Crítica | Star Wars: Infinities – Uma Nova Esperança

estrelas 4

Tempo Infinities (não-canônico): a partir da Batalha de Yavin até cinco anos após a Batalha de Yavin (0 a 5 d.BY)
Espaço Infinities (não canônico): mesmos locais de Guerra nas Estrelas (em flashback), espaço profundo, Coruscant, Dagobah, Ord Mantell, órbita de Coruscant, Estrela da Morte

Star Wars: Infinities, publicada pela Dark Horse Comics na forma de três minisséries de quatro números cada, é a versão Star Wars para a deliciosamente divertida série O Que Aconteceria Se…, da Marvel Comics, mais intensamente publicada durante as décadas de 70 e 80. Cada minissérie aborda um filme da Trilogia Original, alterando um evento importante ou não tão importante assim e o efeito dominó a partir desse ponto.

O primeiro filme a receber esse tratamento foi, claro, Uma Nova Esperança, e o resultado final daria, arrisco dizer, um fascinante reboot (heresia!) da franquia no cinema. O evento alterado é o mais óbvio de todos: e se o tiro de Luke Skywalker não fosse certeiro e a Estrela da Morte continuasse inteirinha?

sw infinities a new hope coverChris Warner faz um excelente trabalho no roteiro quando ele essencialmente reescreve não Uma Nova Esperança (afinal, os eventos começam do final do filme), mas sim O Império Contra-Ataca. Aliás, reescreve não, recomeça integralmente. Luke escapa com Han e Chewie e, por alguns segundos, a frustração de Luke quase o faz matar o amigo com seu sabre de luz. A Aliança Rebelde e, principalmente, Leia, foram dizimados. Mas Ben Kenobi interfere e diz para o jovem futuro Jedi se encaminhar para Dagobah, para ele treinar com o Mestre Yoda. Han e Chewie o levam para lá e o deixam treinando com o ancião.

Do lado do Império, aprendemos que Leia, na verdade, sobreviveu à destruição de Yavin-4 e foi albergada pelo Imperador como símbolo da derrota dos rebeldes. Ela continua sendo tratada como uma princesa em um processo maligno de sedução ao Lado Negro da Força, já que o Imperador sabe que ela é uma Skywalker.

Mas o mais interessante é que, além de intercalar as ações em Dagobah e Coruscant, Warner consegue fazer algo que nem mesmo Lawrence Kasdan consegue em O Império Contra-Ataca e que sempre me incomodou: trabalhar uma passagem temporal convincente, que realmente leve Luke de um fazendeiro e piloto destemidos a um Cavaleiro Jedi. E, claro, vemos o mesmo com Leia, só que lá do outro lado da Força.

Falar mais é estragar a diversão, pois o roteiro de Warner, apesar de ter que correr para contar uma história desse escopo em apenas 96 páginas, manobra bem as dificuldades para apresentar momentos que, ainda que não compensem os grandes momentos de O Império Contra-Ataca (por exemplo, a grande revelação da paternidade de Luke acontece em uma simples conversa entre ele e Yoda), funcionam organicamente dentro da história sugerida. Além disso, o encerramento é incrivelmente épico (e eu não uso essa palavra sempre…), daqueles de trazer lágrimas mistas de alegria e tristeza aos fãs da série.

mosaico sw infinities

(1) Adeus, Yavin-4; (2) A cena “não, eu sou seu pai” na versão conversa de salão de festa; (3) Nazi-Leia festejando o Império.

Assim como acontece no roteiro, com Warner tendo que usar atalhos aqui e ali para constar a história em um espaço bem limitado, a arte de Drew Johnson economiza nos grandes quadros para nos apresentar, ainda que de maneira elegante, quadros menores, menos impactantes. O momento do embate entre Luke e Leia, por exemplo (esse que ilustra a presente crítica) é curto demais e econômico demais, sem realmente tragar o leitor para o drama dos irmãos em lados opostos da Força. Darth Vader também tem sua relevância fortemente diminuída, mal aparecendo na série. Johnson poderia ter tentado compensar com algumas splash pages ou double spreads (a sequência final em Coruscant que falei que é épica merecia isso). Sua arte é boa o suficiente para isso, como podemos ver no fenomenal embate de Luke e Han contra quatro membros da Guarda Imperial (aqueles com capacete e túnica vermelhas) e poderia ter sido explorada melhor.

Mesmo com seus problemas, a primeira minissérie de Star Wars: Infinities é cativante e imperdível para os fãs de Star Wars. Falta só fazer o filme agora!

Star Wars: Infinities – Uma Nova Esperança (Star Wars: Infinities – A New Hope)
Contendo: Star Wars: Infinities – A New Hope #1 a 4, publicados em maio, junho, setembro e novembro de 2001
Roteiro: Chris Warner
Arte: Drew Johnson
Arte-final: Ray Snyder, Al Rio, Neil Nelson
Cores: Dave McCaig
Letras: Steve Dutro
Capa: Tony Harris
Editora (original nos EUA): Dark Horse Comics
Páginas: 96

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.