Crítica | Star Wars Adventures: Boba Fett and the Ship of Fear

estrelas 5,0

Espaço: Reverie
Tempo: A Rebelião – 2 anos após a Batalha de Yavin (d.BY)

Desde a época da trilogia clássica de Star Wars Boba Fett já era conhecido como o melhor caçador de recompensas da galáxia. Suas ações nos filmes, porém, pouco demonstram o motivo por tal fama, tendo sido sua única e maior ação de destaque seguir a Millenium Falcon para Bespin e, posteriormente, capturar Han Solo. Seu triste e patético fim no Poço de Sarlacc também não ajudou, ainda que, pelo Universo Expandido, tenhamos descoberto que ele, de fato, não morrera ali. Com sua reputação em risco graças ao roteiro dos filmes, cabe apenas ao material “extra” conhecermos mais sobre esse mercenário e o que exatamente o levou a conquistar tal grau de afeição por parte dos fãs.

bfsof1Star Wars Adventures, uma série de one-shots publicadas pela Dark Horse Comics, quando os direitos da franquia ainda estavam em suas mãos, nos traz em uma de suas histórias um olhar mais aprofundado sobre Fett. Bobba Fett and the Ship of Fear nos leva para aproximadamente dois anos após a batalha de Yavin e já tem início com o caçador de recompensas buscando uma valiosa relíquia. No seu caminho, contudo, estão dois irmãos, também mercenários, em busca do mesmo tesouro, que os leva até a antiga nave-cruzeiro Reverie, que agora é apenas um monte de sucata infestada por criaturas ameaçadoras.

Jeremy Barlow, que já assinou inúmeras outras revistas da franquia e também de Mass Effect, utiliza a relação de Boba com os dois irmãos a fim de ilustrar as diferenças entre os três e o que faz de Fett ser tão bem-sucedido em suas empreitadas. Conceitos como honra, dignidade e até mesmo ética profissional são trabalhados nas oitenta páginas da revista, formando um bom retrato do que se passa pela mente dessa figura misteriosa que conhecemos brevemente em O Império Contra-Ataca. Contrabalanceando os inúmeros balões de diálogo temos uma boa ênfase em diversos combates e situações de ação, que fazem da narrativa algo fluido que não peca pelo exagero em qualquer um dos frontes. Como uma one-shot, a revista se sustenta perfeitamente, não requisitando qualquer conhecimento prévio. Barlow não exagera em referências e sabe trabalhar com apenas o que está dentro de seu enredo, sem cair no excessivo didatismo.

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Funcionando como uma perfeita combinação da narrativa de Jeremy, o traçado de Daxiong, que também trabalha no volume de Star Wars Adventures, Luke Skywalker and the Treasure of the Dragonsnakes, não permite que a história assuma um tom demasiadamente pesado, ele sabe balancear o caricato com o realismo, criando um estilo envolvente para qualquer idade. A violência é limitada e aparece com um uso maior de cores (principalmente o verde do sangue das aranhas), tornando-a bastante gráfica e menos naturalista. O que chama a atenção é como, mesmo com inúmeros elementos em quadro, em ponto algum nos sentimos confusos, ao passo que Daxiong sabe passar a mensagem sem pecar pelo exagero de ações super detalhadas ou repletas de elipses que dificultam o entendimento. Dito isso, a fluidez do roteiro assume um forte aliado, que torna a leitura algo prazeroso e surpreendentemente rápido.

Boba Fett and the Ship of Fear é uma história despretensiosa, que entretém ao mesmo tempo que nos garante um olhar curioso sobre a mentalidade do famoso caçador de recompensas. Com um roteiro que sabe onde começar e terminar e uma arte limpa e não-burocrática, o one-shot funciona como um simples olhar sobre o personagem, apenas mais uma história dentro desse grande baú que é o Universo Expandido de Star Wars, certamente uma que merece ser lida.

Star Wars Adventures: Boba Fett and the Ship of Fear (EUA, 2011)
Roteiro: Jeremy Barlow
Arte: Daxiong
Cores: Daxiong
Páginas: 80

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.