Crítica | Star Wars: Darth Vader #3 a 6 (Marvel – 2015)

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estrelas 5,0

Espaço: Mundo Quarentena III (Espaço Kallidahin), espaço indefinido (à bordo da nave Ark Angel), Geonosis, Orla Exterior (base de Cylo IV-V)
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Jamais imaginaria o caminho que Kieron Gillen seguiria na publicação solo de Darth Vader. Afinal, os dois primeiros números (a crítica pode ser lida aqui), apesar de estabelecerem uma espécie de rebaixamento do Lorde Sith aos olhos do Imperador, não apontava, de forma alguma, para o frescor quase camp que o autor segue a partir do terceiro número ao parear Vader com uma arqueóloga de armas.

Sim, o grande Darth Vader arruma uma sidekick, a jovem Doutora Aphra, que vive a vida de recuperar armas das mais diversas naturezas, roubando-as de onde tiverem que ser roubadas. Uma espécie de Indiana Jones feminina espacial do mal. Vader a recruta para que ela crie um exército secreto para ele de maneira que ele possa executar seus planos para descobrir quem é o jovem piloto que destruiu a Estrela da Morte em Uma Nova Esperança e qual é o estratagema escuso do Imperador.

A dinâmica entre os dois é excelente, no estilo buddy cop, em que Aphra é falastrona e uma verdadeira admiradora de Vader, apesar de saber que corre perigo de vida e Vader, por seu turno, não quer saber de falar com ela, apenas de conseguir o que quer. O tom ameaçador do Lorde Sith, então, ganha equilíbrio com a presença de Aphra graças aos diálogos bem humorados na medida certa de Gillen, que acrescentam dimensão aos personagens, sem, no entanto, trair a essência de quem é Darth Vader.

Mas, além dessa dupla improvável, Gillen acrescenta à narrativa dois personagens robóticos que são, respectivamente, o anti-C3P0 e o anti-R2D2, o primeiro chamado Triplo-Zero e, o segundo, BT-1. Triplo-Zero é um androide de protocolo exatamente como C3P0, mas, além de ser especialista em línguas, é um exímio torturador (sim, isso mesmo!). BT-1 é um astromech como R2D2 (um blastomech como Aphra ensina) que é, na verdade, uma máquina de destruição. Podem parecer duas criações antitéticas óbvias, mas Gillen consegue criar situações críveis e divertidas com os dois, depois que o leitor se acostuma em ver maldade na figura de um C3P0 prateado.

E, como se isso não fosse suficiente para dar ótimos frutos, Gillen ainda revela os planos do Imperador para eventualmente substituir Vader com “aberrações bio-mecânicas” que  usam implantes tecnológicos para simular a Força, em algo que Vader classifica como heresia. Por mais absurda que possa ser a situação, novamente Gillen, por incrível que pareça, acerta ao não se levar completamente a sério, mas sem tornar a história uma sucessão de piadas.

Outro elemento narrativo que Gillen usa com grande reverência é a citação e recriação de situações anteriores. Em determinado momento, Vader, com ajuda de Aphra e dos androides, invadem a base de Cylo-IV, o contratado pelo Imperador para criar os potenciais substitutos de seu pupilo. Nesse momento, Gillen, com a essencial ajuda de Salvador Larroca na arte, recria a batalha inicial de Uma Nova Esperança, com direito até aos mesmos ângulos. Além disso, há toda uma sequência passada em Geonosis que não só é recheada de momentos que referenciam o passado de Vader por ali (vide Episódio II – Ataque dos Clones) como fará as mentes de fãs explodirem com piscadelas bem óbvias para um certo e amado xenomorfo.

Larroca mantém seu traço detalhista e original, criando e recriando criaturas e androides de forma prolífica e eficiente. Apesar de haver poucas sequências de combate aberto, o artista é eficiente em resumir a ação em apenas alguns quadros, que são usados para o máximo de efeito prático. Por vezes, porém, quando ele trabalha com quadros menores em grandes quantidades, a narrativa fica levemente confusa, exigindo atenção do leitor, mas não é nada que não seja mais do que compensando pela majestade de Vader nos traços de Larroca. As cores mais frias de Edgard Delgado ajudam também a trazer verossimilhança e sobriedade à uma narrativa que  poderia facilmente descambar para a brincadeira, já que Gillen anda na “corda bamba” o tempo todo, entre a seriedade que Vader exige e seus diálogos marcadamente autorais, mais leves e, talvez, pitorescos.

Star Wars: Darth Vader é quadrinho mainstream do mais alto gabarito, que não se conforma em fazer só o óbvio e, mesmo quando faz, o faz de maneira a trazer frescor e originalidade. Um trabalho surpreendente de Gillen e Larroca que é muito eficiente em nos permitir um olhar diferente sobre o tão destemido Lorde Sith.

Star Wars: Darth Vader #3 a #6 (Idem, EUA – 2015)
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Salvador Larroca
Cores: Edgar Delgado
Letras: VC’s Joe Caramagna
Datas originais de publicação: 25 de março, 08 de abril, 13 de maio, 03 de junho
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (em andamento, com a publicação do #2 quando do lançamento da presente crítica)
Páginas: 23 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.