Crítica | Star Wars: Before the Awakening, por Greg Rucka

estrelas 4

Série Literária: Jornada para Star Wars: O Despertar da Força
Planetas:
Jakku, Sistema Uvoss, Mirrin Prime, Indefinidos
Tempo: Alguns dias antes de O Despertar da Força

Fenômeno de crítica e bilheteria, todos nós adoramos Star Wars: O Despertar da Força. Porém, todos nós sentimos falta de alguma coisa ali, preenchimentos de história que começam agora a vir no novo cânone da saga, supervisionado de perto pela Disney. Além da nova trilogia da Aleph, antes da estreia do novo filme tivemos Before the Awakening, de Gregg Rucka, mais conhecido por trabalhos na DC Comics (mas também por pequenas histórias no universo de George Lucas), uma das peças essenciais de Jornada para Star Wars: O Despertar da Força.

O livro, com público-alvo enxergado na faixa etária de 12 anos, nos apresenta a três histórias anteriores ao início de O Despertar da Força, protagonizadas pelos novos protagonistas: a sucateira Rey, o stormtrooper Finn e o piloto Poe Dameron. Com esse público em mente, não podemos esperar uma linguagem muito elaborada, nem temas muito profundos, mas o resultado é bastante eficiente.

A primeira história nos leva até o campo de treinamento da Primeira Ordem, onde FN-2187 está nos estágios finais de simulação, prestes a ser mandado em sua primeira missão oficial, acompanhado dos colegas apelidados de Zeroes e Nines. O interessante aqui é observar a grande ironia, já que a imponente Capitã Phasma enxerga em FN-2187 o potencial para se tornar o maior soldado da organização, dada sua determinação e habilidades de líder. Porém, sabemos bem que este acaba por desertar a Primeira Ordem no começo do filme, um desejo que começa a florescer no protagonista em pequenos momentos, como sua ignorância às reverências feitas ao Líder Supremo Snoke ou sua negação a matar.

Só queria que Rucka diminuísse nos detalhes durante as cenas de luta (os stormtroopers treinam com armas de choque, é o retorno do TR-8R!), e talvez um pouco mais de participação do General Hux ou de Kylo Ren. Porém, agrada, especialmente por finalizar alguns momentos antes da invasão de Jakku que abre o filme.

Por falar em Jakku, é onde a segunda história nos leva e nosso foco se vira para Rey. Se desenrolando em mais páginas do que a anterior, o conto da sucateira nos entretém com mais informações e detalhes sobre o sofrido cotidiano da jovem sucateira nas dunas e ferros-velhos de Jakku. O centro da história é sobre um valioso achado da jovem no deserto: uma grande nave espacial ainda funcional, mas danificada. Durante as semanas em que passa consertando o motor hyperdrive para que possa vender ao comerciante Unkar, ela recebe a ajuda de outros dois sucateiros. Assim, Rucka cria um constante clima de paranóia e desconfiança aqui, já que Rey constantemente teme que seus colegas lhe roubem a nave.

Star Wars Before the Awakening-CAPA

Como todos assistimos a O Despertar da Força, sabemos bem que Rey ainda está em Jakku no começo do filme, então não deveria ser uma surpresa tão grande quando a história atinge seu inevitável desfecho. Mas a prosa bem conduzida de Rucka é eficiente e prende o leitor, que certamente termina o conto com grande pesar pela protagonista. Vale também anotar que as habilidades de pilotagem de Rey vêm de um simulador que ela mesmo construiu em seu refúgio, além de aprendermos como ela conseguiu seu óculos contra areia e que o speeder em forma de sorvete é outra invenção sua. Ou seja, mecânica corre forte no sangue dos Skywal… Bem, vocês entenderam.

A última história é centrada em Poe Dameron, revelando-se como a mais complexa e detalhada. Aprendemos mais detalhes sobre o que acontece entre O Despertar da ForçaO Retorno de Jedi, com a informação de que os pais de Poe – Shara Bey e Kes Dameron – foram pilotos rebeldes durante a Batalha de Endor. A sensação de ter tido o serviço de seus pais desperdiçado (com a crescente ascenção da Primeira Ordem) é o que motiva Poe, cujo talento nato para pilotagem também é explorado em um flashback. A relação entre a Nova República e a Resistência fica um pouco mais clara, com o grupo militar da General Leia Organa agindo sob ordens bem diferentes da do Senado Galáctico, que tolamente ignora a ameaça da Primeira Ordem. Outra curiosidade, é que Poe começa como um piloto da República, sendo então “promovido” para o grupo mais underground.

A maior porção da história concentra-se no piloto e seu esquadrão tentando recuperar um cargueiro roubado por forças que eles presumem ser piratas, mas logo reveladas como o grupo do Supremo Líder Snoke. Com muitos detalhes visuais e uma prosa mais interessante do que a da aventura de Finn, Rucka torna a história envolvente e divertida, além de terminar já com o pé na porta dos eventos iniciais de O Despertar da Força.

Longe da complexidade que alguns podem esperar, Before the Awakening traz algumas poucas respostas quanto à nebulosidade da galáxia que a Disney revisita em sua nova era de Star Wars, mas é muito bem sucedido ao oferecer mais momentos com os excelentes novos personagens que J.J. Abrams e Lawrence Kasdan trouxeram para o novo filme.

Before the Awakening (Journey to the Force Awakens)
Lançamento no Brasil:
 Não lançado quando da publicação da presente crítica
Autor:
 Greg Rucka
Ilustrações: Phil Noto
Lançamento nos EUA: 18 de Dezembro de 2015
Editora nos EUA: Disney – LucasFilm Press
Páginas:
240

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.