Crítica | Star Wars: Darth Vader #16 a 19 e Anual #1: A Guerra Shu-Torun (Marvel, 2015 – )

estrelas 4

Obs 1: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação e, aqui, o crossover A Queda de Vader.

Obs 2: Leiam, aqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Shu-torun, Coruscant
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Assim como aconteceu com a publicação principal da Marvel no Universo Star Wars, o terceiro arco de Darth Vader começa com um Anual, mas, aqui, no lugar de algo razoavelmente apartado da narrativa principal como normalmente são os Anuais, Kieron Gillen escreve o que pode ser visto, na verdade, como a primeira parte do arco, que foi intitulado como A Guerra Shu-torun (tradução livre de The Shu-torun War). Trata-se de uma saída boa para a impossibilidade de tirar Vader do foco e compensa os parcos quatro números dedicados ao arco propriamente dito.

Gillen cria um fascinante mundo tomado de lava em sua superfície (até aí, nenhuma novidade), mas repleto de gigantescos castelos medievais tecnológicos subterrâneos que fazem dobradinha como refinados clãs de mineração de um metal muito desejado pelo Império. O roteirista tem o cuidado de estabelecer uma ótima e detalhada mitologia para o planeta Shu-torun, governado por um rei idoso com três filhos e populado por diversos baronatos centenários. No anual, o rei e os barões aproveitam uma visita de Darth Vader ao planeta, procurando descobrir porque os tributos em minério não estão sendo pagos com a mesma eficiência, para armar uma armadilha para o Lorde Sith. Acompanhado dos divertidos droides sádicos e assassinos da Doutora Aphra (capturada pela Rebelião ao final do crossover A Queda de Vader), o lacaio  do Imperador, é claro, tem um plano para virar o jogo e colocar no poder a filha mais nova do rei, uma relutante aliada.

Quando o arco em si começa, apesar do estabelecimento do governo da recém-coroada Rainha Trios, o planeta está em guerra, com os baronatos contra o Império e o governo. Darth Vader, então, é enviado para lá pelo Imperador, juntamente com Cylo, responsável pelo que o Lorde Sith chama de aberrações cibernéticas, incluindo o recém-assassinado Mon Calamari Karbin. A trama caminha em três frentes, com Vader manobrando a rainha de acordo com suas estratégias de guerra, tentando comprovar que Cylo é traidor e, ao mesmo tempo, contratando caçadores de recompensa para localizar a Doutora Aphra, viva ou morta.

O terceiro vértice das narrativas simultâneas não é muito explorado, pois o leitor que acompanha as duas publicações sabe do fim da personagem pela outra revista. Portanto, o que realmente toma as páginas é a guerra que dá nome ao arco e Cylo agindo nas sombras, por intermédio dos gêmeos “Jedi” Morit e Aiolin, que funcionam como ajudantes de Vader em combate. Gillen ainda abre espaço para os droides assassinos de Aphra, com um bom uso dos inúteis droides produzidos em massa na Trilogia Prelúdio, agora como eficientes minions de Triplo Zero e BT-1, que se divertem com a chacina.

Assim como nos arcos anteriores, o nível de poder de Vader é demonstrado em sua plenitude, mas Gillen foca, aqui, em sua mente estratégica e em sua habilidade de combate corpo-a-corpo e não no uso da Força como em A Queda de Vader. É particularmente sensacional o momento em que ele, sem pestanejar, lida com um “submarino de lava” que começa a atacar um santuário da Rainha Trios, levando os gêmeos a tira-colo mais como uma diversão do que qualquer outra coisa.

Considerando que esse é o penúltimo arco dessa primeira série de Darth Vader pela Marvel Comics (seu encerramento se deu, lá fora, na edição #25), começamos a testemunhar a volta do Lorde Sith aos favores do Imperador, que o culpara pela destruição da Estrela da Morte em Uma Nova Esperança. Muito provavelmente, o que será visto ao final é Vader plenamente restabelecido como o pupilo preferido de Palpatine, já abrindo as portas para O Império Contra-Ataca.

A arte do Anual ficou ao encargo de Leinil Yu, que desenha Vader de maneira estranhamente imponente em uma história que ganha fluidez graças ao uso de boas splash pages e quadros que sangram de um para o outro. Este, porém, não é o estilo de Salvador Larroca, que coloca Vader como uma figura grande, mas quase maior que a vida como Yu faz, encaixando-o melhor no ambiente à sua volta. Larroca também consegue imprimir um tom mais ameaçador ao vilão, trabalhando muito bem gestos e enquadramentos, ainda que por vezes ele confunda o leitor quando a ação começa a se intensificar. Isso fica mais evidente no combate entre Vader e os gêmeos em um mar de lava, em que há dificuldade em entender exatamente o que se passa.

A Guerra Shu-torun é mais um bom arco que vem ajudar a solidificar a presença ameaçadora e o nível de poder de Darth Vader, corrigindo os exageros do crossover e abordando seu lado mais estrategista frio. O encerramento desta primeira saga do vilão sob a bandeira da Marvel promete!

Star Wars: Darth Vader #16 a #19 e Anual #1 (Idem, EUA – 2016)
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Leinil Yu (Anual), Salvador Larroca
Arte-final: Gerry Alanguilan (Anual)
Cores: Jason Keith (Anual), Edgar Delgado
Letras: Joe Caramagna
Datas originais de publicação: fevereiro a junho de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (em andamento, com a publicação do #16 quando do lançamento da presente crítica)
Páginas: 32 (Anual), 23 (cada edição remanescente)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.