Crítica | Star Wars: A Queda de Vader (Marvel – 2015/6)

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estrelas 4

Obs: Leiam, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Frota Rebelde, Espaço profundo, Vrogas Vas
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Apesar das duas séries principais da Marvel no Universo Star WarsStar Wars e Darth  Vader – já terem tangenciado suas histórias, A Queda de Vader (Vader Down, no original) é o primeiro efetivo crossover. A estrutura é clássica, com um número inicial one-shot que logo nos leva a três edições de Darth Vader (#13 a #15) e duas de Star Wars (#13 e #14) de forma intercalada (verifique a ordem de leitura na ficha técnica) em uma história substancialmente auto-contida que poderia ser apreciada também por quem não leu os números anteriores, ainda que alguns personagens já apresentados nos quadrinhos, mas que inexistem nos filmes, possam causar alguma confusão, mas nada que impeça a leitura.

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Os rebeldes não têm chance… (arte de Deodato)

A premissa da história criada em conjunto por Jason Aaron e Kieron Gillen é simples e toma emprestado o conceito de Falcão Negro em Perigo (Ridley Scott, 2001), algo que pode ser percebido já nos respectivos títulos originais: Black Hawk Down e Vader Down. Darth Vader, procurando Luke Skywalker, acaba sendo abatido e cai no planeta Vrogas Vas, onde existe uma base rebelde. Com uma oportunidade única, a Aliança Rebelde manda um exército para capturar o Lorde Sith, que tem que lidar com toda essa inconveniência. Na mesma linha, o próprio Luke também cai no planeta (há uma razão quase completamente lógica para isso) e é caçado pela Dra. Aphra e seus dois droides assassinos, todos trabalhando para Vader.

Tanto Aaron quanto Gillen já tinham tido oportunidade de mostrar um Darth Vader particularmente poderoso em suas respectivas publicações regulares, mas, aqui, é onde eles soltam completamente os freios e nos reapresentam ao vilão em toda sua glória maligna. Primeiro vemos sua habilidade como piloto em sua TIE Advanced x-1 lidando ao mesmo tempo, e sem qualquer ajuda, com três esquadrões de X-Wing, com direito até ao uso da Força a partir de seu cockpit. Em seguida, já na superfície do planeta, onde se passa toda a ação após o one-shot, os roteiristas se divertem em colocar o vilão nas mais absurdas e desbalanceadas situações somente para ele lidar com o perigo sem nem suar.

Em vários momentos, claro, os dois exageram no que Vader é capaz de fazer. Uma coisa é ele lidar com vários inimigos ao mesmo tempo, outra coisa bem diferente é ele dizimar batalhões inteiros com infantaria e tanques cercando-o por todos os lados. Mas faz parte. Vader sempre foi, de certa forma, sub-utilizado nos filmes e vê-lo em seu auge de poder nos quadrinhos é  uma diversão e até mesmo um consolo. Não há qualquer tentativa dos roteiristas em criar algo mais complexo do que pancadaria pura tendo Vader como centro das atenções e, nesse sentido, o trabalho deles é bem-sucedido.

Da mesma forma, a caçada a Luke pela Dra. Aphra e seus sensacionais androides assassinos Triplo Zero e BT-1, funciona. Finalmente há efetivo espaço para vermos os dois seres robóticos em ação, com tudo que eles são capazes. De voo a uso irrestrito das mais exageradas armas, até ampolas de veneno saindo dos dedos, Aaron e Gillen novamente se divertem com destruição total e momentos que chegam às rais do absurdo.

E todo o elenco principal, claro, converge para Vrogas Vas, inclusive o excelente Wookie de pelo negro Black Krrsantan e o surreal Mon Calamari com corpo cibernético inspirado no do General Grievous, Comandante Karbin. Inteligentemente, porém, o roteiro evita colocar Vader em confronto direto com o grupo principal, o que teria o potencial de mexer de forma incômoda com a cronologia. Seu único e limitado confronto direto é com a Princesa Leia e só isso já alterar um pouco a estrutura central, já que ele não consegue detectar traços da Força nela, ou seja, o cânone é mantido, mas sacrificando a lógica.

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(1) Larroca (2) Deodato (3) Larroca

A arte ficou ao encargo do brasileiro Mike Deodato no one-shot inicial e nas edições de Star Wars e do espanhol Salvador Larroca nas edições de Darth Vader. Enquanto os roteiros feitos a quatro mãos formam um conjunto harmônico, o mesmo não acontece com a arte, o que, obviamente, já era de se esperar. Apesar de sempre ter apreciado o traço mais realista de Deodato, aqui ele me causou estranheza. Mas é algo passageiro, já que ele tem espaço para trabalhar momentos épicos que acabam funcionando muito bem, com um Darth Vader consideravelmente mais ameaçador do que o de Larroca.

Por sua vez, o trabalho do espanhol está mais em linha com o que vinha sendo feito nas edições regulares das duas séries e não causa o mesmo estranhamento da arte de Deodato. Seus traços mais suaves dão ar mais leve à narrativa (mas sem jamais tirar a seriedade) e são mais fluidos do que os do colega. No final das contas, são duas belas e características artes trabalhando em uníssono.

A Queda de Vader não é um crossover particularmente profundo – e nem quer ser! – e não deve afetar de forma significativa as publicações seguintes. Seu objetivo é muito claro: mostrar o que Darth Vader é capaz de fazer em situações extremas. Se um dia eu gostaria de ver algo semelhante em algum filme? Com certeza!

Star Wars: A Queda de Vader (Star Wars: Vader Down – EUA, 2015/6)
Contendo (na ordem de leitura):
Vader Down #1, Darth Vader #13, Star Wars #13, Darth Vader #14, Star Wars #14, Darth Vader #15
História: Jason Aaron, Kieron Gillen
Roteiro: Jason Aaron (Vader Down #1 e Star Wars #14 e #15), Kieron Gillen (Darth Vader #13 a #15)
Arte: Mike Deodato (Vader Down #1, e Star Wars #14 e #15), Salvador Larroca (Darth Vader #13 a #15)
Cores: Frank Martin Jr. (Vader Down #1, e Star Wars #14 e #15), Edgar Delgado (Darth Vader #13 a #15)
Letras: Joe Caramagna (Vader Down #1 e Darth Vader #13 a #15), Chris Eliopoulos (Star Wars #14 e #15)
Data de publicação original: novembro de 2015 a janeiro de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: a partir de dezembro de 2016
Páginas: 30 (Vader Down #1) 22 (cada edição posterior)

RITTER FAN. . . .Sou um carioca rabugento que não faz questão nem de sol (muito quente) nem de praia (tem areia e água salgada). Prefiro o escurinho do cinema onde, sozinho ou acompanhado da família ou de amigos, me divirto - ou não, depende - por horas a fio.