Crítica | Star Wars: Battlefront II (2005)

estrelas 3,5

A franquia originada de BattlefieldBattlefront certamente nos trouxe um dos games mais populares de Star Wars. O primeiro dessa nova série foi um grande sucesso e não demorou muito para que, em 2005, recebesse sua continuação, Battlefront II. Expandindo os conceitos apresentados no jogo original, a sequência nos trouxe diversas novas adições, com um gameplay fluido e divertido que se sustenta até os dias de hoje, certamente o colocando acima do remake moderno, lançado em 2015. Dito isso, o game está longe de ser perfeito, com alguns problemas que podem torná-lo repetitivo em alguns pontos.

Para quem não conhece a franquia, Battlefront II é um game de tiro em primeira e terceira pessoa, que nos coloca no meio de um cenário de guerra, contra inúmeros outros inimigos controlados por computador. O jogo chegou a ser lançado com modo multiplayer, mas como isso é algo praticamente inviável nos dias atuais, em virtude de sua idade, não irei entrar nessa questão. Dito isso, podemos escolher entre a República, os Separatistas, o Império ou a Aliança Rebelde. Cada batalha, é claro, se passa em um dos dois períodos: durante as guerras clônicas ou a guerra civil. Por já nos oferecer essa maior possibilidade de escolha, o game já se coloca em um nível acima de seu recente reboot.

Outro elemento importante que muito o diferencia de Battlefront é a presença de um modo história, que nos leva do final da guerra que dividira a República até os domínios do Império. Durante essas missões controlamos a legião 501 do exército de clones, que se tornaria a mais famosa divisão do exército imperial, conhecida como o punho de Vader (no Universo Expandido, naturalmente). O interessante é que cada uma das fases nos traz diferentes objetivos, permitindo que aproveitemos o modo campanha e não somente passemos por ele a título de curiosidade. Mesmo que, atualmente, não sendo considerado canônico, o game nos oferece um olhar diferenciado sobre esse conturbado período.

battlefront-ii-2

O maior destaque de Battlefront II, contudo, é o modo Galactic Conquest, que nos coloca em uma espécie de tabuleiro e devemos dominar planetas da facção rival a fim de exercer completo domínio sobre a galáxia. Após escolher uma das quatro organizações do universo de Star Wars partimos de batalha atrás de batalha, conquistando créditos após cada vitória ou derrota a fim de melhorar nosso exército, comprando novas unidades ou bônus que permanecem durante uma única partida. Recomendo fortemente que o modo seja jogado na dificuldade elite, somente assim algum desafio será oferecido. Isso, porém, não nos afasta da questão que acaba prejudicando o game como um todo: ele é fácil demais e a vitória é praticamente garantida após o jogador se acostumar com os comandos.

Felizmente, cada batalha se diferencia da outra, mesmo que estejamos na mesma fase e existem muitas a serem exploradas, cada uma oferecendo um desafio diferenciado, que pede para uma estratégia diferente. O campo aberto de Geonosis, por exemplo, pede por soldados de maior alcance, enquanto que os claustrofóbicos corredores de Polis Massa requerem que um estrago a curta distância seja empregado – por mais que, quase sempre, esse cenário se torne uma bagunça total em virtude da quantidade de inimigos, aliados e explosões em tela, o que somente o deixa mais divertido, é claro.

Infelizmente, muitas dessas fases não diferenciam alguns de seus fatores dependendo do período escolhido pelo jogador. Em Coruscant, por exemplo, podemos ver naves separatistas e republicanas voando pelo céu, mesmo se estivermos jogando com o Império contra a Aliança Rebelde , demonstrando um evidente descuido dos desenvolvedores quando se trata dos detalhes do jogo. Outro aspecto que faz ele soar extremamente datado são as hitboxes, especialmente quando se escolhe a classe scout (vulgo, sniper). Muitas vezes atingimos uma barreira fantasma muito distante da parede mais próxima, o que pode ser verdadeiramente frustrante. Mas estamos falando, é claro, de um jogo lançado à época do PS2/ Xbox, então não poderíamos esperar muito mais que isso.

battlefront-ii-1

Para contornar tais pontos, felizmente, temos a presença de heróis e veículos constantemente nas lutas, o que pode alterar significativamente o campo de batalha. Ainda que alguns desses personagens especiais sejam muito mal desenvolvidos (Palpatine, estou olhando para você), diversos outros contam com habilidades únicas que, se bem empregadas, garantem um toque especial a cada luta. Claro que os heróis acabam surtindo diferentes efeitos no modo Hero Assault, que coloca duas equipes desses icônicos indivíduos da saga uma contra a outra. Além desse modo, temos o clássico capture a bandeira e o padrão conquest, todos podem ser escolhidos no menu instant action, que permite uma bela customização das partidas para que pulemos de jogo após jogo.

Outro erro do game são as batalhas espaciais, que após serem jogadas algumas vezes se tornam extremamente repetitivas e fáceis de se ganhar. Não há desafio algum: basta destruirmos metodicamente cada pedaço da nave do oponente para ganharmos e, a não ser que permaneçamos parados no jogo, a vitória é garantida. Um ponto favorável desse modo é a quantidade de veículos que podemos utilizar, permitindo que voemos em diversas naves que, até então, podíamos apenas observar nos seis filmes da franquia lançados até então.

Battlefront II conta com muitos defeitos e pode soar extremamente datado em determinados pontos. Ainda assim, é uma bela adição ao universo de Star Wars e seus acertos o fazem divertido até os dias de hoje, mesmo duas gerações após aquela de seu lançamento. Por isso não tenho medo de afirmar que estamos falando de um game muito superior à sua contraparte mais recente, que infelizmente pecou em inúmeros aspectos, por mais que se configure como um bom FPS para quem quer fugir do clássico Battlefield x Call of Duty – estamos falando de uma daquelas exceções que o tecnicamente superior não chega a ser tão engajante quanto seu antecessor menos rebuscado. Para os fãs inveterados dessa galáxia muito, muito distante um olhar para os games clássicos talvez seja mais apropriado.

Star Wars: Battlefront II
Desenvolvedor: Pandemic Studios
Lançamento: 31 de outubro de 2005
Gênero: Tiro em primeira/terceira pessoa
Disponível para: PC, PS2, Xbox

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.