace #1-2, Japão – 1999/2000)
Roteiro: George Lucas
Arte: Kia Asamiya
Letras: Tom Orzechowski
Editora (no Japão): Tokyopop (dezembro de 1999 e janeiro de 2000)
Editora (no Brasil): JBC Mangás (dezembro de 2002)
Páginas: 192 (total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.