Crítica | Star Wars – Império Arco 1: Traição

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estrelas 3

Espaço: Coruscant, Darguli 
Tempo: 
Semanas antes da Batalha de Yavin (a.BY)

O Imperador governa a galáxia com punho de ferro e de sua ditadura implacável dissidentes começam a aparecer. Não me refiro, porém, à Aliança Rebelde – essa sim já existe, mas não é o foco deste primeiro arco de Star Wars – Império. Similarmente ao que veríamos posteriormente em Darth Vader e a Prisão FantasmaTraição nos conta a história de uma pequena insurgência dentro do próprio Império. Roteirizado por Scott Allie, essa história, passada poucas semanas antes da primeira grande derrota do Imperador, a Batalha de Yavin, nos traz um olhar mais aprofundado sobre a política interna do Império e o desenrolar dos eventos que desembocariam no Episódio IV.

covertraicaoswUma falsa estabilidade paira sobre Coruscant – Grand Moff Trachta, personagem recorrente dentro do universo expandido, está preocupado com a influência dos Sith sobre seu querido Império, convicção certamente influenciada pelo seu ódio em relação aos Jedi e sua religião. Com isso em mente, Trachta planeja um golpe de Estado que significaria não só o fim do Imperador como de seu braço direito, Darth Vader. Seguido por outros oficiais o Grand Moff dá inicio ao seu plano, o qual acompanhamos passo a passo em constantes mudanças de foco que ampliam a fluidez da história.

Dividido em quatro edições, o arco possui uma estrutura narrativa que não perde tempo com detalhes esmiuçados. Trachta rapidamente se estabelece como um grande estrategista e não precisamos saber a fundo o porquê de sua rebelião, seus motivos são apresentados brevemente e sem muitas delongas. A verdadeira ênfase do texto se estabelece na execução em si, o que prende o leitor que se vê curioso para descobrir o que virá a seguir. Scott Allie, porém, não para por aí e insere traições dentro de traições em seu roteiro, algo que se encaixa perfeitamente dentro da ideologia dos Sith que o Grand Moff tanto quer combater. Com esse elemento no palco somos mantidos no escuro, sem saber o que irá ocorrer, além, é claro, do óbvio desfecho da história (todos já assistimos aos filmes, não é mesmo?).

O desenrolar da trama, contudo, não é ausente de defeitos. Allie parece perder o foco em determinados momentos e oferece uma visão prolongada demais sobre certos aspectos, enquanto resume em poucos quadros a morte de personagens chave, transmitindo um ar de pressa para sua história. Tal característica afeta diretamente o clímax do arco que acaba sendo muito aquém de sua proposta. No fim, Traição acaba cumprindo o papel de uma reles narrativa introdutória, sem grandes acontecimentos, apenas nos dando uma prova do que podemos esperar da publicação Império.

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Inconfidência imperial

A arte nas mãos de Ryan Benjamin é trabalhada com traços mais estilizados, que buscam representar o caráter de cada personagem de forma quase caricata. Darth Vader, por exemplo, assume um porte mais bruto, imponente, uma figura larga que impõe medo e respeito. O Imperador, por sua vez, parece uma bruxa tirada das histórias dos irmãos Grimm, aparentemente frágil, mas escondendo uma terrível e poderosa natureza. Os conspiradores, à exceção de Trachta, ganham traços de criaturas desprezíveis, covardes, que ampliam a disposição negativa do leitor em relação a eles – há uma clara vilanização de tais personagens.

Esse êxito da caracterização, todavia, não se estende para os quadros de ação. Benjamin tem uma evidente dificuldade em transmitir a sensação de movimento em seus quadros e consegue apenas confundir o leitor nos momentos de maior agitação. Lutas de sabre de luz ou tiroteios parecem verdadeiras bagunças e, de fato, somente entendemos o que se passa após o término das ações. Realmente uma pena, considerando a qualidade de seus quadros estáticos.

Apesar desses deslizes Traição consegue ser encerrado com uma percepção positiva de nós leitores, nos deixando curiosos para o que mais pode vir na publicação Império. Certamente está longe de ser um dos melhores quadrinhos de Star Wars, mas consegue cumprir seu papel. Ao término da história nos vemos bastante próximos da Batalha de Yavin e esse talvez seja o ponto de maior interesse dos fãs, que desejam conhecer mais sobre os eventos que precederam Uma Nova Esperança.

Star Wars – Império Arco 1: Traição
Conteúdo:
Star Wars – Império #1 a 4, de setembro de 2002 a janeiro de 2003
Roteiro: Scott Allie
Arte: Ryan Benjamin
Cores: Dave Stewart
Editora: Dark Horse Comics
Páginas: 104

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.