Crítica | Star Wars: Kanan – Vol. 1: O Último Padawan

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estrelas 4

Espaço: Planeta Kaller, Coruscant, Lahn
Tempo: Império Galáctico, durante e meses e depois da ordem 66. Logo após os acontecimentos do Episódio III: A Vingança dos Sith.

O anúncio de Kanan, o Último Padawan foi uma surpresa. É nítido que a Disney, que comprou a Lucasfilm, não quer mexer muito com os materiais originais da trilogia prequel. Vemos muitos produtos, intelectuais ou físicos, sendo lançados, mas não consigo lembrar-me de alguma peça que tenha como material base a parte mais duvidosa de Star Wars. Produzir um quadrinho que se passa basicamente durante a Ordem 66 era algo que nunca esperaria da empresa do Mickey.

O apelo do quadrinho torna-se mais duvidoso quando paramos para analisar seu protagonista. Eu sou fã de Star Wars Rebels, aprecio muito o trabalho de Dave Filoni desde de Avatar, e acho que a série faz jus e merece estar em destaque no universo Star Wars. Porém é evidente que a animação tem um cunho infantil, por mais que as tramas sejam por diversas vezes mais profundas do que seu público, o fato de a série estar sendo vinculada em um canal de crianças mostra o foco principal da animação. Devido a esses fatores recebi a notícia de Kanan, o Último Padawan com bastante receio, mas para a felicidade geral da nação, o quadrinho quebra toda a desconfiança a respeito da sua qualidade logo na sua primeira edição.

A HQ já começa no coração das guerras clônicas, vemos a Jedi Depa Billaba e seu aprendiz Caleb Dume (mais conhecido por nós como Kanan Jarrus) ganhando uma batalha contra um exército separatista no planeta Kaller, então é nesse momento que os clones recebem a Ordem 66.  A segunda edição se inicia com o tiroteio e o caos que foi o massacre dos Jedi, Depa faz um sacrifício e salva a vida de seu padawan.

O roteiro de Greg Weisman não faz questão de mostrar muito a  relação de mestre e aprendiz que Caleb tem, e isso é um erro. Para o público sentir a dor do menino, o roteiro devia fazer com que o leitor gostasse de Depa Billaba, porém esquecendo de mostrar todo o amor dos dois, nós simplesmente não sentimos a dor que Dume sente. Toda a tristeza que temos é herdada de outras obras, como os filmes e até mesmo a serie de TV, Clone Wars, não é uma tristeza construída pelo autor, e sim pela saga.

A pressa é o único pecado do roteiro de Weisman. Depois da loucura da ordem 66, Kanan fica abandonado e é muito interessante ver como o autor lida com isso. O primeiro pensamento que temos quando vemos um padawan sozinho é: ele vai saber se cuidar, afinal ele tem a Força do seu lado. Mas Greg entrega algo totalmente diferente. Pelo menino ter crescido dentro do templo Jedi, ele não sabe como é viver fora de sua zona de conforto, e apesar de todo o poder à sua disposição, quando sozinho Caleb só se mostra uma criança como outra qualquer.

No meio de sua solidão, o garoto encontra Janus Kasmir um contrabandista da raça Kalleran que ajuda Kanan e serve como uma luz na escuridão do garoto. Durante as próximas edições acompanhamos a relação dos dois crescer, porem como Janus é um caçador de recompensas, toda essa relação é muito duvidosa. Bom paremos por aqui, como sempre digo um quadrinho é feito para ser lido e apreciado, longe de mim querer estragar a experiência dos leitores.

A arte do quadrinho é outra coisa a ser notada, Pepa Larraz consegue trabalhar muito bem todas as fases da HQ. Quando vemos a parte dominada pelos Jedis, Larraz entrega posições muito bonitas e cores que mesclam o ambiente com o azul e verde dos sabres. Já na parte dos caçadores, o artista usa cores mais chapadas e fortes. Pepa também não peca nas expressões, Caleb é bem representado em sua juventude, Depa é representada na sua sabedoria e Janus também em sua malandragem, Pepa Larraz desenha muito bem adultos, crianças e extraterrestres.

Caleb é um personagem que cresce no sofrimento, o menino sofreu ao ver sua mestre morrer nas mãos de seus aliados. O roteiro de Weisman lida com esse sofrimento de forma primorosa, aqui vemos a descontração de Caleb, o menino que antes via a força como sua maior segurança, agora percebe que usa-la pode trazer grande perigo. O sabre de luz que antes era símbolo de esperança, agora vemos Dume deixando a antiga arma de lado. O roteirista traz com sutileza todo esse conflito do personagem que um dia irá ser aquele Kanan cheio de camadas da serie Rebels.

Falando em evolução pelo sofrimento, na season finale da segunda temporada de Star Wars Rebels vimos Kanan sofrer a perda de sua visão, se é na dor que o personagem evolui, com certeza veremos o caçador de recompensa misturado com Jedi evoluir para outro patamar nessa terceira temporada. Fiquemos na expectativa!

 Star Wars: Kanan – Vol. 1: O Último Padawan  (Star Wars: Kanan – Vol.1: The Last Padawan) — EUA 2015
Roteiro: Greg Weisman
Arte:  Pepa Larraz
Cores: David Curiel
Letras: Joe Caramagna
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Páginas: 125 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".