Crítica | Star Wars: Infinities – O Retorno de Jedi

estrelas 3

Tempo Infinities (não-canônico): Quatro anos após a Batalha de Yavin (4 d.BY).
Espaço Infinities (não canônico): Tatooine (Palácio de Jabba e deserto ao entorno da Poço de Sarlacc, Dagobah, Frota Rebelde, Endor, Segunda Estrela da Morte.

Infinities foi uma série da Dark Horse Comics baseada no Universo Star Wars que funcionou como um O Que Aconteceria Se… da Marvel ou um Elseworlds da DC. Enquanto a primeira minissérie discutia o que teria acontecido se a Estrela da Morte não tivesse sido destruída por Luke Skywalker ao final de Uma Nova Esperança, a segunda lidava com a morte de Luke logo no começo de O Império Contra-Ataca pelas mãos do wampa e do clima inclemente de Hoth. A terceira e última minissérie mexe, claro, com O Retorno de Jedi, mas, ainda que o começo seja bom, essa é a mais fraca das três histórias.

SW Infinities ROTJ coverMas comecemos pelos aspectos positivos. O primeiro deles é o momento de ruptura, ou seja, o momento em que a narrativa começa a divergir do que vemos no filme original. Ele é discreto e muito bem pensado e não é, por si só, um grande evento da história que conhecemos. Lembram-se do momento em que Leia, disfarçada do caçador de recompensas Boushh, entra no Palácio de Jabba com Chewbacca acorrentado e começa a negociar um preço pela cabeça do Wookiee? Lembram-se, também, que o interlocutor dessa conversa, falada em duas línguas alienígenas diferentes, é intermediada por C-3P0, que age como intérprete? Lembram-se, ainda, que, quando Jabba fica irritado com o valor “absurdo” pedido por Leia e derruba o androide que logo se levanta e recomeça o trabalho de tradução? Pois bem, é nesse exato ponto que o “universo paralelo” surge. Em Infinities, Jabba derruba C-3P0 com um pouco mais de força, fazendo com que a cabeça do androide se desencaixe e ele não consiga voltar para traduzir. Com a comunicação quebrada e com Leia ameaçando o mafioso lagartoide com um detonador termal, a confusão se instala, levando à destruição do Palácio de Jabba, a fuga de Boba Fett com Han Solo ainda em carbonita e Leia, desesperada, acertando um tiro nos controles da carbonita.

Toda a primeira metade da minissérie, então, lida com os aspectos diretamente resultantes dessa pequena alteração na história, com Luke chegando atrasado em Dagobah e não mais encontrando Yoda e Han Solo sendo finalmente descongelado, mas ficando permanentemente cego. A construção da narrativa, até essa metade é intrigante e engajante, diferenciando-se sobremaneira das minisséries Infinities anteriores.

O roteiro de Adam Gallardo, porém, acaba se desviando da proposta e, então passa a abordar a história de maneira mais burocrática, sem muita originalidade, além de não encerrar a história efetivamente, deixando pontas soltas que poderiam ter sido amarradas mais eficientemente mesmo considerando-se que apenas quatro publicações tenha restringido demais seu espaço. Um dos aspectos que não funcionam é justamente a morte de Yoda antes da chegada de Luke. Não há consequências dessa modificação, pelo menos não que funcionem organicamente dentro da história. Além disso, a mudança de posição de Vader, tratada tão sensacionalmente no filme, é muito mais seca e rápida aqui, resultando até mesmo em um daqueles exageros risíveis de roteirista que precisa deixar o óbvio mais óbvio ainda (não vou revelar, caso alguém não tenha lido, mas há relação com a roupa de Vader). Finalmente, a presença dos Ewoks não história, assim como a morte de Yoda, não servem a propósito narrativo algum, sendo muito mais a necessidade de fazer com que os “ursinhos” de Endor apareçam do que qualquer outra coisa.

A arte, predominantemente de Ryan Benjamin (Dan Norton trabalhou em conjunto com Benjamin apenas no segundo número) funciona bem quando ele não desenha seres vivos. Seus traços para a tecnologia – naves, estações espaciais, planícies desérticas, florestas – é bonita de se ver, com traços detalhados e bem distribuídos por quadros que ele sabe usar para garantir a fluidez da história. No entanto, ele não tem a mesma sorte com rostos humanos e com alienígenas em geral, todos parecendo pobres e genéricos. Da mesma forma, a transformação visual de Vader, ao final, é absolutamente terrível e, ainda que tenha possivelmente sido uma exigência de Gallardo, havia outras soluções possíveis para Benjamin dentro do mesmo conceito.

A última minissérie Infinities da Dark Horse é um proverbial balaio de gatos. Começa de forma estupenda, somente para desapontar da metade até o final. Uma boa ideia desperdiçada.

Star Wars: Infinities – O Retorno de Jedi (Star Wars: Infinities – Return of the Jedi)
Contendo: Star Wars: Infinities – Return of the Jedi #1 a 4, publicados de novembro de 2003 a março de 2004
Roteiro: Adam Gallardo
Arte: Ryan Benjamin, Dan Norton
Arte-final: Saleem Crawford
Cores: Joel Benjamin
Letras: Michael David Thomas
Capa: Rodolfo Migliari
Editora (original nos EUA): Dark Horse Comics
Páginas: 93

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.