Crítica | Star Wars: Darth Vader #20 a 25: Fim dos Jogos (Marvel, 2015 – )

estrelas 4,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação, aqui o crossover A Queda de Vader eaqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Kuat, Anthan 13, Loth Minor (Wreck Belt), Nebulosa Crushank, Estepes Cosmatanic, Executor (Super Star Destroyer), Nave-Mães de Cylo, Mustafar (em sonho/transe)
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

E então, 25 números depois, a primeira publicação solo de Darth Vader na Marvel Comics acaba. E acaba bem, com um arco que lida com todas as pontas soltas dos arcos anteriores, aborda o passado do Lorde Sith e o prepara para os eventos de O Império Contra-Ataca.

Olhando para trás, o plano de Kieron Gillen no leme fica claro: ele queria mostrar como Vader, saindo de uma derrocada gigantesca ao final de Uma Nova Esperança, caiu novamente nas graças do Imperador. Mais do que isso até, pois talvez o objetivo maior tenha sido fazer o que sem dúvida fica nas entrelinhas da Trilogia Original e até na Trilogia Prelúdio, mas que nunca havia sido abordado antes dessa maneira, mesmo no Universo Expandido pré-aquisição da Lucasfilm pela Disney, ou seja, o grau de poder e de frieza do vilão. Quem acha que Darth Vader – ainda sem armadura – teve seu grande momento do lado negro quando, fora das telas, matou aqueles pequenos padawans em A Vingança dos Sith, não faz ideia do que ele foi capaz sob a batuta de Gillen, algo que fica ainda mais claro nesse encerramento que ao mesmo tempo é épico em muito pessoal.

Fim dos Jogos (tradução livre de End of Games) tem uma premissa básica: Vader sai em uma furiosa caçada a Cylo, o cientista que cria armas biotecnológicas para o Imperador, depois de indiretamente enfrentá-lo algumas vezes anteriormente. Sem estragar a surpresa para ninguém, o arco começa com o Imperador finalmente explicando o exato papel de Cylo para o Império e autorizando a referida caçada, já que, no arco anterior (A Guerra Shu-torun), ele havia sido desmascarado como traidor. Assim como no crossover A Queda de Vader, Gillen empresta à Vader aquela postura absolutamente confiante e terrivelmente destruidora, com níveis de poder nunca antes vistos. Na verdade, poder não. Habilidades. A Força é bem utilizada no arco, mas ela não é proeminente e nem empregada de maneira deus ex machina a cada página. Vader faz muito mais uso de sua inteligência e de seu sabre de luz do que qualquer outra coisa, liquidando todos os seus inimigos com aquela sua típica arrogância. E isso, posso garantir, é muito divertido.

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Enquanto Vader sai atrás de Cylo, vemos, paralelamente, Triplo Zero e BT-1, os droides assassinos que agora obedecem ao Lorde Sith, liderando uma pequena equipe formada por battle droids antigos da Federação de Comércio (Roger, roger!) e Black Krrsantan, o wookie de pelo negro e cicatriz no rosto, para caçar a Doutora Aphra, última vez vista ao final do arco Prisão Rebelde de Star Wars. São duas histórias simples em seu âmago, mas bem executadas paralelamente até a convergência final na última edição. Gillen se esforça para não deixar nada solto, nada fora dos eixos e, principalmente, nada inconsistente com a mitologia de Darth Vader estabelecida pelos filmes. Cada personagem novo criado para esta série tem seu fim. Seja pelo sabre ou o manejo da Força por Vader, seja por qualquer outro meio disponível para torná-lo invisível o suficiente em relação a acontecimentos que sabemos que acontecerão.

Além disso, Gillen efetivamente acrescenta à mitologia de Vader, fazendo uma importante conexão conexão de Cylo com ele e, principalmente, ao dedicar quase uma edição inteira a uma “visão da Força” enquanto Vader está paralisado. Neste ponto, surpreendentemente, voltamos para o momento em que Anakin, sem suas pernas e um braço, está queimando e sendo observado por Obi-Wan em Mustafar. O autor, então, faz aquilo que George Lucas jamais foi realmente capaz de fazer no filme em questão, que é lidar com o lado negro que toma Anakin completamente e o transforma em Vader. São algumas páginas que conseguem ser muito mais eficientes do que um filme inteiro e que dão estofo ao poder e à vilania do personagem.

Emoldurando o arco, há duas histórias secundárias na primeira e na última edições. Na primeira, vemos uma aventura solo de Triplo Zero e BT-1 em que o primeiro visita um amigo de Aphra para obter novos e mais mortais braços mecânicos. Trata-se de um conto divertido, mas, em última análise, inconsequente. Na segunda, que não é exatamente uma história secundária, mas sim um epílogo, Kieron Gillen nos leva de volta à aldeia de Tusken Raiders que Vader aniquila nos quadrinhos (não a do filme) e, sem nenhum balão de fala, nos leva a uma viagem muito interessante pela mente dessa misteriosa raça para um desfecho aterrador e que se encaixa muito bem com tudo o que vimos sobre Vader ao longo dos quatro arcos e mais um crossover.

Se Gillen podia ter continuado com a publicação? Sim, com certeza. Mas o que vem em seguida – até O Império Contra-Ataca, pelo menos – poderia ser abordado em forma de minisséries na medida do necessário e eventualmente até com outras mentes criativas. Gillen cumpriu sua tarefa com louvor ao levar Vader da desgraça à glória perante o Imperador, ao mesmo tempo deixando bem claro quem exatamente ele é, ao menos nesse período de devoção total ao Lado Negro da Força.

Star Wars: Darth Vader #20 a #25 (Idem, EUA – 2016)
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Salvador Larroca, Mike Norton (história secundária da edição #20), Max Fiumara (história secundária da edição #25)
Cores: Edgar Delgado, David Curiel (história secundária da edição #20), Dave Stewart (história secundária da edição #25)
Letras: Joe Caramagna
Datas originais de publicação: julho a dezembro de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (publicação ainda não iniciada quando do lançamento da presente crítica)
Páginas: 32 (#20), 22/23 (#21 a #24), 46 (#25)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.