Crítica | Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (adaptação em quadrinhos da Dark Horse Comics)

estrelas 1

Espaço: Coruscant, Tatooine, Mustafar, Utapau, Kashyyyk, Alderaan
Tempo: A Ascensão do Império – 19 anos antes da Batalha de Yavin (19 a.B.Y)

A Vingança dos Sith certamente é um de meus maiores guilty pleasures, por mais que o filme prelúdio pudesse ter sido absurdamente melhor, contando de forma mais crível a queda de Skywalker, tenho uma percepção quase positiva da obra em virtude de dois elementos: uma maior exploração da relação entre Anakin e Obi-Wan e, é claro, a fantástica trilha sonora de John Williams. A adaptação em quadrinhos da Dark Horse Comics, que fizera o mesmo com as outras entradas da franquia, de imediato, obviamente, já dispensa o segundo elemento, o que por si só já garante uma queda na qualidade da história. Não que isso seja, de fato, o fator responsável por estragar o que já não era assim tão bom – a culpa disso se encontra em outros pontos da narrativa.

epiii-darkhorse-capaApós um texto de abertura, idêntico ao filme original, pulamos para uma tentativa de resgate ao Chanceler, conduzida por Obi-Wan e Anakin. O líder da República fora sequestrado pelo General Grievous que agora tenta escapar com sua frota de uma gigantesca batalha espacial travada na órbita de Coruscant. A pressa que o roteiro demonstraria em suas subsequentes páginas já é exibida aqui e rapidamente vemos os dois jedi adentrarem a nave-capital separatista. Sem o fantástico design de som ou a já mencionada trilha esse prólogo pouco consegue nos cativar e a trama continua a se desenvolver de forma burocrática, presa ao material original com um evidente medo de inovar ou nos trazer um olhar mais profundo sobre os eventos de A Vingança dos Sith.

Essa característica se mantém do início ao fim dos quadrinhos, existem pouquíssimas mudanças ou acréscimos e delas posso ressaltar somente três dignas de nota. A primeira é uma visita de Obi-Wan à Padmé, que constrói melhor o fato dele ter conhecimento sobre a relação amorosa entre ela e seu aprendiz, além, é claro, de aprofundar a preocupação do Mestre Jedi para com seu amigo, quase filho. A segunda, por sua vez, nos traz os primórdios da Aliança Rebelde, conforme Mon Mothma, ainda senadora da República, faz uma pequena aparição – para aqueles que não lembram, ela é uma das líderes da Rebelião e aparece em O Retorno de Jedi durante o planejamento do ataque à segunda Estrela da Morte. A terceira mudança se dá em torno da relação entre Palpatine e Skywalker, que nos fazem acreditar (um pouco mais, mas não o suficiente para justificar morte de criancinhas) que o jedi fora, de fato, seduzido pelo Lado Negro.

Vader depois de ler essa adaptação

Vader depois de ler esta adaptação

Essas pequenas alterações, contudo, não conseguem ser substanciais ao ponto de esconderem os gigantescos defeitos da obra. Ao longo da curta leitura não podemos deixar de sentir como se tudo aquilo tivera sido feito às pressas. Inúmeras sequências parecem ter sofrido cortes a fim de dinamizar a história, mas tudo o que conseguem é confundir o leitor, tornando esta uma leitura complementar ao filme, que não consegue se sustentar sem ele. O embate entre Windu e o Chanceler é um dos maiores exemplos, ao passo que não é deixado nem um pouco claro que as deformidades do seu rosto surgiram em virtude de seus próprios raios. Além disso, momentos importantes são excessivamente resumidos, tirando totalmente o impacto no leitor – o sofrimento de Anakin à beira da lava solidifica isso, tendo sido sintetizado à apenas alguns quadros sucedidos por uma elipse temporal que já traz o Imperador. Lá se vai o enfoque na amizade dos dois jedi.

A arte de Doug Wheatley, que tenta tornar tudo o mais próximo possível do material original, também não ajuda. Feições de personagens conseguem ser verdadeiramente deformadas em determinados quadros, provocando nada menos que risadas do leitor. Além disso, o artista não consegue, neste estilo escolhido, nos trazer a sensação de movimento a cada página, como se tudo estivesse realmente parado. Episódio III deveria ser o mais dramático dos três capítulos da nova trilogia e tudo o que essa adaptação consegue é trazer uma notável e perturbadora frieza.

Dito isso, a melhor maneira de resumir esses quadrinhos da Dark Horse Comics é chamá-los de uma pura perda de tempo. Trata-se de uma obra que, em nenhum momento, consegue se sustentar por conta própria, obrigando o leitor a se apoiar no longa-metragem original. Por não oferecer quase nada de novo se estabelece como uma adaptação burocrática e preguiçosa. Sei que eu, ao menos, deveria ter permanecido com meu guilty pleasure e ficado longe dessas páginas que pouco acrescentam.

Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, EUA – 2006)
Roteiro: Miles Lane (baseado em roteiro de George Lucas)
Arte: Doug Wheatley
Arte-final: Doug Wheatley
Cores: Christopher Chuckry
Letras: Michael David Thomas
Editora original: Dark Horse Comics
Data original de publicação: março a abril de 2006 (quatro edições)
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: junho de 2015 (encadernado capa dura)
Páginas: 96

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.