Crítica | Star Wars: Dark Disciple, de Christie Golden

estrelas 2

Espaço: Coruscant, Dathomir
Tempo: Entre os acontecimentos dos Episódios II e III.

Dark Disciple, escrito por Christie Golden, é parte de um limitado grupo de obras que pertencem ao novo cânone de Star Wars. O livro pode ser considerado como um herdeiro da queridinha dos fãs, The Clone Wars, já que ele inicialmente foi concebido para ser um roteiro da animação. Como a série foi cancelada prematuramente, apesar de ter seis temporadas, a história nunca chegou a ser produzida.

Adaptar uma obra que pertence à outra mídia é sempre uma missão muito difícil, e esse foi o maior desafio de Christie Golden com esse livro. Os apelos que um espectador da série aceita não são facilmente aprovados por um leitor, já que a literatura exige uma complexidade maior quanto aos personagens, seus conflitos e decisões. Outro aspecto importante é o ritmo, em uma animação produzida para TV tudo acontece muito rápido devido ao tempo de duração (vinte minutos), e ao formato, que deixa sempre algo em aberto no último ato para garantir a audiência.

O livro conta a história de Quinlan Vos, um Jedi que tem uma das missões mais importantes de toda a Guerra dos Clones, matar Conde Dookan. Porém, o conselho acredita que essa missão é muito pesada para uma pessoa carregar sozinha, então tomam uma decisão controversa, se aliar com uma das suas maiores inimigas, que, por sua vez, também foi traída pelo Conde, Asajj Ventress.

Asajj é uma assassina, criada pelas Night Sisters, um grupo de bruxas que usa o Lado Negro para ganhar poder. Ela também já foi, por um curto período, discípula de Dookan, que teve de traí-la pois seu mestre Darth Sidious não concordava com a presença da mesma na sua ordem. Se Ventress não é mais fiel à sua ordem, Quinlan é, mesmo sendo muito diferente da figura de Jedi que estamos acostumados, se aproximando mais de um malandro do que de um cavaleiro da paz.

O nome Dark Disciple é justificado no livro, pois Asajj acha que se prendendo aos paradigmas do Jedi, Quinlan nunca conseguirá cumprir sua missão, então, depois de muito brigar e argumentar, consegue treiná-lo e ensiná-lo nos caminhos do Lado Negro da Força. Não demora muito para que ambos se apaixonem, o que faz com que Vos questione ainda mais sobre a forma que o conselho lida com os sentimentos.

No início escrevi que o maior desafio de Golden era o de adaptar um roteiro para um livro e, infelizmente, a autora não vai bem nessa missão. Ela nos entrega diálogos interessantes, principalmente nos momentos em que vemos o conselho discutindo atitudes dele mesmo, como o fato de tentar matar alguém, já que os Jedi não matam. Porém o que é bom fica só nos diálogos.

Existe um termo chamado suspensão de descrença, ele se refere a boa vontade do receptor em aceitar aquilo que lhe é proposto dentro de uma narrativa. Quando a trama é bem feita, o leitor esquece o porque os personagens fazem aquilo, ele simplesmente é envolvido dentro da história e curte aquela aventura. Christie Golden não soube convencer seus leitores nesse livro, com toda certeza isso se deve ao fato da obra pertencer originalmente a outra mídia.

O apelo que funciona no público de animações de TV é muito mais raso do que em um leitor, já que na animação tem muito menos tempo. O tempo, que no audiovisual é rápido, na literatura deve ser mais cadenciado, pois são os detalhes que compõem toda a história. O livro tem 400 páginas, mas delas mais que a metade são completamente nulas dentro da história que a autora queria contar.

No final, Dark Disciple é um livro que não tem cara de livro, mesmo tendo alguns momentos que são bem interessantes. Christie Golden apresenta situações que não convencem, personagens que não cativam e uma narrativa confusa, principalmente nos momentos de ação, tão importantes para a trama. Seria muito mais sábio publica-lo como um roteiro que nunca foi filmado, do que torna-lo enfadonho em transforma-lo em um livro.

Dark Disciple — EUA, 2015
Autora: Christie Golden
Publicação original: 2015
Editora original: Del Rey Books
Editora no Brasil: ainda não publicado até o a data de publicação da crítica
Páginas: 400

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".