Crítica | Star Wars Episódio IV – Uma Nova Esperança (Trilha Sonora Original)

estrelas 5,0

Há um tempo atrás, nosso mestre, Ritter Fan, me oferecia uma proposta pra falar das Trilhas Sonoras de cada Star Wars para o Especial da franquia que durará o ano inteiro aqui no site. Bem, aceitei mesmo achando que falar e avaliar uma trilha clássica como essa é bem complicado. Aqui estou eu nesse desafio. Para começar essa série de críticas, abordarei a trilha Star Wars: A New Hope (Original Score), a responsável por criar todo o respeito que temos ao tocar o clássico tema feito por John Williams.

Bem, é importante dar nome aos bois. Existem três nomes que merecem ser citados com todos os méritos possíveis pela obra-prima. O primeiro, claro, é o mitológico John Williams, aquele que pode ser chamado de maior compositor de trilhas que o cinema já viu. Segundo, o frequente colaborador de Williams, Herbert W. Spencer, que ajudou a orquestrar a obra. Terceiro, a competência máxima da Orquestra Sinfônica de Londres. Esse foram os principais culpados por aquela que é considerada por alguns a trilha mais memorável da história do cinema.

A trilha abre com o clássico rufar de tambores da 20th Century Fox, passando o bastão para aquele que talvez seja o maior tema que o cinema já viu, nomeado na trilha como Main Title/Rebel Blockade Runner. Sim, aquela melodia em que você lembra de Star Wars de primeira. O arranjo de John Williams possui o ar aventureiro perfeito para o filme, característica que ele marcou em tantos outros filmes como Indiana Jones, Tubarão, Jurassic Park e mais um currículo enorme. Essa mesma melodia faz questão de aparecer nas mais diversas faixas da trilha. Seja em um ar mais veloz e rico em The Tractor Beam ou em The Millenium Falcon/Imperial Cruiser Pursuit com um discreto ar acústico e executado mais lentamente.

Interessante como a trilha não se prende aos limites da música clássica, mas também há uma interessante passagem pelo Jazz nas excelentes Cantina Band e Cantina Band #2. Entram trompetes, clarinetas, bateria e até tambores de aço (inserindo uma típica sonoridade caribenha) trazendo uma melodia animada que diversifica a trilha, insere um certo tom humorístico, além fazer a faixa virar um clássico da música.

Vale dizer que a brilhante trilha sinfônica possui os elementos essencias para musicalizar um filme como Star Wars. A multiplicidade de instrumentos de sopro (aliás, destaque para a bela flauta na marcante Princess Leia’s Theme) e o rufar de tambores a todo momento nos transfere para o ambiente imperial do filme, além de transmitir um clima de batalha. Está aí um ponto essencial para trilhas sonoras: inserir perfeitamente o ambiente da obra, o que aqui é perfeitamente executado. E aqui fica uma observação de como precisam ter cuidado com a trilha do novo filme a ser lançado esse ano (não preciso nem dizer que uma típica trilha de Hans Zimmer não funcionaria), mas já que se trata do mesmo John Williams, “in Williams we trust”.

A trilha de Star Wars pode ser dita uma expressão musical rara e do mais alto nível. Principalmente porque os tempos mudaram. A simplicidade, a sinceridade e a competência com que foi feita é bem diferente do que seria considerado um alto nível hoje, visto que as ferramentas mudaram e as trilhas passaram a ser produzidas e editadas cada vez mais dentro de estúdios e menos executadas em concertos. Isso não diminue os méritos nem de uma obra e nem de outra, afinal, são novos tempos. Mas esta aqui já possui o status de única e é seguro afirmar que igual a de Star Wars – e tantas outras desse tempo – não haverá.

Star Wars Episode IV: A New Hope (Original Motion Picture)
Composto e conduzido por John Williams
País: Estados Unidos
Lançamento: 1977
Gravadora: 20th Century Records
Estilo: Música Clássica, Trilha Sonora

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.