Crítica | Star Wars: Chewbacca #1 a #5 (Marvel – 2015)

estrelas 3,5

Espaço: Andelm-IV (Orla Exterior)
Tempo: A Rebelião – Alguns meses após a Batalha de Yavin

Com a aquisição da Lucasfilm pela Disney, o longevo contrato da empresa criadora de Star Wars com a Dark Horse Comics chegou a um fim. A estratégia fazia todo sentido, pois a Marvel, também adquirida pela Disney, tornara-se o braço editorial do conglomerado e Star Wars, então, voltou para sua casa original, já que os primeiros quadrinhos da saga espacial foram publicados de 1977 até 1987 pela própria Marvel.

Apagando tudo o que foi publicado antes de 2015 do cânone, a Marvel começou literalmente do zero, escolhendo o formato de duas séries principais contínuas passadas no mesmo período da história da saga – Star Wars e Darth Vader – cercada de “minisséries-satélite” também no mesmo período, em sua maioria, além de outras em épocas diferentes. Com isso, a Marvel garantiu variedade e conseguiu atrair um bom número de bons escritores e desenhistas para seu projeto.

Com isso, vários personagens que normalmente não são trabalhados em séries solo ganharam os holofotes. A Princesa Leia foi a primeira, seguida de Kanan (da série Rebels), Lando Calrissian, Obi Wan & Anakin, Han Solo, Poe Dameron e também, claro, Chewbacca.

Não é a primeira vez que o braço direito de Han Solo tem tratamento assim, já que a Dark Horse Comics foi pródiga e extremamente abrangente nos seus mais de 20 anos a frente da série. Mas é sempre curioso ver como se sai um autor com uma HQ focada em Chewbacca, considerando que ele fala apenas no que para nós são grunhidos e sua pelagem espessa dificulta expressões faciais.

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No caso do trabalho de Gerry Duggan, sua opção foi a simplificação. Mas calma, pois obras simples não necessariamente equivalem a obras ruins. Duggan trabalha despretensiosamente, logo colocando Chewbacca, preso no planeta Andelm-IV depois que tem problemas com sua nave, ao lado de uma menina espevitada chamada Zarro que, não demora, arregimenta o gigantesco Wookiee para ajudá-la a salvar seu pai das garras do gângster Jaum, que obriga a população local a trabalhar em uma mina para extrair mineral importante para o Império.

A estrutura é linear e o que realmente interessa é a relação divertida e quase paternal entre Chewbacca e Zarro. A jovem é nosso interlocutor, nosso “tradutor” dos grunhidos da língua do herói da Batalha de Yavin e, depois de um breve estranhamento inicial,  logo o leitor é aconchegado no conforto de uma história terna e leve, mantendo o espírito do que faz de Star Wars o magnífico e criativo universo que é. Temos um pouco de ação, bons momentos de comédia, Chewbacca derrubando vilões na mão e também com seu inseparável blaster em formato de besta e, no geral, uma ótima sensação de “Sessão da Tarde”. Tem até uma ótima revelação sobre um momento específico bem ao final de Uma Nova Esperança, na cerimônia das medalhes, que sempre chamou a atenção dos fãs e que trará sorrisos certos aos rostos dos leitores.

A arte ficou ao encargo de Phil Noto, que trabalhou no volume 5 de Viúva Negra e também na edição solo de Poe Dameron. Usando “pintura digital”, o artista empresta um ar mais artesanal a seus desenhos, algo que pode gerar estranheza em um primeiro momento, mas que funciona para a proposta da série, que preza pela simplicidade e objetividade. As cores, também de Noto e também digitais, às vezes geram sombras na pele do personagem que me incomodaram em particular, mas que não atrapalham a experiência como um todo. É interessante como a paleta de cores, toda ela em tons de terra, emulando a dificuldade da vida de Zarro e também a cor do pelo do protagonista, alterna para tons verde-azulados nos breves flashbacks silenciosos sobre o passado de Chewbacca. Econômico no uso de splash pages, Noto sabe usar a progressão de quadros a favor da história, mesmo que ele não empregue muita criatividade neste quesito. A simplicidade, aqui, facilita sobremaneira a leitura, que é rápida e pouco exigente, justamente o que a veia leve do roteiro de Duggan quer passar.

Chewbacca é uma adição divertida às minisséries de Star Wars. Não é uma história particularmente memorável ou instigante, mas cumpre seu papel de focar no grandalhão peludo que todos nós amamos.

Star Wars: Chewbacca #1 – 5  (EUA, 2015)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Phil Noto
Cores: Phil Noto
Letras: Jordan White
Editora original: Marvel
Datas originais de publicação: 14 de outubro a 30 de dezembro de 2015
Editora no Brasil: Ainda não publicado.
Páginas: 112

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.