Crítica | Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (adaptação Dark Horse)

estrelas 3

Espaço: Órbita de Tatooine, Tatooine (Anchorhead, Mos Eisley, Mar de Dunas e Lar da família Lars), espaço profundo, Estrela da Morte, órbita de Alderaan, órbita de Yavin-4 e Yavin-4 (base rebelde)
Tempo: A Rebelião – Eventos logo anteriores à Batalha de Yavin, a Batalha de Yavin e eventos logo posteriores (a.BY e d.BY)

A adaptação de Guerra nas Estrelas (o filme original) para quadrinhos pela Dark Horse Comics demorou a acontecer. A empresa adquirira a licença para produzir quadrinhos baseados na franquia em 1991 e vinha assim fazendo, com muito sucesso, há bastante tempo, mas jamais voltando ao material fonte. O objetivo era mesmo expandir a mitologia e o universo para bem além do que a Marvel fizera entre 1977 e 1987.

SW ep IV adap Dark Horse capaApenas quando as desnecessárias edições especiais da trilogia clássica começaram a ser pensadas é que a Dark Horse partiu para um projeto de adaptação, de modo a casar com o relançamento em grande escala dos filmes. Com isso, em meados de 1995, quando a Lucasfilm anunciou o ambicioso projeto de revisitar os filmes e lançá-los no cinema em 1997, a editora passou a trabalhar da primeira adaptação, trazendo a bordo Bruce Jones no roteiro e o saudoso uruguaio Eduardo Barreto na arte. A primeira escolha no lápis, porém, havia sido Al Williamson, que desenhou a adaptação de O Império Contra-Ataca para a Marvel, em 1980, baseado em roteiro de Archie Goodwin. Mas Williamson não pode se juntar ao projeto como artista principal por diversas razões, mas acabou trabalhando na arte-final depois que Barreto passou a fazer parte da força tarefa.

Em sua origem, essa adaptação sofre do mesmo problema que a nova trilogia sofreria: o controle exacerbado de George Lucas. Sai a liberdade que Roy Thomas, Howard Chaykin e Steve Leialoha tiveram na primeira e ainda definitiva adaptação em quadrinhos de Guerra nas Estrelas (Star Wars #1 a 6, de 1977) e entra a necessidade de, literalmente, se seguir um roteiro. E com o agravante de ser o roteiro modificado por Lucas para as edições especiais de 1997, com cenas incluídas e outras alteradas.

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Assim, não culpo Bruce Jones pelo trabalho de adaptação que acabou ficando burocrático. Diálogos idênticos ao filme e excessivo destaque às sequências novas e às alterações de Lucas acabam tirando o frescor de seu trabalho. Além disso, como o primeiro número seria lançado em janeiro e o plano era acabar a adaptação antes do lançamento do filme, em maio, Jones teve que espremer a adaptação em pouco mais de 90 páginas, de maneira que somente quatro edições fossem necessárias. E, escrevendo com esse timeline apertado, ele teve que tomar decisões que considero muito equivocadas e aí sim ele ganha sua parcela de culpa, ainda que não integral. Há momentos-chave do filme que simplesmente foram extirpados da adaptação de maneira que fossem abertas páginas para, por exemplo, incluir a totalmente desnecessária conversa entre Han Solo e Jabba o Hutt. Querem um exemplo? Luke descobre que seus tios foram assassinados pelos Stormtroopers em um mísero quadro no canto de uma página. Não há consequência, não há tristeza. É como se Jones tivesse feito um esforço hercúleo para incluir momento completamente desnecessário na trama, enquanto que, muito ao contrário, trata-se de evento definidor na saga de Luke Skywalker.

O mesmo acontece com a morte de Ben Obi-Wan Kenobi. Ele morre. Ponto final. Não sentimos nada. Os personagens não sentem nada. Não há drama ou urgência. Bruce Jones enfatiza o espetáculo em seu trabalho e joga para escanteio os momentos que realmente diferenciaram a obra original. Não que o resultado final seja imprestável, longe disso. Trata-se de uma adaptação honesta, mas nada além disso. Não acrescenta nada de especial que não sejam as tais cenas inúteis que George Lucas encasquetou que queria em seu filme, incluindo a heresia cometida com Han Solo e todo o debate sobre quem atirou antes, ele ou Greedo.

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Eduardo Barreto, no entanto, faz um bom esforço para resumir em tão poucas páginas o épico filme. Os personagens ganham rostos que lembram, mas não reproduzem integralmente os rostos dos atores, o que permite maior imersão na leitura. Além disso, ele consegue desenhar batalhas espaciais de maneira eficiente e dinâmica, como podemos ver na fuga da Millenium Falcon da Estrela da Morte e, claro, a sequência final, a Batalha de Yavin. Mas, assim como no caso do roteirista, Barreto acabou sendo obrigado a dar destaque às cenas extras, o que tirou espaço para trabalhar melhor alguns momentos da trama. Compreensível, mas frustrante.

A adaptação da Dark Horse é muito inferior à da Marvel, mesmo sendo mais homogênea em termos artísticos. É uma leitura rápida e pouco especial, que só é recomendada para aqueles que realmente querem ler todos os quadrinhos de Star Wars ou eventualmente não tenham acesso à primeira adaptação.

Star Wars: Uma Nova Esperança (Star Wars: A New Hope, EUA – 1997)
Roteiro: Bruce Jones (baseado em roteiro de George Lucas)
Arte: Eduardo Barreto
Arte-final: Eduardo Barreto, Al Williamson, Carlos Garzón
Cores: James Sinclair, Cary Porter
Letras: Steve Dutro
Arte da capa:  Greg Hildebrandt, Tim Hildebrandt
Data de publicação original: janeiro a abril de 1997
Editora (nos EUA): Dark Horse Comics
Páginas: 96

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.