Crítica | Star Wars: Darth Vader #1 e 2 (Marvel – 2015)

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estrelas 4

Espaço: #1 – Tatooine (Palácio de Jabba e deserto), Coruscant (Palácio Imperial), Estrela da Morte (flashback), Cymoon 1 (flashback), Star Destroyer em órbita de Coruscant; #2 – Espaço Profundo em local não especificado, Star Destroyer Annihilator, “Extreme Edge of the Outer Rim” (base pirata).
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

O segundo título no Universo Star Wars lançado pela Marvel Comics depois que os direitos da Dark Horse Comics expiraram ao final de 2014 é dedicado exclusivamente a Darth Vader, um dos mais icônicos vilões da História do Cinema. Foi uma escolha calculada, claro, já que a fama do personagem é enorme e só isso já geraria interesse por parte dos fãs antigos e novos.

darth vader 1Da mesma forma, a escolha da época em que se passa a história foi baseada no grau de familiaridade do público e das possibilidades que o período representa. A Batalha de Yavin – a que resultou na destruição da Estrela da Morte ao final de Guerra nas Estrelas – aconteceu há pouco tempo. Os rebeldes estão ouriçados pela vitória e o Império, por outro lado, está balançado com a derrota. O próprio Darth Vader está desacreditado perante o Imperador e precisa se provar novamente. Com isso, as possibilidades são as mais variadas possíveis e Kieron Gillen (creditado erroneamente no primeiro número como Keiron…) faz bom proveito disso.

E é interessante notar que, apesar da relevância e participação ativa do Lorde Sith também em Star Wars, o título principal desse universo na Marvel, a narrativa em Darth Vader é paralela, com referências explícitas aos primeiros dois números da outra publicação. Outra medida esperta economicamente, pois leva o leitor a procurar ambos os títulos para entender a história completamente. No entanto, só para ficar claro: Darth Vader tem vida própria e pode ser acompanhado independentemente dos acontecimentos em Star Wars.

O que Gillen faz é examinar a cabeça de Darth Vader, o que se passa debaixo daquele temível capacete negro. Aprendemos que o vilão, apesar de seguir as instruções do Imperador, tem sua própria agenda. Ele deseja descobrir quem é o jovem que destruiu a Estrela da Morte e que ele enfrentou, ainda que brevemente, em Star Wars #2. Ao mesmo tempo, depois de ser rebaixado e ser obrigado a trabalhar sob as ordem do Grand General Cassio Tagge (Estão lembrados dele? Trata-se do oficial da Estrela da Morte original que faz comentários jocosos sobre A Força em Guerra nas Estrelas e é quase morto por Darth Vader com seu force choke), Vader maquina uma maneira de mostrar seu valor ao Imperador e não esconde seu descontentamento em relação a Tagge que, por sua vez, não perde oportunidade de provocar o ex-Skywalker.

darth vader 2A relação entre Tagge e Vader é, sem dúvida, o ponto alto desses dois primeiros números. Eles são inimigos mortais, mas que têm que trabalhar juntos – pelo menos aparentemente – em prol de um único objetivo. Os diálogos entre os dois são mordazes e prenunciam um potencial final trágico para o general. Vader, por sua vez, já no primeiro número alista os serviços de dois caçadores de recompensa, Bobba Fett (lógico) e Black Krrsantan, esse último um gigantesco e ameaçador Wookie de pelo negro e cicatriz no lado esquerdo do rosto e que foi criado especificamente para essa série, para que seus planos sejam levados a cabo. Eles não aparecem no segundo número e confesso que fiquei curioso para descobrir como é que Gillen conseguirá abordar suas respectivas missões (são separadas, para tornar tudo mais complicado) sem quebrar o ritmo ou tirar o foco de Darth Vader. Não seria mal um título dedicado a Bobba Fett ou genericamente a “caçadores de recompensa”, mas ele não foi anunciado, pelo que, parece que Gillen tratará de tudo dentro do espaço confinado de seu título.

De toda forma, o primeiro número é econômico em ação. Serve para estabelecer a relação entre Vader, o Imperador e Tagge e a dar os primeiros passos aos planos escusos do Lorde Sith. Mesmo assim, o número é bem sucedido em sua empreitada e cria situações e mistérios suficientes para segurar a atenção do leitor, com um belo painel final que faz referência ao passado remoto de Anakin Skywalker.

No segundo número, Gillen não perde tempo e já começa com ação, tendo Vader no centro da atenções pilotando seu TIE Advanced x1 e comandando seu Esquadrão Negro (a mesma estrutura que vemos durante a Batalha de Yavin). Ele luta contra piratas espaciais e o foco desse número é mesmo no desbaratamento dessa quadrilha que, sob o ponto de vista narrativo, só existe para expandir os planos de “virada de mesa” de Vader. É aqui que a dinâmica Vader-Tagge é fortemente expandida, com momentos memoráveis de farpas voando entre os dois, o que revela um bom domínio de cadência de diálogos por parte do roteirista.

A arte ficou ao encargo de Salvador Larroca que faz um ótimo trabalho de recriação do Universo Star Wars. Seu Vader não é tão imponente fisicamente, espelhando o que vemos em Guerra nas Estrelas e Tagge tem feições que lembram apenas de longe o ator do filme (Don Henderson). Dessa forma, ele foge um pouco da estrutura mais burocrática e formulaica que vemos na arte de John Cassaday em Star Wars. Seus traços para Bobba Fett, Jabba O Hutt, além da criação de Black Krrsantan emprestam vigor ao trabalho, com excelentes cores de Edgar Delgado.

Em resumo, Star Wars: Darh Vader é um grande acerto da Marvel, algo necessário para o sucesso de seu projeto de longo prazo agora que retomou os direitos sobre esse fascinante universo.

Sobre a nota, ela é geral, para os dois números. Mas eu daria 4 estrelas para o primeiro número e 4,5 estrelas para o segundo.

Star Wars: Darth Vader #1 e 2 (Idem, EUA – 2015)
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Salvador Larroca
Cores: Edgard Delgado
Letras: VC’s Joe Caramagna
Datas originais de publicação: #1 (11 de fevereiro de 2015), #2 (25 de fevereiro de 2015)
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Páginas: 32 (#1), 23 (#2)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.