Crítica | Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (Adaptação Literária, 1983)

estrelas 5,0

Quando a Disney anunciou uma nova trilogia de Star Wars, com seu primeiro filme e sétimo episódio da franquia programado para estrear no fim de 2015, sob a batuta de J.J. Abrams, polêmica não faltou, por bem ou por mal. Em meio a impropérios ou entusiasmo, porém, destaca-se aqui a expectativa que perdurou por algum tempo quanto ao aproveitamento ou não da Disney do universo expandido de Star Wars.

Expectativa essa que esvaneceu quando a empresa anunciou que não, os roteiros da nova trilogia somente levariam em consideração a obra original. Veja bem, quando falamos da obra original, falamos também das novelizações oficiais da trilogia original, não apenas dos filmes, detalhe que pode nos fornecer mais pistas do que vem por aí além do que podemos extrair da saga cinematográfica, especialmente no caso desta novelização do decisivo Episódio VI.

A novelização foi originalmente publicada em 2 de maio de 1983, enquanto o filme estreou em 25 de maio. Escrito por James Kahn a partir do roteiro de George Lucas e Lawrence Kasdan, acompanhamos, até o anúncio da nova trilogia, a conclusão da saga de Luke e seus amigos: a luta do protagonista para resgatar Han Solo, o grande assalto da aliança rebelde à segunda Estrela da Morte e o confronto decisivo de nosso herói com Darth Vader sob o olhar do Imperador. Sobretudo, assistimos à derradeira batalha do último Jedi consigo mesmo para descobrir, de uma vez por todas, se servirá à luz ou ao lado negro da força, como o filho vendo ou não a si próprio como uma extensão do pai.

São nestes embates decisivos que o texto de Kahn funciona perfeitamente. Ainda mais do que nos livros anteriores, a interiorização, a descrição do que se passa na consciência dos personagens, em especial dos mais importantes, faz toda a diferença. Em dados momentos, como na despedida entre Luke e a irmã antes do rapaz confrontar Vader, ou mais do que nunca durante o confronto propriamente dito, temos a impressão de estarmos acompanhando duas histórias, ainda que conectadas: uma no íntimo dos envolvidos e outra exterior, concreta, o que vemos no filme. É a literatura fazendo uso pleno de seu poder. Mais do que isso, também não faltam informações extras, incluindo detalhes de como a irmã de Luke foi mantida sob anonimato – o que eu falei sobre possíveis pontos de abordagem e desenvolvimento da nova trilogia, que, esperemos, faça jus à competência que Abrams vem demonstrando até agora em sua carreira, e aqui pensemos na responsabilidade depositada no homem.

O livro também tem o cuidado de deixar clara a maior força da Estrela da Morte em relação à sua estação predecessora, ponto que expectadores do filme afirmam não ficar claro visualmente. De cuidado em cuidado, chega-se a um genuíno texto inspirado, que o diga o momento no qual Luke retira a máscara de seu pai, capaz mesmo de arrancar uma lágrima da alma mais durona. Temos uma adaptação perfeita em seu objetivo não só em nos deixar plenamente a par da história contida no roteiro do filme quanto em nos contar uma história própria, que só a literatura é capaz de projetar pela imagem interior de cada um.

Star Wars – Episódio VI: O Retorno de Jedi (Star Wars – Episode V: Return of the Jedi, EUA – 1983)
Autor: James Kahn
Tradução: Érica Lessa, Peterson Rissatti
Editora nos EUA: LucasBooks
Editora no Brasil: Darkside
Páginas: 160

LUCAS BORBA . . Gaúcho e estudante de jornalismo, vê nessa profissão a sua porta de entrada ao mundo artístico, uma de suas grandes paixões. Cinema, séries e seriados, animes e animações, literatura e até radionovelas compõe sua ânsia insaciável pelo vômito da arte. Opa, não, só por arte mesmo. Sem falar, é claro, em paixões como batata frita, panquecas (destaque para as de espinafre e de guisado, com bastante requeijão, e para as de chocolate), estrogonofe, navegação e otras cocitas más - repare que a comida ganha destaque, apesar da sua, sim, magreza.