Crítica | Star Wars: Império Negro

estrelas 4

Espaço: Coruscant, base Pinnacle, Nar Shaddaa, Mon Calamari, Byss.
Tempo: A Nova República, Dez anos após a Batalha de Yavin.

Uma das histórias mais icônicas do Universo Expandido de Star Wars, atualmente rebatizado de LegendsImpério Negro, ou Dark Empire no original, influenciou inúmeras outras obras da franquia, desde os filmes mais recentes até jogos como Knights of the Old Republic. A batalha de Mon Calamari, presente nos quadrinhos, também aparece na última fase do game Rogue Squadron. Fora isso, temos em suas páginas a primeira aparição de Nar Shaddaa, a lua de Nal Hutta que aparece em dezenas de outras entradas de Legends.

A publicação em questão, lançada no mesmo ano que Herdeiro do Império, dialoga fortemente com esse livro de Timothy Zahn, se passando apenas um ano após os eventos do romance que nos introduzira a Thrawn. Apesar de contar com algumas escolhas narrativas que acabam por diminuir a importância dos acontecimentos de O Retorno de JediImpério Negro certamente deve ser lido por qualquer fã da franquia.

Dez anos depois da batalha de Yavin, as forças imperiais entraram em uma guerra civil, com inúmeras facções visando o vácuo de poder deixado após a morte de Palpatine. No meio desse conflito, a Nova República acabou sendo fortemente abalada, regredindo ao status de Aliança Rebelde novamente, visto que perderam o domínio da maior parte dos planetas, inclusive da Cidade Imperial (o nome Coruscant ainda não havia sido adotado oficialmente). Justamente nesse lugar, Luke Skywalker sente uma enorme força sombria sendo controlada por uma figura misteriosa, o que o leva para um caminho de autodescobrimento: ele deve se entregar para o Lado Negro a fim de poder combatê-lo por dentro. Com o futuro dos Jedi em risco, cabe a Leia resgatar seu irmão da possível perdição.

Aqui entrarei em um spoiler sobre a história – se você pretende conhecer a obra sem saber de nada previamente, sugiro que pule para o próximo parágrafo, mesmo que muito provavelmente já tenha escutado sobre esse aspecto de Dark Empire. Admito que nunca encarei com bons olhos Palpatine transferindo sua consciência para um clone, sua morte nas mãos de Darth Vader é um dos momentos mais icônicos de toda a franquia e o fato do Imperador ter simplesmente sobrevivido se qualifica como um desserviço ao Episódio VI. O texto de Tom Veitch, contudo, contorna bem essa situação e traz um satisfatório desenvolvimento para esse arco.

Estamos falando de uma história que dialoga constantemente com O Retorno de Jedi, não somente com as cenas entre Luke e seu Pai, mas com todo o conflito em Endor e no espaço. Novamente somos fisgados para uma batalha que pode, enfim, significar a destruição definitiva do Império e o roteirista consegue garantir um forte sentimento de urgência à narrativa, o que nos mantém presos à história, nos forçando a virar página após página ininterruptamente.

Evidente que a arte de Cam Kennedy muito contribui para esse fator. Em seus quadros, ele mostra somente o necessário, ilustra os pontos chave de cada sequência a fim de fazer o leitor cumprir um papel ativo dentro da obra, ao passo que muito é deixado para sua imaginação. Dito isso, há muito a ser observado em cada painel, especialmente os que trazem momentos de conflito. Apesar de ser uma obra relativamente curta, Império Negro certamente leva um bom tempo para ser lido, é preciso calma para conseguir extrair todas as informações fornecidas pelas suas páginas. Além disso, com seu marcante trabalho com as cores, Kennedy traduz muito bem a emoção sentida em cada situação, representando através dessas a disposição de cada personagem. Estamos falando de arte com profunda identidade, a tal ponto que chega a ser impossível não reconhecer um painel de Dark Empire.

De certa forma, ler esse quadrinho é uma experiência muito similar à leitura de um livro. Veitch coloca em seus balões de narração muitas das informações necessárias para o entendimento da obra. Eles estão presentes praticamente em todas as páginas  e atuam em conjunto com os traços para nos passar a história por completo, de forma complementar e nunca redundante. Infelizmente, a fluidez da leitura acaba sendo prejudicada, por mais que isso fortaleça o ponto levantado anteriormente, que é preciso de calma para absorver as páginas dos quadrinhos. O que mais nos chama a atenção é como a narrativa é extremamente similar à dos longa-metragens da trilogia original. Temos aqui todo o caráter de aventura, com um crescente elemento sombrio em questão.

No fim, Império Sombrio é uma obra que causa um receio imediato no seu leitor, especialmente no que tange aos diálogos com O Retorno de Jedi. Felizmente, o roteiro consegue se desvencilhar dessa questão e nos oferece uma memorável história que merece ser lida por qualquer um que aprecie Star Wars. Estamos falando de uma obra que ajudou a moldar todo o Universo Expandido, representando, ao lado de Herdeiro do Império, um dos pilares centrais de toda essa mitologia além dos filmes. Apresentando uma arte com distinta identidade, podemos identificar marcas de Dark Empire em todo o universo da franquia, o que, por si só, já torna sua leitura praticamente obrigatória.

Star Wars: Império Negro  (Star Wars: Dark Empire) — EUA, 1991/1992
Roteiro: Tom Veitch
Arte:  Cam Kennedy
Cores: Cam Kennedy
Letras: Todd Klein
Editora original: Dark Horse Comics/ Marvel Comics (após a compra da Lucasfilm pela Disney)
Datas originais de publicação: 1991/1992
Editora no Brasil: Planeta DeAgostini
Páginas: 176 (aprox.)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.