Crítica | Star Wars – Academia Jedi: O Retorno de Padawan

estrelas 4,5

Série: Academia Jedi
Espaço:
Planetas Tatooine, Coruscant (Academia Jedi e Senado Galático), Hoth e Obroa-skai
Tempo: 195 a.BY

Após o sucesso de Academia Jedi (2014) — best seller do NY Times –, Jeffrey Brown logo embarcou em uma sequência para a saga de Roan Novachez, o apaixonante Padawan que, neste segundo volume da série, retorna para Coruscant a fim de cursar os semestres 3 e 4 da Escola de Jedis, onde nada parece ter mudado muito, apenas algumas novidades aqui e ali. Com o passar dos meses, porém, Roan perceberá que a realidade se mostra bem mais ingrata, traiçoeira e… sombria para ele.

O principal ponto de diferença entre O Retorno de Padawan e Academia Jedi é que este segundo livro tem um menor equilíbrio na exposição de professores e alunos, algo no qual o autor se saiu bem melhor antes, e sim, isto tem a ver com a “perda da surpresa” para este Universo depois que lemos o primeiro livro, mas fica a pergunta: como poderia ser diferente? Se O Retorno de Padawan é uma continuação (parece mesmo que a série irá fazer referências aos títulos dos filmes, e aqui, claro, revive O Retorno de Jedi) ela DEVE ser lida e avaliada como uma continuação, portanto, o peso da “perda da surpresa” é naturalmente contabilizado.

Mas focar mais nos alunos não é um ponto negativo, a rigor. Ele apenas tem uma proposta diferente. Todavia, a escolha acaba não dando certo o tempo inteiro porque aonde poderia existir bons momentos entre alunos e professores, ou só professores, há cenas de alunos que não acrescentam muita coisa à história.

Esses “pontos negativos”, porém, não querem dizer que não gostei do livro ou que a minha nota no início é incoerente. Eu realmente acho que a obra vale 4,5, porque, de fato, é excelente. Só estou trazendo percepções levemente incômodas que não estavam presentes no primeiro livro e que estão aqui, o que justifica a retirada da meia estrela. Mas em nenhum momento da leitura é possível se sentir entediado ou ter a sensação de que o autor se perdeu. Nada disso. O Retorno de Padawan é uma aventura rica e divertida, que explora bastante o crescimento do Roan e seus colegas e que traz novos problemas, cenários, desafios e conversas para os Padawans.

Indicações claras ao “embarque” do lado negro da Força marcam o livro a partir de seu miolo — e não estou dando spoilers, isto é dito no release da obra –, um dos grandes ganhos que temos com o crescimento dessas crianças da Academia Jedi. Jeffrey Brown não foi exatamente original ao elencar motivos para que Roan fosse levemente conduzido a um outro tipo de visão — basicamente ele emula Anakin Skywalker –, mas como estamos falando disso em um Universo infantil, a recepção é mais interessante, não deixa de dar um pouco de medo, já que sabemos onde isso vai dar. Porém, é uma tensão que diverte bastante.

Com novas aulas, brigas entre amigos, crise no amor e traquinagens típicas de crianças na escola — coisas quase inexistentes no livro anterior, com exceção dos sacanas e claramente futuros Lordes Sith, Cyrus e Cronah — temos um ano conturbado para o protagonista, que sofre as dores do amadurecimento e traz um dos paralelos de ideário mais interessantes do volume, sem ser clichê na “lição de moral” e sempre marcado por monólogos sinceros de Roan em seu diário. Essas brigas, porém, fazem sentido para toda a estrutura do livro, contrastando com o excelente começo e se diferenciando do final leve, com direito a uma “surpresa desagradável” para o próximo ano Roan.

Mostrando o valor da amizade, o fato de que até professores Jedi podem ser injustos e o quão difícil e puxado é o caminho de um Padawan, este livro é a prova de que, para Star Wars, não há limites: se a Força está com o autor e a obra, o resultado sempre será incrível.

Star Wars – Academia Jedi: O Retorno de Padawan (Star Wars: Return of the Padawan) — EUA, 2014
Autor: Jeffrey Brown
No Brasil: Editora Aleph (2016)
Tradução: Isadora Prospero
Tipologia feita à mão por: Giovanna Cianelli
176 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.