Crítica | Star Wars: Alvorecer dos Jedi – Guerra da Força

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estrelas 3,5

Espaço: Planetas Shikaakwa, Tython / Lua Bogan
Tempo: 25.792 a.BY

Guerra da Força termina a trilogia de minisséries sob o título Alvorecer dos Jedi, que aborda, na linha Legends, os primeiros passos da Ordem Jedi, desde o primeiro grande chamado, nas páginas iniciais de Tempestade da Força, até a grande guerra contra os Rakata e seu Império Infinito, neste volume final da saga. Além disso, há aqui uma deixa maior para as discussões sobre o equilíbrio versus o lado negro da Força, sobre as emoções dos sensíveis a ela e como a falta de controle pode afetar a todos, da mesma forma de algumas ligações afetivas têm um poder definitivo para o futuro de qualquer um marcado pela Força.

Estamos um ano à frente da história contada em O Prisioneiro de Bogan, e o título da minissérie rapidamente nos faz ver que ele não é enganoso. A guerra é a verdadeira palavra de ordem para todos os acontecimentos aqui registrados, e só existe uma real trégua nas 5 últimas páginas da última edição. Nesse longo caminho de estratégias, buscas pelo poder e controle da Força — para lados diferentes –, o leitor tem bem pouco para pensar, pois tudo é muito prático e claro. O roteiro de John Ostrander (em parte co-escrito com Jan Duursema) destaca com louvor as diversas campanhas, colocando, no decorrer das lutas, os objetivos dos Jedi estabelecidos — e progressivamente frustrados — desde o início da série.

O tom admiravelmente dinâmico das três primeiras edições ajudam o leitor a levar o plano dos Rakata a sério e se preocupar com Trill, a espiã implantada no meio dos Jedi. Por outro lado, ver Xesh e Daegen Lok, os personagens mais “sombrios e desequilibrados” da série lutando juntos e fazendo de tudo para impedir o avanço dos vilões causa um tipo de emoção que só alguns personagens de Star Wars são capazes de nos dar. Chama a atenção a amizade improvável entre os dois (improvável mais por parte de Xesh, na verdade, que só conhece a morte e não sabe o que é amor) e a mudança que ela sofre, para depois ser mais ou menos colocada de lado pelo roteiro.

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O trajeto artístico aqui é quase totalmente exemplar. Alguns desenhos para corpos mais ou menos isolados nos quadros apresentam problemas de postura (tem um retângulo de Xesh, quando é acordado de um pesadelo, que me fez rir) mas no todo, o trabalho visual da minissérie é muito bom. A abordagem das várias frentes de batalha — na terra e no céu –, os desenhos para o corpo-a-corpo entre os Exércitos, as muitas raças em conflito, os espaços internos; alguns deles com grande exploração tecnológica; tudo acaba sendo bem contemplado pela arte e sua finalização, tendo ainda uma acertada coloração para o front, sabiamente marcado pelo vermelho e variações de amarelo, verde e outras variáveis simbólicas, em oposição ao azul e cinza dos interiores de naves e edifícios dos Jedi e Rakata.

O texto tropeça um pouco no final, quando se entrega demais ao sentimentalismo e faz uma mudança rápida demais de Xesh para o lado que ele traíra algumas páginas antes. A propósito essa ida-e-vinda é completamente estranha e as coisas acontecem rápido nos dois momentos, não dando espaço para o leitor processar bem o que acontece. O perdão ao ex-cão de caça (agora assumindo seu nome verdadeiro: Tau) acontece em elipse. No final, ele segue acompanhado de Shae Koda pelo Deserto Silencioso, em uma missão de meditação que deve fazê-lo se ver livre, em definitivo, de influências mentais externas.

O final da série Alvorecer dos Jedi é bastante satisfatório. O roteiro não tem as melhores composições de personagens no desfecho, mas diverte a maior parte do tempo e resolve o problema de maneira inteligente, buscando coisas estabelecidas nas minisséries anteriores para fechar o ciclo. Um bom olhar para os primeiros grandes conflitos dos Jedi contra uma força sombria externa ao seu tão sonhado equilíbrio.

Star Wars: Alvorecer dos Jedi – Guerra da Força (Star Wars: Dawn of the Jedi — Force War) — EUA, novembro de 2013 a março de 2014
Editora original: 
Dark Horse
Roteiro: John Ostrander
Arte: Jan Duursema
Arte-final: Dan Parsons
Cores: Wes Dzioba
Letras:  Michael Heisler
Capas: David Michael Beck
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.