Crítica | Star Wars: C-3P0 (Marvel – 2016)

estrelas 3,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Planeta inominado
Tempo: 34 d.BY, entre O Retorno de Jedi e O Despertar da Força

Independente de qualquer outra consideração, a única razão para C-3PO ter aparecido com o braço esquerdo na cor vermelha em O Despertar da Força pode ser resumida em uma expressão: jogada de marketing. Afinal, o “mistério” funcionaria para gerar perguntas sem respostas, aumentar o hype e gerar burburinho pelas redes sociais. Além disso, a mudança estética permitiria vender mais produtos com o personagem, já que seria a versão “diferenciada” do filme e, claro, justificaria a publicação objeto da presente crítica que tem como objetivo explicar exatamente o que aconteceu.

Mas o leitor que tiver essa curiosidade (ou, como eu, simplesmente precisa ser todo os quadrinhos de Star Wars) terá duas sortes. A primeira e mais importante é que Star Wars: C-3po é uma edição isolada, um one-shot, não uma minissérie. A segunda – que é uma surpresa – é que, por mais caça-níquel que seja a edição, ela não é ruim e permite alguns agradáveis minutos lidando com o androide de protocolo mais chato do mundo.

star_wars_c3po_capa_plano_criticoO roteiro de James Robinson – intitulado “O Membro Fantasma” ou, no original, The Phantom Limb, que faz brincadeira ao mesmo com o título A Ameaça Fantasma e com o título e com o braço prostético vermelho de Venon Snake em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain – coloca o droide dourado e vários outros droides de naturezas diferentes em uma planeta isolado depois que a nave em que voavam sofre um acidente e todos os humanos morrem. A missão em que estavam consistia em levar O-MR1, ou OMRI, droide de protocolo da Primeira Ordem, para interrogatório pela Resistência de forma que seja possível descobrir onde o Almirtante Ackbar está preso. Isolados de tudo e de todos, sem comunicação e substancialmente perdidos, o grupo hesitantemente liderado por C-3PO começa então sua jornada até um sinal de emergência detectador por ele que poderia atrair resgate.

A estrutura narrativa é simples, mas eficiente. Cada droide tem sua função – soldado, guarda-costas, “empihadeira” etc. – e cada um faz sua contribuição para lidar com os perigos do caminho, sendo destruídos no processo. A oportunidade que o roteiro tem é lidar com os “sentimentos” de todos os seres metálicos, especialmente C-3PO que, aos poucos, constrói laços mais fortes com OMRI. Dilemas morais são discutidos sobre as memórias apagadas da dupla de inimigos quando OMRI teoriza que, um dia, considerando que ele é da mesma geração vintage de C-3PO, ele pode ter lutado ao lado dos Rebeldes/Resistência e que não haveria então razão para eles agora serem de lados opostos. A natureza da subserviência dos droides em relação aos humanos também ganha breve comentário, mas nada é realmente aprofundado.

No final das contas, a história justifica muito bem o braço vermelho de C-3PO, algo que, no filme, causa estranhamento por não fazer o menor sentido lógico (afinal, o que teria impedido que o braço tivesse recebido uma demão de tinta dourada?) e, apesar de a informação em si não acrescentar absolutamente nada de essencial e relevante para a narrativa geral, cria um improvável momento intimista entre seres robóticos que é terno e divertido. É quase como um daqueles filmes antigos de Sessão da Tarde que víamos repetidamente quando criança, só que em forma de quadrinhos e com máquinas no lugar de humanos.

SPOILERS

Para quem não quiser ler a edição, o braço vermelho é de OMRI, que cria laços de amizade robótica com C-3PO e, ao final, se sacrifica por ele ao enfrentar uma chuva ácida (literalmente) para recuperar o sinal de emergência. Apesar de OMRI ser prateado, quando o ácido começa a fazer efeito, ele mesmo descobre, para sua surpresa, que sua cor original era vermelha. O braço, assim, fica como uma lembrança de OMRI que C-3PO faz questão de manter no original e usar como seu próprio braço depois de perder o seu original na história.

FIM DOS SPOILERS

A arte e cores ficaram ao encargo de Tony Harris, que faz um trabalho muito bonito aqui não só criando droides inéditos com muita personalidade, como dando credibilidades à união entre C-3PO e OMRI em um ambiente hostil crivado de detalhes e criaturas bizarras. Harris trabalha muito os detalhes de fundo de cada painel e se diverte na diagramação das páginas, mantendo a atenção e a curiosidade pelo que acontecerá em seguida.

Star Wars: C-3po é completamente supérfluo e um claro caça-níquel. Mas, ao mesmo tempo e por mais incongruente que possa parecer, é uma armadilha que temos prazer em cair.

Star Wars: C-3P0 (EUA, 2016)
Roteiro: James Robinson
Arte e cores: Tony Harris
Letras: Joe Caramagna
Data de publicação original: 13 de abril de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Páginas: 31 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.