Crítica | Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma (adaptação em quadrinhos da Dark Horse Comics)

estrelas 2

Espaço: Naboo, Coruscant, Tatooine
Tempo: A Ascensão do Império – 32 anos antes da Batalha de Yavin (32 a.B.Y)

Quando A Ameaça Fantasma foi lançado nos cinemas, a Dark Horse Comics, que iniciara sua licença da franquia para quadrinhos em 1991, já estava consolidada nesse mercado. Foi a partir do dilúvio de publicações dessa editora que o Universo Star Wars sofreu extensas expansões em quadrinhos, muito além do que a Marvel (ironicamente atual editora de Star Wars e que zerou todo o cânone) havia feito a partir de 1977.

No entanto, as adaptações dos filmes da Trilogia Original feitas pela Marvel (cliquem nos títulos para ler as críticas delas: Guerra nas Estrelas, O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi) tinham, pelo menos nos dois primeiros casos, a grande vantagem de uma rédea mais solta da LucasFilm, o que acabou resultando em fantásticos exemplos de como adaptar filmes e HQs agregando informações valiosas para os leitores. Em O Retorno de Jedi, essa liberdade já fora tolhida, ainda que o resultado seja gratificante até certo ponto, mas é em A Ameaça Fantasma que reparamos o extremo controle da produtora sobre qualquer material baseado na Trilogia Prelúdio.

Sem muito para onde correr, o “adaptador” Henry Gilroy, basicamente só tem o trabalho de copiar e colar os tenebrosos diálogos escritos por George Lucas, sem tirar nem por. Não há nada nessa minissérie originalmente publicada em quatro números e que saiu no Brasil em forma de encadernado, que fuja do que vemos nas telonas e telinhas. É muito mais uma transposição do que uma adaptação propriamente dita, com direito a todos os “YIIPEEs” do insuportável Anakin Skywalker, menino “figura-de-Cristo” encontrada por Qui-Gon Jinn como aquele que trará equilíbrio para a Força enquanto as maquinações desnecessariamente complicadas do futuro Emperador Palpatine e de seu servo Sith Darth Maul se desenrolam por trás. De pisadas no cocô por Jar Jar Binks até a sequência quadri-partite ao final (Gungans contra Droides, Padmé Amidala e seus soldados contra a Federação de Comércio, Obi-Wan e Qui-Gon contra Darth Maul e Anakin no espaço), está tudo lá, intocado.

Mas, verdade seja dita, o resultado final da minissérie consegue, ainda assim, ser superior à película. Primeiro porque não temos as vozes e simplesmente não ouvir Jake Lloyd e aquela coisa ridícula saindo da boca linguaruda de Jar Jar já é uma bênção. Segundo, a corrida de pods, que toma um enormemente desconcertante pedaço da primeira metade do filme é reduzido a duas páginas e meia na HQ, uma prova mais do que evidente que não há nenhuma substância ali. Tudo isso graças ao poder de síntese de Rodolfo Damaggio na arte, que transpõe economicamente tuo para os quadrinhos, mas com maior equilíbrio do que George Lucas fora capaz. Ponto para Damaggio (e Al Williamson na arte-final)! E, finalmente, com apenas 109 páginas, é necessário menos tempo lendo a HQ do que vendo aquela regurgitação incoerente de Lucas nas telas.

Mas Damaggio, infelizmente, não dá um passo além, que poderia tirar essa adaptação da mediocridade (repare como mediocridade já significa um ou dois passos acima do que Lucas conseguiu com o filme…). E não estou nem falando de uma adaptação sem Jar Jar e sem um Anakin chato e sem menção a midiclorians, sonho molhado meu. Não. Falo que ele poderia ter trabalhado de maneira mais impactante os desenhos, com splash pages em determinadas passagens mais fortes, como quando Darth Maul aparece no hangar em Naboo ligando seu sabre de luz duplo ou mesmo quando o moleque insuportável vence a corrida, acabando com Sebulba. Mas não. Damaggio faz no automático e, ainda que seus traços sejam eficientes e seu uso de quadros transmita bem a energia de determinados trechos da narrativa, em nenhum momento vemos empolgação e um senso de espetáculo. Com uma certa necessidade de se comprimir a história, o que vemos, ao contrário, são quadros pequenos para momentos grandiosos que acabam fazendo com que a história ganhe contornos mais simplistas.

A adaptação de um fraco filme tem a única verdadeira vantagem de ser melhor que seu material fonte. Mas por pouco.

Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma (Star Wars: Episode I – The Phantom Menace, EUA – 1999)
Roteiro: Henry Gilroy (baseado em roteiro de George Lucas)
Arte: Rodolfo Damaggio
Arte-final: Al Williamson
Cores: Dave Nestelle
Letras: Steve Dutro
Editora original: Dark Horse Comics
Data original de publicação: maio de 1999 (quatro edições)
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: janeiro de 2015 (encadernado capa dura)
Páginas: 109

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.