Crítica | Star Wars: Darth Vader #7 a 12 (Marvel – 2015/6)

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estrelas 5,0

Espaço: Espaço profundo (locais indeterminados), Tatooine, Son-tuul (Orla Exterior), Anthan Prime (fronteira da Orla Exterior), Anthan 13, Anthan Prime, Naboo, Anthan 1
Tempo: A Rebelião – Poucos meses após a Batalha de Yavin (d.BY)

Anteriormente: Arco Vader, composto por Darth Vader #1 a #6, cujas críticas pode ser lidas nos seguintes links: Darth Vader #1 e #2, Darth Vader #3 a #6.

Darth Vader quer de qualquer maneira achar Luke Skywalker. Quando Sombras e Segredos, o segundo arco da série protagonizada pelo adorado vilão começa, vemos Vader, a Doutora Aphra e os droides assassinos Triplo-Zero e BT-1 em Tatooine, revisitando o que sobrou da cada dos Lars e, em seguida, da casa de Obi-Wan Kenobi, onde Luke e Boba Fett se enfrentaram na série principal do reboot em quadrinhos de Star Wars.

darth_vader_7_a_12_marvel_capa_plano_criticoÉ o início de um elaborado plano do Lorde Sith para manipular a máquina do Império para conseguir o que quer. De certa forma, o arco é uma versão galáctica de um filme de “vigaristas” (con artists), tendo Vader como o obediente servo do Imperador em sua camada externa e como o manipulador-mestre em todos os demais momentos, com Aphra servindo como sua executora.

A progressão narrativa é mesmo cinematográfica e perfeitamente lógica, especialmente considerando que a história se passa logo após Uma Nova Esperança, o que naturalmente cria algumas amarras criativas ao que pode ser feito com Vader. Mas Kieron Gillen navega bem com as restrições que têm, usando Aphra como a perfeita sidekick de Darth Vader, de forma que ela toma as rédeas da narrativa por diversas fazendo, funcionando como a extensão do vilão sempre que ações mais abertas e radicais são necessárias, como, por exemplo, quando ela recruta caçadores de recompensa Bossk (clássico e normalmente pouco aproveitado nos quadrinhos), IG-90 (uma versão vermelha do clássico IG-88), Black Krrsantan (um Wookiee de pelo negro e uma cicatriz no rosto que já havia sido apresentado na série) e o completamente inédito Beebox (uma versão anã de Boba Fett) para roubarem créditos imperiais recuperados de um mafioso pelo próprio Vader para custear suas operações escusas.

É muito divertido ver um vilão tão icônico inserido em uma história “familiar” assim, tendo que usar expedientes baixos até mesmo para ele para avançar em seu plano. Aphra continua sendo solidificada como uma grande parceira para Vader. Ela é um vilã também, claro, mas isso seria simplificar demais a personagem. Aphra tem verdadeira admiração pelo Lorde Sith. Talvez até mais do que isso. Uma curiosidade mórbida talvez explique melhor essa relação estranha e potencialmente mortal para a jovem. Ela parece precisar da adrenalina que se manter sempre andando no fio da navalha proporciona e sua posição como parceira (ok, uma “funcionária”) de Vader, permite-lhe as mais variadas experiências. Além disso, Gillen é cuidadoso ao caracterizá-la como um espírito livre, mas forte, capaz de comandar naturalmente seus subordinados e lidar com todo tipo de ação, das mais prosaicas até as mais complexas. Com isso, mesmo em números focados nela, a história mantém sua fluidez e a fala de Vader não é de fato sentida.

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Mas calma, pois Vader tem muito o que fazer. Ele precisa manter-se “de bem” com o Grand General Tagge, que o Imperador colocou como comandante de todo o Império como uma forma de castigar Vader por não ter conseguido evitar a destruição da Estrela da Morte. Pragmático e cuidadoso, Tagge não só ordena que Vader investigue o roubo que ele próprio engendrara, como também coloca o Inspetor Tanoth em sua cola, demonstrando extrema desconfiança sobre os atos do ex-Anakin Skywalker. Com isso, Gillen se diverte mantendo toda a fleuma e toda a pose de Vader em meio a um quebra-cabeças que ele precisa calmamente montar (ou desmontar, dependendo de seu ponto de vista), tendo que equilibrar diversas peças em sua mão ao mesmo tempo, em um balanço delicado.

E o que é melhor é que Gillen sabe realmente fechar seus arcos. Tanto o primeiro quanto esse segundo funcionam quase que de maneira auto-contida, mas dentro de um fluxo maior e mais amplo, contando a “história secreta” de Vader para recuperar seu prestígio com o Imperador e achar seu filho perdido. É uma pena, porém, que o autor, aqui, acabe sub-utilizando suas duas maiores criações: os droides assassinos de Aphra. O segundo arco não tem muito espaço para eles, fazendo com que acabem em funções coadjuvantes terciárias. Além disso, uma missão de Aphra em Naboo, para confirmar algo que já havia ficado sobejamento claro, soa vazia e inútil, um verdadeiro filler para aumentar o número de páginas da história.

Salvador Larroca continua seu trabalho de qualidade à frente da série, mantendo seu detalhismo na construção de painéis e quadros que capturam perfeitamente o espírito da saga Star Wars. Ele é econômico, mas preciso e vem cada vez mais ganhando confiança no desenho dos mais diversos ambientes, desde interiores de naves diferentes até exteriores em asteroides e espaço aberto. A variedade de confrontos também é abordada de forma eficiente por Larroca que, apesar de evitar o uso exagerado de splash pages, consegue criar a agilidade necessária com uma transição de quadros esperta e bem estruturada que, diferente do primeiro arco, não confunde em nada o leitor, muito ao contrário até.

Darth Vader consolida-se como talvez o melhor título da volta da propriedade Star Wars para a Marvel Comics. A ambição demonstrada por Gillen e Larroca é grande e o futuro do lado mais sombrio e misterioso de Darth Vader tem enorme potencial.

Star Wars: Darth Vader #7 a #12 (Idem, EUA – 2015)
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Salvador Larroca
Cores: Edgar Delgado
Letras: Joe Caramagna
Datas originais de publicação: setembro de 2015 a janeiro de 2016
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini Comics (em andamento, com a publicação do #9 quando do lançamento da presente crítica)
Páginas: 23 (cada número)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.