Crítica | Star Wars: Alvorecer dos Jedi – O Prisioneiro de Bogan

estrelas 3,5

Espaço: Planetas Byss, Krev Coeur, Nox e Tython / Lua Bogan
Tempo: 25.793 a.BY

Novas Ordens podem gerar muito medo em organizações e pessoas que detêm poder e informações com potencial de mudar e destruir realidades. Todo novo tempo assusta, principalmente se as pessoas que passarão por ele tem muito a perder. Ou ganhar. Ou ambas as coisas, porque aqui os Jedi, além do grande perigo à vista, estão diante de um novo problema: sabendo como construir e o que move um Sabre de Luz, eles devem utilizar esta arma?

Nós já conhecemos muito bem esse tipo de comportamento de diversas mídias do Universo Expandido de Star Wars, mas nesse segundo volume da saga Alvorecer dos Jedi nos mostra como tal sentimento de grupo e de alguns seres fortes na Força são comuns desde os primeiros séculos de existência dos que batalham pela ordem do Cosmos, neste momento da história, chamados de Je’daii.

A narrativa aqui se passa no mesmo ano em que Xesh foi enviado para a Escura Bogan a fim de meditar e encontrar o equilíbrio na Força, que era bastante forte em si, mas quase exclusivamente do lado negro. Trata-se de um drama de fuga, perseguição e tentativas escusas de tomar o poder. Fantasmas da Guerra Déspota, ocorrida a 12 anos, voltam a assombrar os Je’daii e colocam em cena a loucura do prisioneiro original de Bogan, o relativamente temido e dado como louco Daegen Lok.

alvorecer dos jedi o prisioneiro de bogan

John Ostrander realiza aqui um trabalho muito mais coeso e palatável do que a sua investida anterior nesse início da existência dos Jedi, em Tempestade da Força. Aqui, o leitor percebe a importância que esse despertar inicial teve para os seres sencientes e se engaja na luta e nas buscas que são realizadas de vários lados e com motivações contrastantes. Os Rakata passam a ser uma verdadeira ameaça e os Mestres Je’daii são forçados a repensar algumas condenações, recusas e desprezo que deram a uma certa visão sobre a qual foram avisados pouco mais de uma década antes.

Boa parte da história segue aquilo que Star Wars tem melhor, ou seja, a luta de valores que podem existir tanto em grupos de ideologias e objetivos opostos (Rakatas vesus Je’daii, por exemplo, mas também outros grupos de inimigos) quanto dentro de uma mesma organização, seja ela boa ou má. Ao longo das edições, nós temos visões do passado que nos informam que traições e rebeliões internas sempre fizeram parte de espécies deste Universo e que quanto mais poderosas essas civilizações ficam, mas inimigos duplos elas chamam para si, alguns vindos de fora e outros, criados em seu próprio seio.

alvorecer dos jediNesse jogo de poder, os artistas Jan Duursema e Dan Parsons são responsáveis por nos apresentar planetas, cenários, criaturas e embates instigantes e decisivos de uma forma que ficamos impressionados com a riqueza de vida e organização social, arquitetônica e econômica da Galáxia e com a variedade de flora, fauna e espécies inteligentes que estão ligadas às figuras protagonistas deste alvorecer. Mesmo que o roteiro peque em sua tendência quase didática de contar a história e também em pensamentos demasiadamente narrativos toda vez que um flashback entra em cena, O Prisioneiro de Bogan garante um bom espetáculo visual em arte e cores, destacando-se principalmente na representação distinta da vida em cada lugar visitado.

Nem mesmo as conveniências e os nós do roteiro nos impedem de aproveitar a trama, porque aqui eles são poucos e não fogem do foco central, como acontece em Tempestade da Força. A história tem uma linha central investigativa e nela permanece, sob diversos pontos de vista, até que os investigados se reúnam e a catástrofe então anunciada comece a ganhar corpo.

A mensagem que o Predor Rakata recebe de Trill na sequência final da minissérie deixa o leitor curioso para conhecer a continuação e finaliza bem o ciclo de ajustes para a luta que se aproxima. No fim, O Prisioneiro de Bogan é uma aventura sobre desejo de poder, mudanças de comportamento e de opinião, remissão de pecados do passado e luta pela paz ou pela conquista. O eterno ciclo que seria marcado como uma tatuagem ao longo de toda a existência dos Jedi daí para frente.

Star Wars: Alvorecer dos Jedi – Prisioneiro de Bogan (Star Wars: Dawn of the Jedi — Prisoner of Bogan) — EUA, novembro de 2012 a maio de 2013
Editora original: 
Dark Horse
Roteiro: John Ostrander
Arte: Jan Duursema
Arte-final: Dan Parsons
Cores: Wes Dzioba
Letras:  Michael Heisler
Capas: David Michael Beck
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.