Crítica | Star Wars: Han Solo #3 a 5 (Marvel – 2016)

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estrelas 3,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas das edições anteriores desta publicação eaqui, as críticas de todas as HQs publicadas pela Marvel sobre o Universo Star Wars a partir de 2015.

Espaço: Base móvel rebelde, Hiperespaço, Corrida de Dragon Void
Tempo: Rebelião — Entre o Episódio IV – Uma Nova Esperança e o Episódio V – O Império Contra Ataca

A Marvel Comics tem consistentemente acertado em sua forma de lidar com a retomada das publicações do universo Star Wars, mantendo duas ou três publicações mensais fixas (eram Star Wars e Darth Vader, agora são Star Wars, Poe Dameron e Doutora Aphra) cercadas de uma miríade de minisséries normalmente de não mais do que cinco edições com os mais diversos personagens. Falta ainda mais ousadia para lidar com outros períodos que não os que estão entre os longas da saga, mas creio que chegaremos lá alguma hora.

Han Solo, como meu colega Pedro Cunha teve a oportunidade de comentar quando de sua crítica dos dois primeiros números, lida com uma história independente e de menor impacto tendo o simpático contrabandista como foco. A história é simples: ele precisa correr a famosa corrida Dragon Void, a mais antiga e importante do universo, para usá-la como cobertura para uma missão de recolhimento de espiões rebeldes que estão sendo assassinados por um deles, que teria virado a casaca. Ou seja, há um pouco daquilo que fez a Millenium Falcon famosa (afinal, não é toda nava que consegue correr a corrida Kessel em 12 parsecs, mesmo considerando que parsec é uma unidade de distância, não de tempo…) e um pouco da velha luta entre Rebeldes e Império tendo Han Solo, sempre duro por fora, mas meloso por dentro, como pivô, tendo que, no melhor estilo Assassinato no Expresso do Oriente, descobrir o assassino em meio a várias possibilidades e, por orgulho, ganhar a corrida muito claramente inspirada na que Burt Reynolds corre em Quem Não Corre, Voa (The Cannonball Run).star_wars_han_solo_3_a_5_page_plano_critico

As três edições finais são frenéticas nesse propósito e lidam bem com a relação de Solo com os pilotos remanescentes depois do caótico começo em que vários foram eliminados. Há a misteriosa e quase mítica piloto solitária Loo Re Anno, última de sua raça, o valentão e trapaceiro Delan Wook e as Twi’Leks Sotna e Nowk. Todos personagens criados para a minissérie, eles funcionam organicamente ao mesmo tempo como concorrentes e aliados de Solo, especialmente quando o Império passa a interferir na corrida, funcionando quase que como Dick Vigarista na Corrida Maluca clássica.

O conflito dentro da Millenium Falcon, com os espiões recolhidos edição a edição por Chewbacca e Solo, ganham relevância e contornos bem delineados que emprestam verossimilhança à narrativa, ainda que acertar quem é o traidor seja uma tarefa particularmente banal. Mas a previsibilidade não é problema aqui, pois ela tem o condão de reforçar os traços que conhecemos de Han Solo. Sabemos que ele é um malandro, mas que tem enorme coração e isso telegrafa cada decisão que ele toma, especialmente em relação à simpática, porém misteriosa Loo Re Anno e suas esferas de luz vivas que a cercam (e uma delas se enamora de Solo, claro).

A arte de Mark Brooks é muito bonita, pois ele sabe popular seus quadros e suas páginas de maneira intensa, mas sem poluí-los, por vezes ousando na diagramação e criando splash pages singulares. Sua imaginação na criação dos novos personagens, especialmente Loo Re Anno e a tigresa branca Dorae, além das Twi’leks, merece comenda, assim como sua escolha em não seguir servilmente as aparências dos atores que deram vida a Han Solo e Leia. Eles lembram sim Harrison Ford e Carrie Fisher, mas seus semblantes fogem do fotorrealismo e se fundem bem com a profusão de novos personagens que entram na história.

Han Solo é uma despretensiosa minissérie que tem como objetivo divertir o leitor. Não tem profundidade ou complexidade, mas funciona muito bem dentro de sua proposta.

Star Wars: Han Solo #3 a #5 (Marvel – 2016/7)
Roteiro: Marjorie Liu
Arte: Mark Brooks
Arte-final: Dexter Vines (#3)
Cores: Sonia Oback, Matt Milla (#4)
Letras: Joe Caramagna
Editora Original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: outubro e dezembro de 2016 e janeiro de 2017
Editora no Brasil: não publicado até a data de publicação da presente crítica
Páginas: 23 (por edição)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.